O Exército Brasileiro mantém um plano para adquirir e modernizar 442 blindados no período do Plano Plurianual (PPA) de 2024 a 2027. A renovação faz parte de um programa militar cujo custo total previsto chega a R$ 30,5 bilhões até 2040. Mas os números oficiais revelam uma dificuldade: em 2025, faltaram R$ 734 milhões para atender às necessidades orçamentárias do projeto, obrigando a renegociar contratos e alterar prazos de entrega.
O monitoramento oficial do PPA, com dados até 31 de dezembro de 2025, contabilizou 123 viaturas entregues nos dois primeiros anos. Enquanto o Exército amplia sua frota com veículos modernos, restrições financeiras e dificuldades com fornecedores já aparecem no calendário de entregas.
Entre os equipamentos envolvidos estão o Guarani 6×6, o Centauro II 8×8, o Guaicurus 4×4 e o Cascavel modernizado. A troca de veículos antigos por blindados com proteção, sensores e armamentos mais recentes depende de contratos sucessivos, produção industrial e recursos liberados ao longo de vários anos.
Exército contabilizou 123 blindados em dois anos e ficou abaixo das metas
O relatório do Ministério da Defesa registra 60 viaturas Guarani em 2024, diante de uma meta de 105 unidades. Em 2025, foram contabilizadas 63 viaturas: 60 Guarani, um Cascavel modernizado e dois Centauro II 8×8. A previsão para aquele ano era de 67 veículos.
A diferença de quatro unidades em 2025 esteve ligada principalmente ao atraso de quatro Cascavel modernizados, provocado por problemas técnicos de entrega do fornecedor. O documento classifica a insuficiência orçamentária como obstáculo ao cumprimento da programação e indica a necessidade de revisar metas.

O mesmo acompanhamento ainda identifica o projeto como a aquisição e o desenvolvimento de 442 blindados sobre rodas e lagartas. Entretanto, as metas anuais ali apresentadas são de 105 viaturas em 2024, 67 em 2025, 74 em 2026 e 118 em 2027. A soma dessas previsões chega a 364 veículos, uma diferença que mostra como os cronogramas publicados foram redimensionados ao longo da execução.
Falta de R$ 734 milhões levou o Exército a renegociar contratos
Para 2025, a necessidade financeira estimada pelo programa era de R$ 1,186 bilhão. A dotação indicada no monitoramento chegou a aproximadamente R$ 452 milhões. O resultado foi uma insuficiência de recursos de R$ 734 milhões, registrada pelo próprio Ministério da Defesa.
Com a combinação de cortes, bloqueios e limitações de orçamento, o Exército adotou medidas para manter parte das aquisições. O relatório cita renegociação de contratos vigentes, mudança nos cronogramas de recebimento, adiamento de novas contratações para o exercício seguinte e solicitações de créditos adicionais.
Essas alterações atingem uma cadeia de produção que reúne veículos nacionais, fornecedores estrangeiros, armamentos, componentes eletrônicos e manutenção. Para uma força que precisa substituir equipamentos antigos e preparar novas unidades mecanizadas, cada mudança no fluxo de pagamentos interfere nas etapas seguintes de contratação e incorporação.
Orçamento chega a R$ 917 milhões em 2026, mas pagamentos avançam em etapas
Os dados oficiais mais recentes de execução consultados, referentes a agosto de 2026, mostram dotação atualizada de R$ 917,05 milhões para a ação orçamentária 14T4, responsável pela implantação do Projeto Forças Blindadas. O valor é superior aos R$ 452,95 milhões registrados na mesma base para 2025.
Na execução orçamentária federal, o Exército aparece com R$ 487,2 milhões empenhados até agosto, enquanto as despesas liquidadas somavam R$ 148,98 milhões e os pagamentos alcançavam aproximadamente R$ 148,96 milhões.
O empenho reserva recursos para obrigações assumidas, enquanto a liquidação ocorre após a verificação da entrega de bens ou serviços previstos. Por isso, os valores financeiros de agosto apresentam o estágio de execução do orçamento, e não uma contagem de novos blindados recebidos em 2026.
Programa de R$ 30,5 bilhões está previsto para continuar até 2040
O anexo de investimentos plurianuais do Ministério do Planejamento atribui à implantação do Projeto Forças Blindadas um custo total previsto de R$ 30.585.160.000, com período de execução entre 2012 e 2040. O montante corresponde ao programa completo, distribuído por décadas, e não a uma compra única de 442 veículos.
Receba nossas notícias independentemente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora
No documento de planejamento, a previsão original para os quatro anos de 2024 a 2027 era de R$ 3,42 bilhões. O contraste entre essa programação de longo prazo e os recursos efetivamente disponíveis em 2025 ajuda a entender as renegociações e mudanças de calendário registradas pelo Exército.
Em um balanço divulgado pelo Exército em maio de 2026, a Força apresentou a meta de incorporar mais de 2.100 meios blindados até 2040. Segundo o comunicado, mais de 820 veículos já haviam sido adquiridos ou contratados até o fim de 2025. Esse total reúne compras e compromissos firmados em diferentes etapas do programa, enquanto o indicador do PPA acompanha entregas realizadas em cada exercício.
Centauro II tem primeiro lote de sete blindados e canhão de 120 mm
Mesmo diante das restrições, o Exército avançou em uma das compras mais importantes da Cavalaria. Em 31 de agosto de 2026, foi assinado o contrato para o primeiro lote de produção do Centauro II 8×8, com sete veículos destinados à etapa inicial de incorporação e experimentação doutrinária.

