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Brasil prepara complexo de manutenção para seu primeiro submarino nuclear e enfrenta exigências técnicas que vão muito além da construção do navio, incluindo segurança, instalações e controle dos reatores

Projeto em Itaguaí prevê instalações para trocar o combustível do submarino nuclear brasileiro. Documentos detalham docas, conexão com o reator, armazenamento e etapas de engenharia do complexo de manutenção.

Marcos
Por Marcos Atualizado em 01/11/2026 às 21:03·publicado em 01/11/2026
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Brasil prepara complexo de manutenção para seu primeiro submarino nuclear e enfrenta exigências técnicas que vão muito além da construção do navio, incluindo segurança, instalações e controle dos reatores
Vista aérea do Complexo Naval de Itaguaí, que concentra instalações do PROSUB. Foto de arquivo: Marinha do Brasil. CC BY-ND 3.0.

O projeto de apoio ao submarino nuclear brasileiro prevê, em Itaguaí (RJ), uma estrutura equivalente a um prédio de 16 andares, ligada a duas docas secas e equipada com acesso blindado ao reator. Nesse complexo, a Marinha pretende realizar a troca do combustível que alimentará a propulsão do futuro Álvaro Alberto.

O Complexo de Manutenção Especializada (CME), planejado para a Ilha da Madeira, reunirá instalações para intervenções nucleares em terra. A instalação integra o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), que já dispõe de oficinas para os submarinos convencionais e prepara estruturas próprias para o sistema nuclear.

Combustível novo e usado terão áreas distintas em terra

A configuração apresentada no projeto divulgado pela Marinha, em página atualizada em 2019, inclui dois cais de apoio e uma unidade móvel metálica, blindada, para acessar o reator dentro do submarino.

Uma pesquisa publicada em 2024 na Revista da Escola de Guerra Naval, assinada por Yran Leite Maia e Tob Rodrigues de Albuquerque, detalha o caminho do material nuclear. A Unidade Móvel de Confinamento fará a ligação física entre o compartimento do reator e o prédio principal do CME.

O projeto separa o armazenamento dos elementos combustíveis novos daquele destinado aos usados. Os primeiros ficarão em uma área própria; os irradiados serão mantidos em uma piscina de estocagem. O complexo também deverá apoiar a gestão de rejeitos radioativos e o descomissionamento, etapa final da vida operacional do submarino.

Projetos dos cais e do prédio principal avançaram em etapas

O monitoramento oficial do PPA, referente a 2025, registra a conclusão de projetos civis e eletromecânicos dos cais, com pendência de planilhas orçamentárias. Também informa que o projeto conceitual da Fase 3, relativa ao prédio principal e às instalações de apoio, foi concluído em outubro daquele ano.

Para 2026, o documento definiu como prioridades a contratação de estudos de engenharia dos sistemas eletromecânicos da Fase 2. Essa etapa reúne os diques, as centrais de utilidades e as subestações elétricas, responsáveis por sustentar o funcionamento das instalações.

Outra meta registrada foi terminar o projeto das obras complementares da Fase 1, associada aos cais 1, 14 e 15. Na posição descrita pelo relatório, estava em negociação um aditivo contratual para iniciar o projeto básico da Fase 2.

O avanço relatado envolve desenhos, estudos e preparação contratual. A entrada em serviço do CME exige que essas etapas sejam seguidas pela implantação e pelo licenciamento das instalações destinadas às atividades nucleares.

Elevador de 8 mil toneladas tira submarinos da água

Para mover submarinos entre o mar e os estaleiros, Itaguaí dispõe de um elevador de navios com plataforma de 110 metros por 20 metros. O equipamento, chamado shiplift, suporta até 8 mil toneladas e eleva as embarcações ao nível do cais.

Um túnel de 703 metros conecta as áreas norte e sul da base, permitindo o transporte de seções dos submarinos para a montagem final.

Oficinas já atendem sistemas dos submarinos convencionais

Parte da manutenção naval já ganhou instalações próprias. Em maio de 2023, a Marinha entregou ao setor industrial estruturas do Estaleiro de Manutenção, incluindo o cais 11, o pátio de manobras e a oficina de apoio. A infraestrutura começou a ser erguida em 2017.

Militares e civis visitam oficinas do Estaleiro de Manutenção em Itaguaí na entrega das instalações em maio de 2023
Visita às oficinas do Estaleiro de Manutenção em Itaguaí, durante a entrega de maio de 2023. Foto: Marinha do Brasil. CC BY-ND 3.0.

As oficinas foram preparadas para inspecionar, testar e reparar equipamentos dos submarinos convencionais da classe Riachuelo e componentes não nucleares do futuro Álvaro Alberto. Entre os recursos estão centros de usinagem, bancadas de teste de válvulas e equipamentos para manutenção de motores elétricos e compressores de alta pressão.

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A Marinha também descreve instalações protegidas para ensaios por raios X e gamagrafia, usados na inspeção de materiais. Esse trabalho de oficina atenderá uma parcela dos sistemas do submarino; as intervenções ligadas ao combustível e ao reator exigirão a estrutura especializada do CME.

Estudos de encostas integram a segurança nuclear

A preparação do terreno alcançou as discussões com a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). Em reunião realizada em 30 de junho de 2026, representantes da Marinha e empresas contratadas apresentaram estudos sobre cortes e contenções nas encostas próximas ao complexo.

Segundo o comunicado da autoridade nuclear, o objetivo é impedir que um eventual colapso do terreno atinja as instalações nucleares. A ANSN confirmou que a troca de combustível do submarino fará parte das atividades previstas para o CME.

Treinamento e abastecimento ampliaram a estrutura da base

Em outra frente do complexo naval, a Marinha entregou, em 18 de março de 2026, um prédio do Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché. A construção tem 4.206 metros quadrados, com salas de aula e laboratórios de informática e eletrônica para a formação de militares.

Também foi entregue um sistema de abastecimento com dois tanques de 700 mil litros de óleo combustível marítimo cada. A estrutura atende embarcações que utilizam esse combustível e conta com bombas e redes interligadas aos cais, ampliando o apoio aos meios que atracam em Itaguaí.

Tanques brancos de óleo combustível marítimo e tubulações do sistema de abastecimento da Base de Submarinos da Ilha da Madeira
Tanques de óleo combustível marítimo da BSIM, entregues em março de 2026. Foto: Suboficial Ronaldo/Marinha do Brasil. CC BY-ND 3.0.

Para o Álvaro Alberto, a infraestrutura em terra terá de acompanhar toda a vida do navio. Além de construí-lo, o programa precisa reunir capacidade para receber o combustível, executar intervenções no reator e armazenar o material retirado. Essas operações estão entre as funções previstas para o CME.

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