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Exército brasileiro planeja adquirir centenas de blindados sobre rodas e lagartas, incluindo veículos com canhões de grande calibre, enquanto bilhões de reais são destinados à modernização militar

O Exército planejou 442 blindados no PPA até 2027, mas relatório oficial mostra 123 entregas em 2024 e 2025 e falta de R$ 734 milhões. Entenda os cortes, os contratos do Centauro II e a verba disponível em 2026.

Marcos
Por Marcos 01/11/2026 às 20:31
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Exército brasileiro planeja adquirir centenas de blindados sobre rodas e lagartas, incluindo veículos com canhões de grande calibre, enquanto bilhões de reais são destinados à modernização militar
Blindados sobre lagartas do Exército Brasileiro durante deslocamento em estrada de terra. Foto: Exército Brasileiro.

O Exército Brasileiro mantém um plano para adquirir e modernizar 442 blindados no período do Plano Plurianual (PPA) de 2024 a 2027. A renovação faz parte de um programa militar cujo custo total previsto chega a R$ 30,5 bilhões até 2040. Mas os números oficiais revelam uma dificuldade: em 2025, faltaram R$ 734 milhões para atender às necessidades orçamentárias do projeto, obrigando a renegociar contratos e alterar prazos de entrega.

O monitoramento oficial do PPA, com dados até 31 de dezembro de 2025, contabilizou 123 viaturas entregues nos dois primeiros anos. Enquanto o Exército amplia sua frota com veículos modernos, restrições financeiras e dificuldades com fornecedores já aparecem no calendário de entregas.

Entre os equipamentos envolvidos estão o Guarani 6×6, o Centauro II 8×8, o Guaicurus 4×4 e o Cascavel modernizado. A troca de veículos antigos por blindados com proteção, sensores e armamentos mais recentes depende de contratos sucessivos, produção industrial e recursos liberados ao longo de vários anos.

Exército contabilizou 123 blindados em dois anos e ficou abaixo das metas

O relatório do Ministério da Defesa registra 60 viaturas Guarani em 2024, diante de uma meta de 105 unidades. Em 2025, foram contabilizadas 63 viaturas: 60 Guarani, um Cascavel modernizado e dois Centauro II 8×8. A previsão para aquele ano era de 67 veículos.

A diferença de quatro unidades em 2025 esteve ligada principalmente ao atraso de quatro Cascavel modernizados, provocado por problemas técnicos de entrega do fornecedor. O documento classifica a insuficiência orçamentária como obstáculo ao cumprimento da programação e indica a necessidade de revisar metas.

Viaturas militares Centauro II 8x8 camufladas em campo com soldados brasileiros em posição de proteção
Blindados Centauro II do Exército Brasileiro durante atividade de campo. Foto: CCOMSEx / Exército Brasileiro, via Agência Gov.

O mesmo acompanhamento ainda identifica o projeto como a aquisição e o desenvolvimento de 442 blindados sobre rodas e lagartas. Entretanto, as metas anuais ali apresentadas são de 105 viaturas em 2024, 67 em 2025, 74 em 2026 e 118 em 2027. A soma dessas previsões chega a 364 veículos, uma diferença que mostra como os cronogramas publicados foram redimensionados ao longo da execução.

Falta de R$ 734 milhões levou o Exército a renegociar contratos

Para 2025, a necessidade financeira estimada pelo programa era de R$ 1,186 bilhão. A dotação indicada no monitoramento chegou a aproximadamente R$ 452 milhões. O resultado foi uma insuficiência de recursos de R$ 734 milhões, registrada pelo próprio Ministério da Defesa.

Com a combinação de cortes, bloqueios e limitações de orçamento, o Exército adotou medidas para manter parte das aquisições. O relatório cita renegociação de contratos vigentes, mudança nos cronogramas de recebimento, adiamento de novas contratações para o exercício seguinte e solicitações de créditos adicionais.

Essas alterações atingem uma cadeia de produção que reúne veículos nacionais, fornecedores estrangeiros, armamentos, componentes eletrônicos e manutenção. Para uma força que precisa substituir equipamentos antigos e preparar novas unidades mecanizadas, cada mudança no fluxo de pagamentos interfere nas etapas seguintes de contratação e incorporação.

Orçamento chega a R$ 917 milhões em 2026, mas pagamentos avançam em etapas

Os dados oficiais mais recentes de execução consultados, referentes a agosto de 2026, mostram dotação atualizada de R$ 917,05 milhões para a ação orçamentária 14T4, responsável pela implantação do Projeto Forças Blindadas. O valor é superior aos R$ 452,95 milhões registrados na mesma base para 2025.

Na execução orçamentária federal, o Exército aparece com R$ 487,2 milhões empenhados até agosto, enquanto as despesas liquidadas somavam R$ 148,98 milhões e os pagamentos alcançavam aproximadamente R$ 148,96 milhões.

