Inquérito aberto em fevereiro de 2026 envolve o ex-ministro da Economia e o empresário Fábio Lino, proprietário da OnilX, empresa que enfrenta dezenas de processos de investidores após oferecer rendimentos de até 2,8% ao mês.
A Polícia Federal investiga Paulo Guedes, ex-ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro, e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná desde fevereiro de 2026.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira (29) pela coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles, que teve acesso a documentos da investigação.
O caso envolve a atuação do ex-ministro junto à OnilX, empresa do mercado de criptoativos que enfrenta ações judiciais de investidores com dificuldades para recuperar recursos aplicados.
Paulo Guedes participou de reuniões e palestras da empresa investigada
Em setembro, o Metrópoles revelou que Paulo Guedes havia desempenhado atividades de consultoria para a OnilX, participado de encontros estratégicos e mantido contato com potenciais investidores.
O ex-ministro também apareceu em uma publicação da companhia ao lado de Fábio Lino e executivos da Visa. A reunião foi apresentada pela empresa como de “alta relevância estratégica”, e Guedes foi descrito como alguém responsável por oferecer “suporte e visão” ao empreendimento.
Em outra ocasião, o ex-ministro participou de uma palestra destinada a aproximadamente 500 investidores e assessores, na qual elogiou a empresa e destacou sua participação no desenvolvimento do mercado digital.
A utilização de sua imagem passou a ser mencionada em disputas judiciais envolvendo clientes da companhia.
Casal cobra R$ 876,5 mil após reunião com ex-ministro
Segundo o Metrópoles, um casal que cobra judicialmente R$ 876,5 mil da OnilX relatou ter decidido manter e ampliar seus investimentos depois de participar de uma reunião com Paulo Guedes na sede da empresa, em abril de 2026.
Quatro meses depois, os investidores tentaram recuperar os recursos, mas afirmaram não ter conseguido realizar o resgate.
Em outro processo, uma assessora comercial utilizou o nome do ex-ministro para tentar atrair um investidor.
Conforme mensagem anexada aos autos e divulgada pelo portal, a representante afirmou que Guedes “tá dentro da empresa”. Ela também indicou a possibilidade de organizar uma reunião com o economista para clientes interessados em aplicar entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões.
OnilX acumula 108 ações judiciais e recebeu determinação da CVM
O levantamento realizado pelo Metrópoles identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro de 2026.
Os processos envolvem principalmente reclamações de investidores que alegam dificuldades para resgatar aplicações relacionadas a criptomoedas e stablecoins. Algumas ações também apresentam suspeitas de funcionamento de pirâmide financeira.
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Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão das ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo.
Em abril, o colegiado da autarquia manteve a determinação, mas esclareceu que a restrição não abrangia a simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, quando não existissem promessa de rendimento ou contrato de investimento.
A OnilX nega as acusações e sustenta que suas atividades são regulares.
Investigação tramita sob sigilo na Justiça Federal de Curitiba
O inquérito foi autuado em 10 de fevereiro de 2026 na 9ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná.
O procedimento possui natureza criminal e trata de possíveis infrações previstas na Lei nº 7.492/1986, legislação que define os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
A Polícia Federal conduz a investigação no Paraná, com participação do Ministério Público Federal.
Os registros processuais obtidos pelo Metrópoles apontam movimentações em setembro e outubro, incluindo intimações, despachos judiciais, petições e diligências policiais.
Paulo Guedes é representado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que também aparecem na defesa de Fábio Lino.
A existência do inquérito não significa que os envolvidos tenham sido condenados ou que as suspeitas estejam comprovadas.
Empresa afirma que Paulo Guedes atuou apenas como consultor e prestou depoimento como testemunha
Em manifestação encaminhada ao Metrópoles, a OnilX contestou a interpretação sobre a participação do ex-ministro nos fatos investigados.
Segundo a companhia, Paulo Guedes prestou serviços exclusivamente relacionados à análise macroeconômica, geopolítica e conjuntura econômica brasileira e internacional.
A empresa também afirmou que ele prestou esclarecimentos à Polícia Federal na condição de testemunha, e não de investigado.
A declaração contrasta com a documentação consultada pelo Metrópoles, que, segundo a reportagem, identifica Guedes entre os investigados no inquérito.
A OnilX reafirmou a legalidade de suas atividades, declarou estar colaborando com as autoridades e disse que continua cumprindo seus compromissos de pagamento aos clientes.
Com o processo sob sigilo, a investigação permanece em andamento, sem conclusão pública sobre eventual responsabilidade criminal do ex-ministro ou dos demais envolvidos.