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Naval Group, parceira da Marinha do Brasil, retira o quinto submarino nuclear francês do galpão: Rubis S639 chega à plataforma de lançamento e só deve ser entregue após testes

Empresa parceira do PROSUB no Brasil transferiu o novo Rubis S639 para a plataforma de lançamento em Cherbourg, mas os testes do quinto submarino nuclear francês ainda não terminaram

Bassani
Por Bassani 17/10/2026 às 18:41
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Naval Group, parceira da Marinha do Brasil, retira o quinto submarino nuclear francês do galpão: Rubis S639 chega à plataforma de lançamento e só deve ser entregue após testes
Empresa parceira do PROSUB no Brasil transferiu o novo Rubis S639 para a plataforma de lançamento em Cherbourg, mas os testes do quinto submarino nuclear francês ainda não terminaram

A França colocou o quinto submarino nuclear de ataque da sua nova geração a um passo da água. Mas o movimento de 16 de outubro, em Cherbourg, não foi uma entrega militar. Em 16 de outubro de 2026, a Naval Group retirou o Rubis (S639), quinto submarino nuclear de ataque do programa Barracuda, do galpão onde vinha sendo construído em Cherbourg, na França; a empresa também é parceira do Brasil no PROSUB.

A embarcação foi colocada sobre uma plataforma de lançamento flutuante, da qual seguirá para a etapa de entrada na água. O passo é importante, mas não significa que o submarino tenha sido entregue à Marinha francesa ou que esteja pronto para combate.

O anúncio foi feito pela Naval Group e reproduzido pelo portal especializado Naval News. O deslocamento ocorreu na presença da ministra francesa das Forças Armadas e dos Veteranos, Catherine Vautrin. A próxima sequência compreende serviços de conclusão, inspeções e testes ao lado do cais, seguidos por provas no mar. A expectativa mencionada pelo Naval News é de ensaios iniciais em 2027 e entrega até o fim daquele ano; essas datas são projeções, não entregas já realizadas.

Quinto de seis: o que a França está construindo no programa Barracuda

O Rubis integra a classe Suffren, que está substituindo os seis antigos submarinos nucleares de ataque da classe Rubis incorporados a partir dos anos 1980. A repetição do nome pode confundir: o Rubis S639 recém-transferido é um navio novo, não o veterano que deu nome à geração anterior. A classe moderna terá seis unidades previstas, e o comunicado industrial informa que quatro já haviam sido entregues entre novembro de 2020 e junho de 2026.

O sexto e último submarino, Casabianca (S640), permanece em produção. O projeto reúne a agência francesa de aquisições de defesa, DGA, e a Comissão de Energia Atômica e Energias Alternativas, CEA, responsável pela área de reatores, além da Naval Group e parceiros industriais. Segundo o estaleiro, aproximadamente 3.000 profissionais, dos quais cerca de 800 ligados a subcontratadas, participam do esforço de concepção e fabricação.

Rubis deixa o estaleiro, mas ainda terá que superar uma série de testes antes de entrar em operação

A saída do Rubis S639 do galpão de construção, em 16 de outubro, marcou um avanço importante no programa de submarinos nucleares da França, mas não significa que a embarcação esteja pronta para navegar em missões militares. Com o casco já estruturado e as superfícies de controle em formato de X na popa, o novo submarino da classe Suffren entra em uma fase decisiva de preparação, na qual seus equipamentos e sistemas precisam ser concluídos e submetidos a verificações rigorosas.

Antes de ser entregue à Marinha francesa, o Rubis ainda deverá passar por procedimentos de integração, inspeções de segurança e testes de funcionamento, seguidos das etapas de avaliação e aceitação. Somente após a conclusão dessas fases o submarino poderá ser incorporado à frota francesa. A movimentação realizada em outubro representa, portanto, um avanço industrial importante, e não sua entrada em serviço ativo.

Qual é a ligação com os submarinos do Brasil?

O elo brasileiro é a própria fabricante. A Naval Group participa do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), resultado da cooperação estratégica firmada entre Brasil e França em dezembro de 2008. A Marinha brasileira desenvolve em Itaguaí (RJ) quatro submarinos de propulsão convencional da classe Riachuelo, com participação industrial francesa, e o projeto do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear e armamento convencional, conhecido como Álvaro Alberto.

Submarino brasileiro Riachuelo S40 fotografado em navegação no mar em abril de 2023
Ligação com o Brasil: submarino Riachuelo (S40), da Marinha brasileira, em navegação em 2023. O projeto convencional brasileiro é distinto da classe nuclear Suffren construída na França. Foto: Marinha do Brasil / COGESN — CC BY-SA 2.0. Arquivo original.

Apesar da ligação entre os programas, os projetos não são o mesmo submarino. O francês Rubis pertence à classe nuclear de ataque Suffren; os quatro barcos convencionais brasileiros derivam de um projeto adaptado às necessidades nacionais, e o Álvaro Alberto segue projeto brasileiro. A Marinha esclarece, em documentação oficial atualizada em setembro, que a transferência de tecnologia com a França contempla áreas de projeto e construção de submarinos, mas exclui conhecimentos relativos ao reator e à planta propulsora nuclear.

Segundo o PROSUB, mais de 250 engenheiros e técnicos brasileiros receberam qualificação em Cherbourg desde 2010, em atividades ligadas à construção de submarinos. A conexão com Cherbourg é concreta, mas não significa participação brasileira no projeto do Rubis nem compartilhamento de reatores franceses.

Um nome repetido que também conta uma história de guerra

O nome Rubis já fazia parte da história naval francesa antes da geração de submarinos nucleares. Durante a Segunda Guerra Mundial, um submarino lançador de minas chamado Rubis atuou com as Forças Navais Francesas Livres, operando a partir da Escócia. Segundo o Naval News, realizou 28 patrulhas operacionais e lançou quase 700 minas, associadas a perdas de embarcações do Eixo. É essa memória naval que o futuro S639 homenageia.

Agora, porém, a notícia é industrial e militar: a França avançou na construção de sua quinta unidade nuclear de ataque de uma série de seis, mas a conclusão do Rubis dependerá do resultado das próximas provas. No Brasil, o interesse está no contraste entre um parceiro estrangeiro que já fabrica essa geração de submarinos e o programa brasileiro que busca construir sua própria capacidade de propulsão nuclear.

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