A aeronave F-39E Gripen, identificada como FAB 4109, iniciou os ensaios em voo no interior de São Paulo e será destinada ao Esquadrão Jaguar, em Anápolis. O programa prevê 15 caças produzidos no país e uma cadeia industrial integrada à fabricante sueca Saab.
O Brasil ultrapassou uma etapa decisiva na fabricação nacional de aeronaves militares de combate. O primeiro caça supersônico F-39E Gripen produzido em território brasileiro realizou seu voo inaugural em 6 de outubro de 2026, a partir do complexo industrial da Embraer, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
Identificada pela matrícula FAB 4109, a aeronave é a primeira de 15 unidades previstas para produção no Brasil dentro do contrato de 36 caças firmado com a fabricante sueca Saab. Depois de aproximadamente três anos desde a inauguração da linha nacional, o projeto passou da montagem industrial para uma etapa concreta de validação em voo.
Segundo informações divulgadas pela Saab e pela Embraer, o caça decolou às 10h21, pilotado pelo chefe de pilotos de testes da fabricante sueca, Jakob Högberg. A missão verificou o funcionamento dos sistemas básicos e o desempenho inicial da aeronave.
A decolagem não significa que o avião já esteja pronto para operações militares. Antes de seguir para a Força Aérea Brasileira (FAB), o Gripen precisará concluir os ensaios de aceitação e obter a certificação necessária para sua entrega.
Uma fábrica brasileira passou a integrar a produção mundial do Gripen
A linha de montagem final de Gavião Peixoto, inaugurada em maio de 2023, representa uma mudança importante na relação brasileira com a indústria internacional de defesa.
Até então, o país já possuía experiência consolidada na fabricação de aviões militares, especialmente com os projetos da Embraer. O programa Gripen acrescentou uma capacidade industrial específica: a produção, integração e realização de testes de um caça supersônico de última geração.
Gavião Peixoto abriga a única linha de produção do Gripen fora da Suécia, tornando o Brasil parte da estrutura mundial de fabricação do modelo.
O significado industrial vai além da quantidade de aeronaves contratadas. Produzir um caça moderno exige integrar sistemas eletrônicos, sensores, equipamentos de missão, componentes estruturais e tecnologias desenvolvidas por diferentes fornecedores.
Não se trata, porém, de um caça inteiramente desenvolvido no Brasil. O Gripen é um projeto sueco, produzido nacionalmente mediante uma parceria industrial e transferência de tecnologia. Essa distinção é fundamental para compreender o avanço brasileiro sem confundir montagem e integração locais com domínio integral de todas as tecnologias da aeronave.
O que existe por trás dos 15 caças que serão produzidos no Brasil

O contrato assinado em 2014 prevê 36 aeronaves Gripen, divididas entre 28 unidades monoposto Gripen E e oito unidades biposto Gripen F.
Desse total, 15 unidades terão produção no Brasil, incluindo o FAB 4109. As outras 14 previstas seguirão o modelo industrial estabelecido pela parceria entre Saab e Embraer.
A produção envolve uma cadeia de fornecedores nacionais e internacionais. Entre os participantes brasileiros está a instalação da Saab em São Bernardo do Campo, responsável pela fabricação de aeroestruturas destinadas ao programa.
Outro elemento relevante é a formação de profissionais. Segundo a Saab, mais de 350 engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros receberam capacitação relacionada ao Gripen, parte de um processo de transferência tecnológica que também abrange competências de engenharia, fabricação e operação.
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Esse é um dos pontos centrais do investimento: o valor industrial do programa não está apenas nos caças entregues, mas também nas competências que permanecem no país.
A participação brasileira na cadeia produtiva abre possibilidades para atividades futuras de fabricação, manutenção, atualização tecnológica e cooperação internacional. A expansão dessas atividades, entretanto, dependerá de novos contratos e decisões comerciais.
FAB 4109 ainda precisa concluir os testes antes de chegar a Anápolis
Apresentado oficialmente em 25 de março de 2026, o primeiro Gripen produzido no Brasil passou por verificações em solo antes de iniciar os ensaios em voo.
O voo de 6 de outubro marcou o primeiro teste de aceitação de produção. Engenheiros de voo da Embraer participaram do planejamento e da execução da atividade, com apoio da equipe da Saab.
A próxima etapa envolve a continuidade dos ensaios e a certificação da aeronavegabilidade do caça.
Somente depois desses procedimentos o FAB 4109 estará pronto para ser entregue à Força Aérea Brasileira e transferido para a Base Aérea de Anápolis, em Goiás.
O destino será o 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), conhecido como Esquadrão Jaguar, unidade responsável pela operação do Gripen na FAB.
Conforme os dados divulgados pelas fabricantes em outubro, o esquadrão já contava com dez aeronaves do modelo. A chegada de um caça produzido no Brasil acrescentará uma nova dimensão ao programa: a incorporação operacional de uma aeronave cuja montagem final e os ensaios de produção foram realizados em território nacional.
Brasil ganha capacidade industrial, mas o desafio agora é manter a produção

O Gripen foi escolhido para renovar a aviação de caça brasileira, substituindo gradualmente aeronaves mais antigas e ampliando capacidades de defesa aérea, reconhecimento e ataque.
A chegada do primeiro exemplar fabricado no país demonstra que a parceria ultrapassou a fase de instalação da infraestrutura e capacitação de profissionais. Existe agora uma aeronave produzida no Brasil que efetivamente voou e entrou no processo final de aceitação.
A reportagem publicada pelo portal especializado Zona Militar, em 7 de outubro, destacou justamente essa transformação e a importância do programa para a Base Industrial de Defesa brasileira.
Para a Embraer, a produção local também representa a oportunidade de participar de uma cadeia internacional de aeronaves de combate, segmento em que a fabricante brasileira passa a atuar com novas competências.
O desafio será transformar essa estrutura em capacidade industrial duradoura. Com outras 14 unidades previstas para produção nacional, o país terá de manter equipes especializadas, fornecedores qualificados e processos de fabricação compatíveis com os exigentes padrões de uma aeronave de combate moderna.
Por enquanto, o próximo marco é objetivo: concluir os testes do FAB 4109, certificar a aeronave e entregá-la ao Esquadrão Jaguar.
O primeiro voo já demonstrou que a linha brasileira é capaz de levar um caça supersônico da montagem ao ar. A continuidade do programa mostrará até que ponto essa capacidade poderá sustentar novos projetos e oportunidades para a indústria nacional de defesa.