Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Marinha do Brasil e Armada Argentina preparam operação conjunta para proteger cabos submarinos no Atlântico após mobilização brasileira com submarino da classe Riachuelo, helicóptero SH-16 e aeronave P-95

De 9 a 12 de novembro, militares brasileiros e argentinos testarão respostas a interrupções de conexão em estações de Praia Grande e Las Toninas. A operação terá coordenação do CBPC e do Comando Naval de Operações Especiais.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 18/10/2026 às 13:31
Compartilhar
Marinha do Brasil e Armada Argentina preparam operação conjunta para proteger cabos submarinos no Atlântico após mobilização brasileira com submarino da classe Riachuelo, helicóptero SH-16 e aeronave P-95

Marinha do Brasil, Armada Argentina e Força Aérea Brasileira (FAB) vão participar de uma operação binacional para proteger cabos submarinos de telecomunicações, com ações previstas entre 9 e 12 de novembro de 2026. O cenário incluirá uma interrupção simulada de comunicações e atividades em três localidades: Santos, Praia Grande e Las Toninas, na Argentina.

O treinamento mobilizará meios navais brasileiros e argentinos, além de aeronaves de patrulha da FAB. Pela primeira vez nessa série de operações, os participantes terão de trabalhar com estações de aterragem em países diferentes, onde os cabos que percorrem o fundo do oceano chegam às redes terrestres.

O Comitê Brasileiro de Proteção de Cabos Submarinos (CBPC) anunciou a terceira edição da atividade, coordenada em conjunto com o Comando Naval de Operações Especiais (CoNavOpEsp). A mobilização foi anunciada em outubro e ocorrerá em novembro; as interrupções previstas fazem parte do treinamento.

Praia Grande e Las Toninas serão os pontos críticos da operação entre Brasil e Argentina

Em Praia Grande, no litoral paulista, e em Las Toninas, na costa argentina, existem instalações de chegada de sistemas submarinos de fibra óptica. São as chamadas estações de aterragem, que fazem a ligação entre milhares de quilômetros de cabos instalados no fundo do mar e as redes de comunicação que alcançam cidades, empresas e governos.

O roteiro anunciado prevê simular problemas nessas instalações e testar as respostas dos envolvidos. Uma falha pode exigir verificação técnica, identificação do trecho afetado, comunicação entre operadores e apoio das autoridades marítimas responsáveis pela segurança nas proximidades.

O Comando do 8º Distrito Naval, em Santos, também integra a programação. Com os pontos do cenário distribuídos por dois países, brasileiros e argentinos precisarão coordenar dados, procedimentos e decisões para responder à ocorrência simulada.

Las Toninas e Praia Grande fazem parte de corredores importantes para a conectividade sul-americana. Cabos como Tannat e Malbec ajudam a contextualizar essas ligações regionais. Os organizadores ainda não divulgaram os nomes dos sistemas específicos que estarão no cenário de novembro.

O Navio de Socorro Submarino Guillobel (K120), da Marinha do Brasil, acompanhado por embarcações militares durante operação de proteção de cabos submarinos. A imagem é de uma atividade anterior à mobilização binacional prevista para novembro de 2026, que envolverá Praia Grande (SP) e Las Toninas, na Argentina. Foto: Marinha do Brasil/Agência Marinha de Notícias.
O Navio de Socorro Submarino Guillobel (K120), da Marinha do Brasil, acompanhado por embarcações militares durante operação de proteção de cabos submarinos. A imagem é de uma atividade anterior à mobilização binacional prevista para novembro de 2026, que envolverá Praia Grande (SP) e Las Toninas, na Argentina. Foto: Marinha do Brasil/Agência Marinha de Notícias.

Meios navais das duas Marinhas e aeronaves de patrulha da FAB entrarão na mobilização

A participação conjunta da Armada Argentina amplia a escala geográfica do treinamento. Além das instalações em terra, os organizadores planejam empregar meios militares no mar e no ar, simulando a necessidade de proteger locais por onde passam cabos e de acompanhar possíveis ocorrências no ambiente marítimo.

Aeronaves de patrulha podem observar uma área extensa do litoral, enquanto navios permitem realizar verificações mais próximas do local de interesse. A coordenação entre operadores dos cabos e comandos militares é necessária para distinguir uma avaria técnica de um episódio que demande atenção de segurança.

Os modelos dos aviões, os nomes dos navios e a quantidade de militares escalados para novembro ainda aguardam divulgação. Os equipamentos usados nos anos anteriores mostram as capacidades que a Marinha já mobilizou para esse tipo de atividade, sem indicar quais serão empregados no novo treinamento.

Em 2025, foram 385 militares, 23 meios operacionais e 44 técnicos em Fortaleza

Na segunda edição, realizada em Fortaleza, no Ceará, em novembro de 2025, a Marinha reuniu 385 militares, 23 meios operacionais e 44 técnicos de empresas do setor. Os dados foram publicados pela Agência Marinha de Notícias, que descreveu as operações de vigilância, reconhecimento e proteção das instalações.

