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Argentina precisou de 60 reabastecimentos em voo para trazer apenas seis caças F-16 da Europa, contou com aviões militares dos EUA e ainda realizou escalas no Brasil durante a operação

Para transportar seis F-16 da Dinamarca, a Argentina precisou de 60 reabastecimentos em voo, três aviões-tanque americanos e uma escala em Natal. A operação revelou uma limitação dos Hércules argentinos.

Marcos
Por Marcos 01/11/2026 às 21:11
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Argentina precisou de 60 reabastecimentos em voo para trazer apenas seis caças F-16 da Europa, contou com aviões militares dos EUA e ainda realizou escalas no Brasil durante a operação
Seis caças F-16 argentinos voam em formação com um avião-tanque KC-135 dos Estados Unidos durante o traslado da Europa à Argentina, operação que incluiu escala no Brasil. Fonte: Divulgação/Força Aérea Argentina.

A Argentina precisou de 60 reabastecimentos em voo e do apoio de três aviões-tanque dos Estados Unidos para levar apenas seis caças F-16 usados da Dinamarca até seu território. A operação, concluída em 29 de setembro de 2026, incluiu uma escala na Base Aérea de Natal, no Rio Grande do Norte, antes do pouso na província argentina de Córdoba.

A conta foi divulgada pela própria Força Aérea Argentina: cada um dos seis caças recebeu combustível no ar dez vezes durante a viagem. Ao todo, foram 60 reabastecimentos individuais para completar um percurso superior a 11 mil quilômetros, com paradas na Espanha e no Brasil.

O transporte também revelou uma dificuldade da frota argentina. Os KC-130H Hércules do país conseguem abastecer outras aeronaves, mas utilizam um sistema diferente daquele exigido pelos F-16. Para a travessia, foi necessário recorrer aos KC-135R Stratotanker americanos.

Três KC-135R dos EUA sustentaram a longa travessia dos F-16

O segundo lote deixou a base dinamarquesa de Skrydstrup em 22 de setembro. Seguiu por Zaragoza e pela base de Gando, nas Ilhas Canárias, de onde partiu para a etapa sobre o oceano Atlântico, rumo ao Nordeste brasileiro.

Segundo o comunicado oficial argentino, a formação contou com três Boeing KC-135R da Força Aérea dos EUA, um C-130 Hércules e um Boeing 737 da própria Argentina. O grupo reunia quatro F-16AM monopostos e dois F-16BM bipostos.

Os aviões-tanque carregavam combustível para transferir aos caças em pleno voo. O Boeing 737 e o Hércules argentinos participaram do apoio à viagem, transportando pessoal e recursos necessários ao deslocamento. O KC-130H não executou os abastecimentos dos F-16 na travessia.

O F-16 precisa de uma lança rígida que os Hércules argentinos não possuem

O segredo está na conexão entre as aeronaves. O F-16 recebe combustível por um receptáculo localizado na parte superior da fuselagem. O KC-135R utiliza uma lança telescópica, controlada por um operador na traseira do avião-tanque, para encaixar nesse ponto e iniciar a transferência.

Já os KC-130H argentinos trabalham com mangueira e cesta, usadas por aeronaves equipadas com uma sonda de abastecimento. Os dois sistemas não se conectam diretamente. A diferença impede que a frota atual de Hércules reabasteça os F-16 sem mudanças de equipamento.

Em entrevista ao portal Pucará Defensa, o comandante da Força Aérea Argentina, Gustavo Valverde, também mencionou diferenças de desempenho entre as aeronaves e informou que o país havia solicitado inicialmente dois KC-135 para apoiar sua nova frota de caças.

A Força Aérea americana descreve o reabastecimento com lança rígida como um procedimento coordenado entre o piloto do caça e o operador do avião-tanque. A transferência ocorre enquanto as duas aeronaves mantêm posição e velocidade compatíveis.

F-16 norte-americano recebendo combustível de avião-tanque KC-135 por lança rígida em agosto de 2026
F-16 recebe combustível de um KC-135 por lança rígida. Foto: USAF/Master Sgt. James K. Thomas. Domínio público.

Base Aérea de Natal recebeu os caças antes da chegada à Argentina

Depois de cruzar o Atlântico, os seis F-16 chegaram à Base Aérea de Natal em 28 de setembro. A instalação brasileira serviu como última parada antes de os aviões seguirem até Río Cuarto, na província de Córdoba, onde pousaram no dia seguinte.

O Brasil havia autorizado o ingresso e a escala dos aviões estrangeiros entre 21 de setembro e 1º de outubro. A medida permitiu a operação internacional na base potiguar, que não mantém serviço alfandegário permanente para esse tipo de chegada.

O deslocamento serviu à entrega das aeronaves compradas da Dinamarca, mediante autorização brasileira. Natal já havia recebido o primeiro grupo de F-16 argentinos, em dezembro de 2025.

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Entrega elevou para 12 os caças F-16 recebidos pela Argentina

O segundo lote completou metade do contrato de 24 F-16 adquiridos da Dinamarca em 2024. Com a chegada dos seis aviões em setembro, a Argentina passou a contar com 12 aeronaves entregues no programa de renovação de sua aviação de combate.

F-16 argentino fotografado durante chegada do segundo lote em setembro de 2026 na área de Río Cuarto
Caça F-16 argentino do segundo lote recebido em Río Cuarto em 29 de setembro de 2026, após a passagem por Natal. Fonte: Divulgação/Força Aérea Argentina.

A incorporação exige também treinamento, manutenção, infraestrutura e apoio logístico. O exemplo dos 60 reabastecimentos mostra como o alcance operacional de um caça depende de outros aviões, tripulações e bases disponíveis durante uma missão de longa distância.

A busca por aviões-tanque compatíveis permanece uma das questões da modernização argentina. O apoio americano resolveu a travessia de setembro, enquanto a aquisição de meios próprios de reabastecimento continua importante para ampliar a autonomia da futura frota de F-16.

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