A presença de Augusto Leopoldo no cruzador Almirante Barroso terminou em Colombo, no atual Sri Lanka, após ordens do governo republicano; o oficial pediu licença de seis meses e recebeu uma despedida dos companheiros.
Dom Augusto Leopoldo, neto de Dom Pedro II e segundo-tenente da Marinha, precisou deixar o cruzador Almirante Barroso na Ásia após a Proclamação da República, em 1889. A mudança de regime alcançou a viagem de volta ao mundo e trouxe uma ordem dirigida ao integrante da família imperial: pedir demissão do serviço naval.
Em Colombo, porto do então Ceilão, atual Sri Lanka, o comandante Custódio de Melo recebeu um telegrama do novo ministro da Marinha. As determinações atingiam tanto os símbolos do navio quanto a permanência do príncipe a bordo. Augusto reagiu solicitando licença de seis meses, e seus companheiros organizaram um jantar antes da separação.
O telegrama mandava alterar a bandeira e exigir a demissão
A mensagem recebida em Colombo levava a assinatura do almirante Eduardo Wandenkolk, ministro da Marinha do governo que assumira o poder depois de 15 de novembro. Entre as determinações estava retirar a coroa das armas imperiais presentes na bandeira e colocar uma estrela em seu lugar.
A outra ordem afetava diretamente Augusto Leopoldo: exigia que ele pedisse demissão. O novo governo estabelecia, assim, uma consequência pessoal para o oficial que participava da missão naval enquanto sua família perdia o trono brasileiro.
Segundo a narrativa publicada pela Revista Marítima Brasileira, Custódio de Melo entregou o telegrama ao príncipe para que ele próprio lesse as instruções. A notícia atingia simultaneamente sua carreira, seus vínculos familiares e a possibilidade de continuar a viagem com os companheiros.
Augusto Leopoldo no cruzador Almirante Barroso cumpria funções de oficial
A viagem de circum-navegação começara em 27 de outubro de 1888, sob o comando do capitão de mar e guerra Custódio de Melo. Augusto já tinha formação naval e ingressara como aspirante em 1883.
Sua condição de neto do imperador provocava situações de protocolo nos portos estrangeiros. Durante a passagem por Valparaíso, no Chile, uma autoridade local apresentou-se para ficar à disposição do príncipe por determinação do presidente chileno. Custódio explicou que ele viajava como segundo-tenente da Armada.

O comandante registrou posteriormente que cobrava de Augusto as mesmas obrigações dos demais oficiais. Em sua defesa da despedida realizada em Colombo, mencionou repreensões por faltas no serviço e até uma prisão disciplinar determinada em ocasião anterior, a bordo da Nictheroy.
O príncipe escolheu pedir licença de seis meses
Depois de ler as ordens, Augusto entrou em contato por telegrama com Dom Pedro II. Em seguida, comunicou ao comandante que pediria licença por seis meses, preservando sua decisão de não apresentar o pedido de demissão exigido.
Ele também mostrou a Custódio uma mensagem subscrita pela princesa Isabel, pelo conde d’Eu e por seu irmão, Dom Pedro Augusto. A situação do segundo-tenente passava a ser discutida com familiares que igualmente enfrentavam as consequências da queda da monarquia.
A licença foi a resposta apresentada por Augusto à determinação recebida. A etapa seguinte seria deixar o navio com o qual atravessara parte do mundo.
Os companheiros organizaram um banquete de despedida
A iniciativa da homenagem partiu dos subordinados de Custódio de Melo e recebeu a concordância do comandante. Durante o jantar, os colegas fizeram discursos e desejaram boa sorte ao oficial que desembarcaria.
Augusto distribuiu alguns de seus pertences entre os camaradas. Na lembrança registrada por Custódio, a separação envolvia um companheiro de serviço e de dificuldades compartilhadas durante a navegação.
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Ao responder posteriormente às críticas pela homenagem, o comandante descreveu Augusto como “um companheiro de trabalho e fadigas”. Sua justificativa apoiava-se na convivência a bordo e na solidariedade ao jovem que se afastava da pátria e dos amigos.
Depois de Colombo, o caminho levou ao exílio e a outra Marinha
Com auxílio das autoridades britânicas, Augusto conseguiu seguir para Paris e encontrar Dom Pedro II. Anos depois, em 1893, recebeu permissão especial para ingressar na Marinha austro-húngara, dando continuidade à carreira naval.
A trajetória iniciada na Armada brasileira prosseguiu em embarcações estrangeiras. Colombo havia marcado a interrupção de seu serviço ao lado da tripulação do Almirante Barroso.
A ordem enviada do Brasil alcançou um cruzador distante e determinou a saída de um de seus oficiais. Para Augusto, a mudança política teve como consequência imediata a separação dos companheiros com quem dividia a missão.
O jantar autorizado por Custódio ficou registrado como a despedida entre aqueles militares, antes de o príncipe seguir para encontrar a família no exílio.
Como você avalia a decisão de Custódio de Melo de apoiar a homenagem ao companheiro que precisava deixar o navio após a mudança de regime? Comente.