Entre os equipamentos utilizados estavam o Submarino Humaitá (S41), o Navio de Socorro Submarino Guillobel (K120), um helicóptero SH-16 Seahawk e a aeronave de patrulha P-95 Bandeirulha, da FAB. Parte das ações ocorreu em uma região marítima a aproximadamente 90 quilômetros da costa de Fortaleza.

Os participantes ensaiaram a detecção de atividades suspeitas, a vigilância de áreas de interesse e a atuação de pessoal especializado em terra e no mar. O treinamento também envolveu o acompanhamento das redes de telecomunicações e a articulação com empresas responsáveis pela infraestrutura.

Receba nossas notícias independentemente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora

Entrar no grupo agora

Na edição de 2025, a presença de técnicos privados permitiu que os militares trabalhassem com informações sobre o funcionamento dos sistemas de cabos. A operação de novembro acrescentará o componente internacional, com instalações de duas localidades costeiras conectadas à América do Sul.

O submarino Humaitá (S41) e o Navio de Socorro Submarino Guillobel (K120), da Marinha do Brasil, integraram a mobilização de proteção de cabos submarinos realizada em Fortaleza, em 2025, que reuniu 385 militares, 23 meios operacionais e 44 técnicos especializados. Foto: Marinha do Brasil/Agência Marinha de Notícias.
O submarino Humaitá (S41) e o Navio de Socorro Submarino Guillobel (K120), da Marinha do Brasil, integraram a mobilização de proteção de cabos submarinos realizada em Fortaleza, em 2025, que reuniu 385 militares, 23 meios operacionais e 44 técnicos especializados. Foto: Marinha do Brasil/Agência Marinha de Notícias.

Primeiro treinamento ocorreu no Rio de Janeiro em 2024 e abriu caminho para cooperação internacional

A primeira edição dessa série ocorreu em maio de 2024, na região do Rio de Janeiro. O objetivo foi desenvolver procedimentos de coordenação entre a Marinha e representantes do setor de telecomunicações, diante de incidentes que poderiam comprometer cabos instalados no litoral brasileiro.

Em 2025, o programa cresceu em número de participantes e meios militares. Agora, com a Armada Argentina na programação, o foco inclui como compartilhar informações e organizar uma resposta quando uma mesma situação afeta instalações em territórios diferentes.

A conexão em terra depende de autorizações, equipes e redes de manutenção; no mar, qualquer inspeção precisa considerar profundidade, posição dos cabos e tráfego de embarcações. A operação de novembro foi planejada para testar a comunicação entre essas estruturas antes de uma emergência real.

Mais de 99% do tráfego internacional de dados passa por cabos escondidos no oceano

A União Internacional de Telecomunicações (UIT) divulgou em 10 de julho de 2026 um relatório sobre resiliência de cabos submarinos, informando que mais de 99% do tráfego mundial de dados utiliza essas conexões. A infraestrutura transporta informações financeiras, comunicações governamentais e serviços digitais de milhões de usuários.

Uma avaria grave pode causar congestionamento nas rotas alternativas, aumentar a latência e prejudicar aplicações que dependem de conexões internacionais. Os sistemas normalmente contam com alternativas de tráfego, mas o desvio depende da capacidade das rotas disponíveis e da infraestrutura instalada em cada região.

A UIT também apontou os desafios de reparo, concentração geográfica dos sistemas e dependência de poucas rotas em determinados países. A entidade recomenda ampliar a coordenação entre governos e empresas, identificar riscos e melhorar a preparação para incidentes.

Navio de Socorro Submarino Guillobel (K120) da Marinha do Brasil, com casco vermelho e superestrutura branca, atracado ao cais sob céu azul.
Navio de Socorro Submarino Guillobel (K120), da Marinha do Brasil, em registro anterior à operação binacional de novembro de 2026. O navio participou da edição de proteção de cabos submarinos em 2025. Foto: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Pesca e âncoras respondem por grande parte dos danos investigados pela Marinha

O Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV) participou de um encontro sobre proteção dos cabos realizado entre 23 e 25 de junho de 2026, no Rio de Janeiro. O órgão informou que 85% dos rompimentos citados nas discussões estão associados a falhas humanas, como pesca e fundeio de embarcações.

Durante o evento, foram apresentadas possibilidades de uso de sensores acústicos, veículos de superfície não tripulados e drones subaquáticos na observação de áreas próximas aos cabos. O CASNAV citou também tecnologias que permitem acompanhar informações operacionais reunidas por diferentes sistemas.

O emprego dessas soluções permanece ligado a estudos e à definição dos meios disponíveis. O CBPC e a Marinha ainda deverão detalhar a composição da operação binacional que se aproxima, incluindo as unidades responsáveis pelas ações no mar e no ar.

As atividades programadas para 9 a 12 de novembro permitirão avaliar a articulação entre brasileiros e argentinos diante de uma interrupção simulada de comunicações. Você considera que o Brasil deveria ampliar a vigilância militar das rotas de cabos submarinos? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a reportagem.

guest
0 Comentários