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General do Exército que atuou na intervenção federal do Rio assumirá Segurança do RS, defende câmeras corporais para 20 mil policiais militares e enfrenta críticas de grupos da Brigada Militar

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 30/10/2026 às 12:04
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General do Exército que atuou na intervenção federal do Rio assumirá Segurança do RS, defende câmeras corporais para 20 mil policiais militares e enfrenta críticas de grupos da Brigada Militar
General Mauro Sinott, que atuou na intervenção federal do Rio de Janeiro em 2018, defendeu o uso de câmeras corporais na Brigada Militar antes de assumir a Segurança Pública do Rio Grande do Sul.

Mauro Sinott, que trabalhou ao lado de Walter Braga Netto na intervenção federal de 2018, considera as câmeras um avanço na fiscalização policial. A declaração provocou questionamentos sobre as prioridades da futura gestão, enquanto o Ministério Público acompanha a expansão dos equipamentos no estado.

O general da reserva do Exército Brasileiro Mauro Sinott, escolhido para assumir a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, já enfrenta questionamentos antes mesmo de iniciar sua gestão. Com mais de 40 anos de carreira militar e passagem pela intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, em 2018, o oficial defendeu o uso de câmeras corporais na Brigada Militar, corporação que reúne milhares de policiais responsáveis pelo patrulhamento ostensivo do estado.

A declaração foi feita em entrevista ao jornal A Hora do Sul, publicada em 28 de outubro de 2026. Sinott foi anunciado pelo governador eleito Luciano Zucco (PL) e deverá assumir a pasta em janeiro de 2027.

A posição do general repercutiu entre participantes de comunidades virtuais ligadas à Brigada Militar. Parte das críticas questiona se a ampliação da fiscalização dos policiais deveria receber prioridade diante de demandas como recomposição do efetivo, melhorias nas condições de trabalho e respaldo jurídico.

General que participou da intervenção federal no Rio defende maior controle da atuação policial

Mauro Sinott conhece de perto o funcionamento das forças de segurança. Em 2018, foi chefe do Gabinete da Intervenção Federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro, trabalhando diretamente com o general Walter Braga Netto, responsável pela intervenção.

Durante sua carreira, também comandou o Comando Conjunto de Prevenção e Combate ao Terrorismo nos Jogos Olímpicos de 2016 e acumulou experiências nas áreas de operações especiais, inteligência e emprego de tropas.

Agora, ao se preparar para comandar a segurança pública gaúcha, o militar demonstrou apoio à utilização de câmeras individuais durante o policiamento.

Na entrevista ao A Hora do Sul, Sinott classificou a tecnologia como um avanço no controle da atividade policial e defendeu que o trabalho das forças de segurança seja realizado em um ambiente de transparência.

A posição tem um significado particular. O oficial passou décadas comandando militares em atividades nas quais disciplina, cadeia de comando e responsabilidade pelas ações operacionais são elementos centrais.

Na segurança pública, entretanto, terá de lidar com uma realidade diferente: policiais que atuam diariamente nas ruas, frequentemente diante de situações que exigem decisões em poucos segundos.

O próprio general reconheceu essa complexidade ao mencionar aproximadamente 20 mil integrantes da Brigada Militar e defender o aperfeiçoamento permanente da formação profissional.

O número foi apresentado por Sinott durante a entrevista. Um levantamento divulgado pela GZH em setembro de 2026, por sua vez, apontava cerca de 17 mil policiais na ativa, conforme o último censo da corporação.

Declaração sobre câmeras provoca críticas em grupo ligado à Brigada Militar

A manifestação do futuro secretário não foi recebida da mesma maneira por todos os participantes do debate.

Conforme reportagem publicada pelo Montedo, a declaração provocou comentários críticos no grupo Amigos da Brigada Militar, no Facebook.

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O questionamento central não se limita à existência das câmeras, mas à ordem de prioridades que deverá orientar a nova administração.

Entre os problemas mencionados estão a necessidade de recomposição do efetivo, investimentos na estrutura operacional e maior segurança jurídica para os profissionais que atuam no policiamento.

