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Míssil brasileiro MANSUP atravessa navio a quase 900 km/h sem ogiva, enquanto SIATT revela IA para distinguir alvos e MANSUP-ER de 200 km avança com contratos internacionais

Vídeo revela o MANSUP P3 atravessando o ex-NDCC Garcia D’Ávila a quase 900 km/h sem ogiva. SIATT desenvolve seekers com IA, enquanto o MANSUP-ER leva a família brasileira a 200 km e já entrou em contratos internacionais.

Flavia Marinho
Por Flavia Marinho 05/10/2026 às 10:02
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Míssil brasileiro MANSUP atravessa navio a quase 900 km/h sem ogiva, enquanto SIATT revela IA para distinguir alvos e MANSUP-ER de 200 km avança com contratos internacionais
Míssil Antinavio Nacional de Superfície (MANSUP) durante lançamento pela Fragata Constituição. Crédito: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

Um míssil antinavio brasileiro MANSUP P3 atravessou o casco do ex-NDCC Garcia D’Ávila a quase 900 km/h sem levar ogiva de combate. O impacto ocorreu durante o Missilex/Torpedex de fevereiro de 2024, mas o primeiro vídeo que mostra o disparo atingindo o antigo navio da Marinha só foi revelado agora, mais de dois anos depois.

O projétil levava equipamentos de telemetria no lugar da cabeça de guerra. Mesmo assim, atingiu o casco a cerca de 2,5 metros acima da linha d’água, perfurou a estrutura e deixou chamas provocadas pelo combustível remanescente. A divulgação surge enquanto a SIATT apresenta uma geração de seekers com inteligência artificial para o MANSUP, o MANSUP-ER e outros sistemas de armas.

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O teste de impacto e os novos sensores pertencem ao mesmo programa de evolução tecnológica: o primeiro mostrou o comportamento do míssil contra um alvo naval real; os novos seekers buscam ampliar a capacidade de localizar, classificar e selecionar alvos na fase final do voo.

Vídeo revela agora o MANSUP P3 atravessando o antigo Garcia D’Ávila

O ex-NDCC Garcia D’Ávila foi retirado de serviço e transformado em alvo para o exercício Missilex/Torpedex 2024. A Marinha confirma que o casco foi rebocado entre 18 e 22 de fevereiro daquele ano para a área de tiro.

Segundo a revelação publicada agora, o sexto lançamento da campanha de qualificação do MANSUP atingiu o antigo navio e atravessou seu costado. O míssil estava configurado para coleta de dados, sem ogiva explosiva. A velocidade próxima de 900 km/h foi suficiente para abrir o casco e provocar danos estruturais importantes.

O navio-alvo ainda seria submetido a outros ataques durante o exercício. Helicópteros SH-16 Seahawk empregaram mísseis AGM-119B Penguin Mk2 Mod7, e o submarino Tikuna lançou um torpedo pesado Mk.48 Mod.6 ADCAP contra o casco. O torpedo completou a sequência de tiros reais.

A divulgação de 2026 tornou público o vídeo do impacto e identificou o projétil mostrado nas imagens como um exemplar P3 do MANSUP usado naquele exercício de 2024.

MANSUP de 70 km usa radar ativo para encontrar o alvo na fase terminal

A SIATT descreve o MANSUP como um míssil antinavio superfície-superfície lançado de navios, com alcance oficial de até 70 quilômetros. A arma usa propulsão sólida, navegação inercial e guiagem terminal por radar ativo.

O perfil de voo inclui aproximação em baixa altitude sobre o mar, conhecida como sea skimming. Esse perfil reduz o tempo disponível para detecção e reação enquanto o seeker de radar procura o alvo nos instantes finais.

A empresa brasileira participa diretamente dos sistemas de guiagem, navegação, controle e telemetria do programa, desenvolvido em conjunto com a Marinha. A campanha de qualificação inclui disparos reais para validar funcionamento, precisão e integração antes do emprego operacional pleno.

A versão de alcance estendido, MANSUP-ER, muda a escala do sistema. A EDGE informa alcance de 200 quilômetros, propulsão por turbojato com booster, guiagem inercial e radar ativo na fase terminal. A empresa também associa o modelo a voo adaptativo rente ao mar e capacidade de ataque além do horizonte.

Míssil antinavio MANSUP exposto em visão lateral, com corpo branco, nariz preto e identificação da SIATT.
Míssil Antinavio Nacional de Superfície (MANSUP) exibido na Mostra BID Brasil. Crédito: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

Nova IA foi projetada para distinguir navios e priorizar alvos de maior valor

A SIATT está desenvolvendo novos seekers que incorporam inteligência artificial. Nos mísseis antinavio, a tecnologia foi apresentada com a função de diferenciar tipos de navios dentro de uma formação e auxiliar na escolha dos alvos de maior valor.

O seeker localiza e acompanha o alvo na etapa terminal. Com reconhecimento baseado em IA, o sistema passa a incorporar classificação de objetos ao processo de busca e seleção realizado pelos sensores.

A empresa também desenvolve navegação baseada em comparação de imagens aéreas e de satélite. O sistema utiliza referências do terreno e pode criar ou ajustar pontos de passagem ao longo da missão, ampliando as possibilidades de planejamento de rota.

Os novos seekers permanecem descritos como desenvolvimentos em andamento, enquanto o MANSUP segue em processo de qualificação com seus sistemas de guiagem já conhecidos.

MANSUP-ER leva o projeto brasileiro para 200 km e já entrou em contratos internacionais

Em 2025, EDGE, SIATT e Marinha do Brasil avançaram para uma nova fase de desenvolvimento do MANSUP-ER, incluindo acordos ligados a propriedade intelectual, produção e comercialização.

A EDGE informou um contrato de US$ 300 milhões com as Forças Armadas dos Emirados Árabes Unidos para sistemas da família MANSUP. O grupo também declarou negociações com potenciais clientes na África, Ásia e América Latina.

O MANSUP-ER foi projetado para ampliar o raio de ação da família para cerca de 200 km. A versão também aparece nos planos de integração a novos meios navais, incluindo as fragatas da classe Tamandaré.

Os testes reais, os acordos industriais e os novos sensores deslocaram o programa para uma etapa em que qualificação, produção e integração precisam avançar juntas. O próximo passo depende de transformar capacidades demonstradas em sistemas disponíveis para uso operacional e produção continuada.

Militares trabalham no convés da Fragata Constituição durante preparação de operação com o míssil MANSUP.
Militares durante a preparação de uma operação com o MANSUP na Fragata Constituição. Crédito: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

Impacto sem ogiva expõe a força da energia cinética a quase 900 km/h

O vídeo do Garcia D’Ávila oferece uma imagem direta do comportamento do míssil contra um alvo naval real. Sem cabeça de guerra, o MANSUP atravessou o casco impulsionado pela velocidade do projétil e pela energia liberada no choque.

O combustível remanescente acrescentou chamas ao impacto, enquanto os equipamentos de telemetria registraram dados da missão. Esse tipo de disparo permite avaliar trajetória, guiagem, comportamento terminal e resposta do sistema durante uma campanha de qualificação.

O MANSUP continua ligado ao processo de qualificação da Marinha, a SIATT trabalha nos novos seekers e a EDGE expande a família para mercados externos. Entre o teste de 2024 e as tecnologias reveladas em 2026, o programa passou a reunir impacto real contra alvo naval, alcance estendido e novos recursos de seleção de alvos.

O que pesa mais no futuro do MANSUP: o alcance, a capacidade de seleção de alvos com IA ou a produção em escala? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta matéria com quem acompanha tecnologia militar brasileira.

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