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Fabio Santana, veterano das Malvinas, ficou 15 anos sem cantar após a guerra e agora terá sua voz ouvida no maior estádio da Argentina, na despedida de Messi

Aos 20 anos, ele foi enviado às ilhas como soldado conscrito. Quatro décadas depois, transformou a música em uma forma de manter viva a memória de Malvinas e chegará a uma das noites mais simbólicas de sua vida.

Fabio Santana, veterano das Malvinas, ficou 15 anos sem cantar após a guerra e agora terá sua voz ouvida no maior estádio da Argentina, na despedida de Messi
Fabio Santana, veterano da Guerra das Malvinas, durante apresentação do Hino Nacional. Após o conflito de 1982, ele passou 15 anos sem cantar.

Fabio Santana cantará o Hino Nacional Argentino na despedida de Lionel Messi, nesta terça-feira, diante de um Monumental lotado. Para o veterano, porém, a apresentação carrega uma história que começou muito antes dos grandes estádios.

Santana tinha apenas 20 anos quando foi enviado para a Guerra das Malvinas, em 1982. Depois de voltar ao continente, abandonou algo que fazia desde criança: passou 15 anos sem cantar.

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Soldado de 20 anos foi enviado às Malvinas

Santana serviu como soldado conscrito classe 1962 na Companhia de Engenheiros Mecanizada 10. O próprio Exército Argentino confirma sua participação na campanha das Malvinas e registra que ele integrou essa unidade durante o conflito.

Em entrevistas concedidas ao longo dos anos, o veterano contou que chegou às ilhas em abril de 1982. Sua unidade executava tarefas de engenharia destinadas a dificultar o avanço das forças britânicas.

Santana relatou que participou da instalação de minas antitanque e antipessoal. Antes dos combates, a música ainda fazia parte de sua rotina. Ele cantava desde criança e chegou a cantar para outros soldados durante o serviço militar e nas próprias Malvinas.

A guerra interrompeu essa relação.

“Malvinas foi uma ruptura total na minha vida”, recordou Santana em entrevista à rádio LV12. Depois de retornar, ficou 15 anos sem cantar e só retomou a música aos 35 anos.

Música voltou e virou memória de Malvinas

O retorno não transformou imediatamente Santana em um cantor identificado publicamente com a guerra. Durante algum tempo, ele evitou expor sua condição de ex-combatente.

Isso mudou quando percebeu que poderia usar a música para manter viva a memória das ilhas e dos homens que participaram do conflito. Santana passou a definir essa missão como “cantar para malvinizar”.

Desde então, voltou aos palcos, participou de programas de televisão e interpretou o Hino em eventos esportivos e cerimônias públicas. A voz que permaneceu em silêncio durante 15 anos tornou-se justamente uma das formas que encontrou para falar sobre Malvinas.

A memória da guerra continua presente também fora dos atos oficiais. Recentemente, a RSM mostrou como ex-soldados argentinos caminharam 80 quilômetros em homenagem aos veteranos das Malvinas, em outra mobilização construída em torno da lembrança dos combatentes.

Chiqui Tapia ligou para dar a notícia

A escolha para a despedida de Messi partiu da própria cúpula do futebol argentino.

Santana contou à Cadena 3 que recebeu uma ligação direta do presidente da Associação do Futebol Argentino, Claudio “Chiqui” Tapia.

“Você é o escolhido”, ouviu do dirigente.

Segundo Santana, a confirmação o levou às lágrimas. O veterano também deixou claro que não pretende encarar a apresentação apenas como mais um momento de sua carreira artística.

Ele afirmou que cantará pensando nos homens que estiveram nas ilhas, nos que morreram durante o conflito e nos veteranos que faleceram nas décadas seguintes.

Maior estádio da Argentina receberá despedida

A apresentação ocorrerá no Estádio Monumental, em Buenos Aires, antes da partida entre Argentina e Benin.

O estádio alcançou capacidade para 85.018 espectadores após sua ampliação, segundo dados oficiais do River Plate, tornando-se o maior da Argentina.

Será nesse cenário que Lionel Messi se despedirá da seleção diante da torcida argentina. A partida transformou a noite em um acontecimento que ultrapassa o resultado esportivo e reúne homenagens à trajetória do capitão.

Antes de a bola rolar, porém, os olhos também estarão sobre Fabio Santana.

Aos 20 anos, ele atravessou o Atlântico Sul como soldado. Depois da guerra, passou 15 anos sem cantar. Recuperou a música e passou a usá-la para manter Malvinas presente.

Agora, 44 anos depois do conflito, sua voz será ouvida por dezenas de milhares de pessoas justamente em uma das noites mais marcantes do futebol argentino.

Santana resumiu quem pretende levar simbolicamente consigo quando começar o Hino:

“Não canto sozinho. Canto com os 15 mil que fomos às Malvinas.”

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