Um dos comentários reproduzidos pela publicação argumenta que apresentar as câmeras como uma das primeiras medidas transmite uma sinalização à corporação sem necessariamente demonstrar prioridade à valorização dos policiais.

As manifestações representam opiniões de participantes da comunidade virtual e não constituem posicionamento oficial da Brigada Militar.

Essa distinção importa porque a resistência expressa nos comentários não significa oposição institucional à tecnologia.

Brigada Militar já utiliza câmeras e Ministério Público cobra ampliação

Embora a discussão tenha ganhado força após as declarações do general, o uso de câmeras corporais não começará do zero no Rio Grande do Sul.

A Brigada Militar iniciou oficialmente a implantação dos equipamentos em setembro de 2024.

Em setembro de 2026, a corporação possuía 1.250 câmeras, distribuídas por unidades de Porto Alegre, Alvorada, Gravataí, Cachoeirinha, Viamão e Glorinha, segundo levantamento publicado pela GZH.

Dados divulgados pela própria corporação após um ano de utilização indicaram reduções nos registros de três tipos de ocorrência:

Tipo de registroVariação informada
Resistência-87%
Desacato-70%
Desobediência-65%

Esses números descrevem a evolução dos registros nas unidades avaliadas, mas, isoladamente, não permitem atribuir toda a redução ao uso dos equipamentos.

A expansão também entrou no radar do Ministério Público do Rio Grande do Sul.

Em maio de 2026, o órgão instaurou um inquérito civil para examinar a possibilidade de tornar obrigatório o uso das câmeras em todas as unidades da Brigada Militar.

O procedimento incluiu pedidos de informações sobre quantidade de equipamentos, custos, planejamento e possibilidade de utilização em unidades especializadas.

A investigação foi noticiada pelo A Hora do Sul e pelo Correio do Povo.

Portanto, Sinott encontrará uma política pública já iniciada e submetida a acompanhamento externo. Sua principal decisão poderá envolver a velocidade e as condições de ampliação do sistema, e não simplesmente sua criação.

Governador eleito já havia defendido transparência, mas com cautela sobre os custos

A posição do general também precisa ser considerada à luz das declarações do governador eleito Luciano Zucco.

Durante a campanha de 2026, Zucco manifestou apoio ao emprego de tecnologia e ao controle da atividade policial, mas ponderou que a ampliação das câmeras deveria considerar custos, resultados e as características do trabalho dos agentes.

A posição foi registrada em reportagem da GZH publicada em 15 de setembro, quando os candidatos ao governo gaúcho foram questionados sobre a expansão dos equipamentos.

Não se trata, portanto, de uma divergência comprovada entre o governador eleito e seu futuro secretário. Ambos demonstraram abertura à tecnologia, embora a definição sobre sua aplicação ainda dependa de decisões administrativas.

Exército, intervenção federal e um novo desafio na segurança do RS

Natural de Pelotas, Mauro Sinott chega ao futuro governo gaúcho com uma trajetória vinculada à coordenação de operações militares e ao trabalho conjunto entre diferentes instituições.

Na entrevista, ele afirmou que pretende aproveitar a experiência adquirida no Rio de Janeiro, especialmente a integração entre Exército, polícias e demais órgãos públicos.

O general terá como secretário-adjunto o coronel Mário Ikeda, atual titular da Segurança Pública estadual.

Entre os desafios apresentados pelo governador eleito estão o enfrentamento ao crime organizado, aos crimes virtuais e à violência contra as mulheres.

Mas a discussão sobre as câmeras já apresenta uma questão administrativa concreta: como ampliar mecanismos de fiscalização policial sem deixar em segundo plano as necessidades operacionais e profissionais da corporação?

A resposta dependerá de medidas práticas. Até o momento, a entrevista de Sinott não estabelece quantidade de novos equipamentos, cronograma de implantação ou orçamento para uma eventual expansão.

O futuro secretário terá de transformar sua posição favorável à transparência em decisões sobre a política de segurança pública gaúcha.

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