Antes de serem enviados a uma missão, 86 profissionais de segurança pública precisam passar por uma nova etapa de preparação para a Força Nacional. Não são novos concursados: vêm de instituições estaduais e do Distrito Federal. O Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou, em 15 de outubro, que 86 profissionais de 20 unidades da Federação deverão participar de uma nova Instrução de Nivelamento de Conhecimento (INC), com início previsto para 20 de outubro de 2026. Os policiais militares são maioria; os bombeiros formam o segundo maior grupo.
Os números revelam o perfil da mobilização: 64 policiais militares, equivalentes a quase três quartos do grupo, 14 bombeiros militares, sete policiais civis e um profissional de perícia. Os nomes, graduações e estados de origem de cada um não foram divulgados no comunicado. Assim, não há fundamento para tratar os 86 como efetivo já empregado ou como vagas abertas a pessoas de fora dessas instituições.
Por que uma turma de 86 agentes precisa passar por outra formação?
A Força Nacional reúne profissionais cedidos por governos estaduais e pelo Distrito Federal, chamados a atuar de maneira integrada em ações de apoio. Embora já possuam experiência em suas corporações, policiais e bombeiros precisam adotar procedimentos compatíveis quando passam a trabalhar lado a lado com equipes de origens diferentes.
A INC tem essa função: atualizar técnicas, uniformizar procedimentos e preparar os mobilizados para missões em que a rotina pode mudar radicalmente de um estado para outro. Segundo o ministério, a instrução abrange policiamento ostensivo, polícia judiciária, perícia criminal, proteção ambiental e atuação entre órgãos de segurança. O conteúdo também inclui uso diferenciado da força, respeito aos direitos humanos e preservação da vida.
De operações contra o crime organizado a incêndios na Amazônia
O ministério relaciona a formação à necessidade de recompor efetivos empregados em diferentes partes do país. As demandas incluem operações em terras indígenas, combate aos crimes ambientais, enfrentamento a incêndios florestais e apoio a investigações e ações contra o crime organizado.
O tipo de missão explica a necessidade de treinamento comum: uma operação urbana e o apoio a ações em regiões remotas exigem formas diferentes de deslocamento, coordenação e atendimento. Por isso, a formação integra profissionais que trazem experiências distintas: a atuação ostensiva da PM, o atendimento e resgate dos bombeiros e o trabalho investigativo da Polícia Civil e da perícia.
Não é concurso: como policiais e bombeiros entram na Força Nacional
Em explicação publicada em julho, o Ministério da Justiça detalhou que a mobilização de servidores em atividade começa com solicitações às instituições estaduais, que indicam profissionais. O processo prevê pesquisa social, análise de documentos, Teste de Aptidão Física (TAF) e, depois, participação na INC. Entre os documentos mencionados estão carteira de habilitação, certificado de condutor de veículo de emergência e certidão da corregedoria de origem.
Há também procedimento próprio para veteranos, com inscrição em cadastro, entrevista e requisitos documentais e médicos. Essa possibilidade consta das regras gerais da Força Nacional, mas o anúncio de 15 de outubro não informa quantos, ou se algum, integrantes desta turma pertencem a esse grupo.
A reportagem oficial de julho cita que o vínculo entre União e estados define responsabilidades da mobilização, enquanto o ministério fornece capacitação, equipamentos e pode pagar diárias durante o emprego. Não há, no anúncio da nova turma, promessa de promoção, salário fixo novo nem nomeação federal.
O que acontece depois do início previsto para 20 de outubro
O comunicado de 15 de outubro apresenta a previsão para o início da instrução, não o resultado de uma turma concluída. A capacitação é uma etapa preparatória: a incorporação às missões dependerá das necessidades operacionais e das condições exigidas de cada participante. O ministério não divulgou a data de formatura nem os futuros destinos dos 86 profissionais.
Em setembro, outra turma, composta por 121 profissionais de 20 unidades federativas, concluiu a 111ª INC. O registro ajuda a dimensionar a continuidade do programa, mas não deve ser confundido com os 86 participantes agora anunciados.

Para quem acompanha carreira e operações de policiais e bombeiros militares, o dado principal é este: o reforço anunciado não é uma convocação aberta ao cidadão. É a preparação de servidores já indicados por suas instituições para, após nivelamento, poderem atuar em missões federativas de segurança pública.
Sem finalidade. Aumente o efetivo da PF, não retire PM e bombeiros de seus estados. Encerre está polícia bolivariana e aumente o efetivo da polícia federal para isto.