Uma rainha dentro de um caça supersônico, sem instrutor e com os comandos inteiramente sob sua responsabilidade. Foi essa a cena protagonizada por Suthida, rainha da Tailândia, que pilotou sozinha um Saab JAS 39C Gripen durante 41 minutos. Aos 48 anos, a monarca acumula mais de 1.188 horas de voo em diferentes aeronaves, experiência que ajudou a prepará-la para assumir um avião militar de combate.
O feito ocorreu em 8 de outubro de 2026, na base aérea Wing 7, em Surat Thani, no sul da Tailândia. O rei Maha Vajiralongkorn acompanhou a operação em solo enquanto a esposa decolava em um caça de apenas um assento, sem a presença de outro piloto.
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Segundo informações divulgadas pela Casa Real tailandesa e detalhadas pelo portal especializado AeroTime, o voo marcou a conclusão de uma etapa de treinamento conduzida pela Real Força Aérea da Tailândia.
Rainha passou por 20 sessões em simulador antes de assumir o Gripen

Antes de pilotar o caça sozinha, Suthida passou por uma preparação que incluiu 45 disciplinas teóricas, procedimentos de emergência e 20 sessões de treinamento em simulador.
A monarca também acumulou 10,13 horas de voo no Gripen D, versão de dois assentos utilizada para instrução. Somente depois dessa etapa realizou seu primeiro voo individual no Gripen C.
Sua trajetória na aviação começou em 2010. Desde então, pilotou diferentes aeronaves, incluindo Cessna T-41, Pilatus PC-9, Piper Seneca e Boeing 737.
Ao longo dessa experiência, acumulou 1.188,48 horas de voo. O número corresponde ao total registrado em diferentes modelos, não exclusivamente em caças militares.
No dia da operação, a rainha participou da inspeção pré-voo, realizou os procedimentos de preparação e taxiou até a pista 22. Em seguida, decolou para cumprir o treinamento individual.
Após o pouso, o rei Maha Vajiralongkorn a recebeu com flores e colocou em seu uniforme a insígnia Gripen Order Golden Patch, distinção honorária relacionada ao voo na aeronave sueca.
Por que pilotar um Gripen sozinha exige treinamento especial?
O JAS 39C Gripen, desenvolvido pela fabricante sueca Saab, é um caça supersônico projetado para missões de interceptação, defesa aérea e ataque.
Diferentemente de uma aeronave de instrução básica, o avião reúne sensores militares, sistemas eletrônicos de combate e capacidade de emprego de armamentos.
Além disso, o Gripen C possui apenas um assento. Durante o voo individual, portanto, Suthida precisou operar os sistemas da aeronave e executar os procedimentos previstos sem um instrutor a bordo.
Segundo o relato divulgado pela Casa Real, a monarca tornou-se a primeira mulher tailandesa a pilotar um Gripen, acrescentando um marco à sua trajetória na aviação.
Apesar da repercussão, a atividade teve caráter de treinamento. Não houve participação em combate, emprego de armamentos ou anúncio de incorporação da rainha a uma unidade operacional de caça.
Caça pilotado pela rainha pertence à mesma família do F-39 Gripen da FAB
O episódio também chama atenção no Brasil. A Força Aérea Brasileira (FAB) opera o F-39E Gripen, versão mais moderna da família de caças suecos utilizada pela Tailândia.
Embora compartilhem a mesma origem, o Gripen C tailandês e o Gripen E brasileiro apresentam diferenças em motorização, sensores, sistemas eletrônicos e capacidades operacionais.
O Brasil também participa da produção da aeronave por meio da parceria entre Saab e Embraer. Essa colaboração ganhou importância diante da expansão internacional do Gripen, com mais de 200 aeronaves envolvidas entre contratos, avaliações e negociações.
A coincidência de datas reforça a ligação entre os dois países. Em 6 de outubro, apenas dois dias antes do voo da rainha, o primeiro Gripen E produzido no Brasil realizou sua decolagem inaugural em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
O acontecimento, confirmado oficialmente pela Saab, marcou uma nova etapa da fabricação nacional dos caças destinados à FAB.