O empenho reserva recursos para obrigações assumidas, enquanto a liquidação ocorre após a verificação da entrega de bens ou serviços previstos. Por isso, os valores financeiros de agosto apresentam o estágio de execução do orçamento, e não uma contagem de novos blindados recebidos em 2026.

Programa de R$ 30,5 bilhões está previsto para continuar até 2040

O anexo de investimentos plurianuais do Ministério do Planejamento atribui à implantação do Projeto Forças Blindadas um custo total previsto de R$ 30.585.160.000, com período de execução entre 2012 e 2040. O montante corresponde ao programa completo, distribuído por décadas, e não a uma compra única de 442 veículos.

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No documento de planejamento, a previsão original para os quatro anos de 2024 a 2027 era de R$ 3,42 bilhões. O contraste entre essa programação de longo prazo e os recursos efetivamente disponíveis em 2025 ajuda a entender as renegociações e mudanças de calendário registradas pelo Exército.

Em um balanço divulgado pelo Exército em maio de 2026, a Força apresentou a meta de incorporar mais de 2.100 meios blindados até 2040. Segundo o comunicado, mais de 820 veículos já haviam sido adquiridos ou contratados até o fim de 2025. Esse total reúne compras e compromissos firmados em diferentes etapas do programa, enquanto o indicador do PPA acompanha entregas realizadas em cada exercício.

Centauro II tem primeiro lote de sete blindados e canhão de 120 mm

Mesmo diante das restrições, o Exército avançou em uma das compras mais importantes da Cavalaria. Em 31 de agosto de 2026, foi assinado o contrato para o primeiro lote de produção do Centauro II 8×8, com sete veículos destinados à etapa inicial de incorporação e experimentação doutrinária.

Representantes do Exército Brasileiro e do consórcio italiano durante a assinatura do contrato das viaturas Centauro II em Brasília
Assinatura do contrato do blindado Centauro II entre o Exército Brasileiro e o consórcio IDV–Oto Melara. O acordo foi formalizado pelo general de Exército Maurílio Miranda Netto Ribeiro, comandante logístico do Exército, e por Giovanni Luisi, vice-presidente sênior de Marketing e Vendas do consórcio italiano, ligado ao grupo Leonardo. Foto: CCOMSEx / Exército Brasileiro, via Agência Gov.

O projeto prevê 98 unidades no total, consideradas as duas viaturas usadas na avaliação e outras 96 planejadas para aquisições posteriores. De acordo com o comunicado oficial do Exército, o blindado possui canhão de 120 mm, pode atingir alvos a até 5 quilômetros, alcança 105 km/h e tem autonomia de aproximadamente 800 quilômetros.

A aquisição inclui previsão de transferência de tecnologia e montagem parcial no Brasil. O Centauro II será empregado na renovação da Cavalaria mecanizada, substituindo progressivamente veículos Cascavel em determinadas funções. A assinatura do contrato representa uma etapa de compra; o recebimento das sete viaturas seguirá o cronograma estabelecido com o fabricante.

Guarani e Guaicurus ampliam a frota enquanto Cascavel e Leopard recebem atenção

O Guarani 6×6 permanece como o principal blindado de transporte de pessoal do programa. Com cerca de 18 toneladas, velocidade máxima de 110 km/h e autonomia próxima de 600 quilômetros, o veículo já conta com mais de 700 unidades em operação, segundo informações divulgadas pelo Exército em maio de 2026.

Blindado Guarani 6x6 do Exército Brasileiro em campo gramado ao entardecer, equipado com torre de armamento
Blindado Guarani 6×6, plataforma de transporte e combate do Programa Forças Blindadas. Foto de divulgação: Exército Brasileiro / CCOMSEx.

Outra frente envolve o Guaicurus 4×4, viatura de aproximadamente oito toneladas empregada em missões que exigem mobilidade e proteção. A Força informou possuir 32 unidades e planejar a aquisição de mais de 420 até 2033. Paralelamente, seguem projetos de modernização do Cascavel e de revitalização do Leopard 1A5, blindado sobre lagartas equipado com canhão de 105 mm.

O resultado esperado é uma frota com diferentes funções: transportar militares, apoiar operações mecanizadas, combater veículos inimigos e manter parte dos equipamentos existentes em condições de uso. Cada modelo exige treinamento próprio, peças, oficinas e sistemas de apoio, despesas que acompanham os contratos de aquisição.

Próximas metas exigem entregas em 2026 e 2027 após atrasos registrados

O monitoramento federal estabelece metas de 74 viaturas em 2026 e 118 em 2027, mas os resultados físicos consolidados disponíveis na fonte consultada ainda se referem ao encerramento de 2025. A conclusão das próximas entregas dependerá da execução orçamentária, da produção dos fornecedores e do cumprimento dos novos cronogramas.

Entre o custo de R$ 30,5 bilhões até 2040, os contratos dos Centauro II, a produção de Guarani e a renovação dos veículos antigos, o Exército precisa transformar previsões de papel em blindados prontos para as tropas. Os R$ 734 milhões que faltaram em 2025 deixaram registrado o efeito imediato de um orçamento menor sobre esse calendário.

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