O projeto prevê 98 unidades no total, consideradas as duas viaturas usadas na avaliação e outras 96 planejadas para aquisições posteriores. De acordo com o comunicado oficial do Exército, o blindado possui canhão de 120 mm, pode atingir alvos a até 5 quilômetros, alcança 105 km/h e tem autonomia de aproximadamente 800 quilômetros.
A aquisição inclui previsão de transferência de tecnologia e montagem parcial no Brasil. O Centauro II será empregado na renovação da Cavalaria mecanizada, substituindo progressivamente veículos Cascavel em determinadas funções. A assinatura do contrato representa uma etapa de compra; o recebimento das sete viaturas seguirá o cronograma estabelecido com o fabricante.
Guarani e Guaicurus ampliam a frota enquanto Cascavel e Leopard recebem atenção
O Guarani 6×6 permanece como o principal blindado de transporte de pessoal do programa. Com cerca de 18 toneladas, velocidade máxima de 110 km/h e autonomia próxima de 600 quilômetros, o veículo já conta com mais de 700 unidades em operação, segundo informações divulgadas pelo Exército em maio de 2026.

Outra frente envolve o Guaicurus 4×4, viatura de aproximadamente oito toneladas empregada em missões que exigem mobilidade e proteção. A Força informou possuir 32 unidades e planejar a aquisição de mais de 420 até 2033. Paralelamente, seguem projetos de modernização do Cascavel e de revitalização do Leopard 1A5, blindado sobre lagartas equipado com canhão de 105 mm.
O resultado esperado é uma frota com diferentes funções: transportar militares, apoiar operações mecanizadas, combater veículos inimigos e manter parte dos equipamentos existentes em condições de uso. Cada modelo exige treinamento próprio, peças, oficinas e sistemas de apoio, despesas que acompanham os contratos de aquisição.
Próximas metas exigem entregas em 2026 e 2027 após atrasos registrados
O monitoramento federal estabelece metas de 74 viaturas em 2026 e 118 em 2027, mas os resultados físicos consolidados disponíveis na fonte consultada ainda se referem ao encerramento de 2025. A conclusão das próximas entregas dependerá da execução orçamentária, da produção dos fornecedores e do cumprimento dos novos cronogramas.
Entre o custo de R$ 30,5 bilhões até 2040, os contratos dos Centauro II, a produção de Guarani e a renovação dos veículos antigos, o Exército precisa transformar previsões de papel em blindados prontos para as tropas. Os R$ 734 milhões que faltaram em 2025 deixaram registrado o efeito imediato de um orçamento menor sobre esse calendário.