O governo Trump respondeu a 31 parlamentares dos Estados Unidos sobre as eleições brasileiras de 2026, mas deixou uma pergunta sem resposta direta: Washington reconhecerá o resultado oficial das urnas? A manifestação, enviada pelo Departamento de Estado em 15 de outubro, defendeu eleições livres e justas e prometeu diálogo com o governo eleito, sem assumir expressamente o compromisso solicitado pelo grupo.
A resposta chegou quando faltavam dez dias para o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. Ela foi assinada por Katherine Bowles, do Escritório de Assuntos Legislativos do Departamento de Estado, e enviada à deputada americana Delia Ramirez, que havia liderado a cobrança dirigida ao secretário de Estado, Marco Rubio.
A resposta incluiu sanções contra autoridades brasileiras e medidas de segurança adotadas por Washington. Sobre esses assuntos, os congressistas receberam justificativas gerais e ficaram sem as explicações detalhadas solicitadas.
Governo americano promete conversar com o presidente eleito, mas evita compromisso pedido pelos deputados
Na carta reproduzida integralmente pelo SBT News, o Departamento de Estado declarou: “Os Estados Unidos apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo”. Também anunciou que continuará dialogando com a população, o setor privado e o governo eleito sobre comércio, segurança e investimentos.
Os parlamentares haviam pedido uma resposta específica: reconhecer o resultado certificado pelas autoridades eleitorais brasileiras e manter relações diplomáticas normais com quem fosse escolhido pelos eleitores. A promessa de conversar com o governo eleito ficou registrada; o compromisso explícito com o reconhecimento do resultado, não. A ausência dessa declaração, por si só, não constitui decisão de rejeitar uma futura vitória eleitoral.
O Departamento de Estado mencionou os canais de diálogo da Organização dos Estados Americanos (OEA), inclusive para discutir a integridade de processos democráticos. A declaração de reconhecimento formal pedida pelos congressistas continuou sem resposta.
Bernie Sanders e outros 30 parlamentares enviaram sete perguntas a Marco Rubio
O pedido começou em 24 de setembro, quando o senador independente Bernie Sanders e 30 deputados democratas enviaram uma carta à diplomacia americana. Entre os responsáveis pela iniciativa estavam Delia Ramirez, Pramila Jayapal e Jesús “Chuy” García.
O grupo apontou preocupação com possíveis interferências dos Estados Unidos na política brasileira. Entre os episódios citados pelos signatários estavam tarifas comerciais, sanções a autoridades e ações diplomáticas durante a campanha presidencial. Essas acusações representam a posição dos parlamentares que assinaram a correspondência.
Os sete questionamentos incluíam os critérios usados pelo Departamento de Estado para avaliar sanções, as justificativas para medidas contra o ministro Alexandre de Moraes e para o enquadramento de duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, além da revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington. O último pedido tratava diretamente do reconhecimento do resultado da eleição.
A correspondência divulgada pela Washington Brazil Office estabelecia 1º de outubro como prazo para respostas. A manifestação formal de Washington chegou duas semanas depois, em 15 de outubro.
Departamento de Estado mantém acusações contra Moraes ao justificar sanções de 2025
Em outro trecho, Washington voltou a defender as medidas aplicadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O Departamento de Estado afirmou que a sanção de 30 de julho de 2025, baseada na Lei Global Magnitsky, decorreu de violações de direitos humanos que atribui ao magistrado.
Segundo a versão do governo americano, decisões de Moraes teriam afetado a liberdade de expressão e garantias de julgamento justo. Os deputados cobravam explicações jurídicas e provas específicas para aplicar a legislação a um integrante da Suprema Corte brasileira. A resposta reiterou as acusações oficiais sem apresentar o detalhamento solicitado.
Carta também defende medidas contra PCC e Comando Vermelho
O governo dos EUA sustentou a decisão de 28 de maio de 2026 de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A justificativa apresentada foi a avaliação americana de que os grupos representam ameaças à segurança dos Estados Unidos e de outros países da região.
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Os congressistas haviam questionado o enquadramento e mencionado objeções manifestadas pelo governo brasileiro. A resposta reafirmou o entendimento de Washington. Na pergunta dirigida a Rubio, os signatários também citaram o receio de que o enquadramento produza medidas com efeitos fora do território americano.
Revogação do visto da embaixadora brasileira também ficou sem explicação
Os 31 parlamentares ainda pediram esclarecimentos sobre o cancelamento do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. A resposta do Departamento de Estado passou pelos temas eleitoral, judicial e de segurança, mas não apresentou uma justificativa para aquela medida diplomática.
Outros três senadores democratas — Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch — também haviam enviado, no fim de setembro, uma carta pedindo respeito ao processo eleitoral brasileiro. Esses senadores também pediram a manutenção de relações diplomáticas normais com qualquer vencedor escolhido legitimamente pelos eleitores brasileiros.
Segundo turno de 25 de outubro será conduzido pela Justiça Eleitoral brasileira
O calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral prevê o segundo turno para domingo, 25 de outubro de 2026, uma semana depois desta reportagem. A votação e a certificação dos resultados cabem às instituições brasileiras, independentemente das declarações de governos estrangeiros.
Até 18 de outubro, a posição formal comunicada por Washington era o apoio a eleições livres e justas e a disposição de trabalhar com o governo eleito. Permanece em aberto a declaração expressa que os congressistas pediram sobre reconhecimento do resultado certificado.
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