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Argentina precisou construir uma rampa especial e mobilizar trens para levar tanques e blindados 8×8 ao Brasil, antes de cruzar uma ponte internacional com equipamentos militares pesados

Tanques TAM 2C-A2 e blindados Stryker viajaram de trem até a fronteira do Brasil, passaram por uma rampa especial e atravessaram rios com portadas flutuantes operadas pela Engenharia do Exército Brasileiro no Arandu 2026.

Marcos
Por Marcos 01/11/2026 às 23:52
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Argentina precisou construir uma rampa especial e mobilizar trens para levar tanques e blindados 8×8 ao Brasil, antes de cruzar uma ponte internacional com equipamentos militares pesados
Trem transporta viaturas e equipamentos militares do Exército Argentino durante deslocamento ferroviário para o Brasil, no âmbito da operação Arandu 2026. Foto: Divulgação.

O Exército Argentino precisou transportar tanques por trem, construir uma rampa de desembarque na fronteira e cruzar uma ponte internacional para colocar seus blindados em território brasileiro. Mas, já no Rio Grande do Sul, surgiu outra etapa impressionante da mobilização: veículos TAM 2C-A2 e Stryker 8×8 foram transportados sobre estruturas flutuantes operadas pela Engenharia do Exército Brasileiro.

O deslocamento envolveu dois tipos muito diferentes de travessia. Na fronteira, os militares argentinos usaram a ponte rodoviária que liga Paso de los Libres a Uruguaiana. Depois, nas atividades militares realizadas em outubro, unidades brasileiras empregaram portadas do sistema Improved Ribbon Bridge (IRB), uma solução que pode funcionar como balsa militar ou ponte flutuante para transportar blindados através de rios.

De Zárate ao Brasil, tanques viajaram de trem e precisaram de uma rampa especial

A primeira etapa da viagem começou em meados de setembro. De acordo com o balanço oficial argentino, tanques TAM 2C-A2, blindados Stryker 8×8 e caminhões táticos Oshkosh foram embarcados em composições ferroviárias na estação de Zárate, na província de Buenos Aires.

Os trens seguiram até Paso de los Libres, na província de Corrientes, diante da cidade brasileira de Uruguaiana. Ali, o Batalhão de Engenheiros de Monte 12 construiu uma rampa especial para retirar o material pesado dos vagões e permitir a continuidade do deslocamento por terra.

Tanques TAM 2C-A2 do Exército Argentino em terreno de instrução durante Arandu 2026 no Rio Grande do Sul
Tanques TAM 2C-A2 do Exército Argentino durante o Arandu 2026, no Rio Grande do Sul. Foto: Divulgação/Exército Argentino.

Em 10 de outubro de 2026, os equipamentos atravessaram a ponte internacional Agustín P. Justo-Getúlio Vargas. A entrada foi coordenada com a empresa ferroviária Trenes Argentinos e autoridades dos dois países. A história da rampa marcou o início da missão, mas não foi a única ocasião em que engenheiros militares precisaram encontrar uma passagem para os blindados.

Militares brasileiros montaram portadas para levar blindados sobre a água

Durante as atividades do Arandu 2026, a Engenharia do Exército Brasileiro realizou travessias de cursos d’água com portadas e com o sistema IRB. O 3º Batalhão de Engenharia de Combate, de Cachoeira do Sul (RS), informou que operou estruturas flutuantes capazes de transportar viaturas e blindados, inclusive em condições diferentes de luminosidade.

Blindado 8x8 empregado nas atividades militares de Arandu 2026 no Rio Grande do Sul
Viatura blindada sobre rodas registrada durante o Arandu 2026 no Rio Grande do Sul. Foto: Divulgação/Exército Argentino.

O trabalho integrou as ações do 4º Grupamento de Engenharia, com militares do 3º, 5º, 6º e 12º batalhões de Engenharia de Combate. Em vídeo divulgado pelo PortalR3, a movimentação é identificada como o transporte de TAM e Stryker com o sistema IRB durante a operação.

https://www.youtube.com/watch?v=Npui3ppd7iA

Uma portada reúne módulos flutuantes e funciona como uma plataforma de transporte. Em vez de precisar de uma ponte fixa em toda a largura do rio, os veículos sobem na estrutura, que é deslocada sobre a água até alcançar a outra margem. O equipamento também permite montar uma ponte flutuante contínua, dependendo do terreno, das condições da água e da missão.

Sistema de origem estrangeira pode transportar carros de combate pesados

A fabricante General Dynamics European Land Systems informa que o IRB pode operar como balsa de vários módulos ou ponte flutuante. A classificação de carga divulgada pela empresa é MLC 80 para veículos sobre lagartas e MLC 96 para veículos sobre rodas, parâmetros militares usados para avaliar a passagem de diferentes equipamentos.

Esses números são classificações de carga militar, e não uma medida direta, em toneladas, de cada blindado transportado durante o Arandu. Na operação, a versatilidade do IRB permitiu à Engenharia praticar o movimento de viaturas de combate em um obstáculo natural que interromperia a progressão por terra.

O Brasil firmou contrato para adquirir o sistema em 2018. O acordo incluiu pontes modulares, caminhões de transporte, suportes adaptadores e embarcação de apoio. Em dezembro de 2024, o 3º Batalhão recebeu dois módulos adicionais, ampliando os recursos disponíveis para operações militares e de apoio à população.

Sistema de portada flutuante Improved Ribbon Bridge do Exército Brasileiro em foto de arquivo de 2024
Sistema de portada flutuante IRB empregado pela Engenharia do Exército Brasileiro. Imagem de arquivo de 2024. Foto: Divulgação/Comando Militar do Sul, via Tecnologia & Defesa.

Brasil autorizou 350 militares argentinos e equipamentos de combate no território nacional

Antes da entrada dos blindados, o governo federal publicou o Decreto nº 13.132, de 6 de outubro. O texto autorizou a permanência temporária de 350 militares argentinos, além de aeronaves, veículos, armas, munições, sensores e sistemas de comunicação, entre 10 e 17 de outubro.

As atividades no Rio Grande do Sul reuniram, no total, cerca de 2,8 mil militares brasileiros e argentinos e mais de 600 viaturas, segundo o balanço da operação divulgado à imprensa. Pelo lado brasileiro participaram Leopard 1A5 BR, Guarani, Centauro II e o sistema de foguetes Astros. Os argentinos empregaram os TAM 2C-A2 e Stryker 8×8, além de outras viaturas.

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As equipes realizaram operações com forças especiais, paraquedistas, helicópteros, tiro de artilharia e transposição de obstáculos aquáticos. O deslocamento ferroviário até a fronteira e as travessias sobre portadas mostram duas tarefas diferentes da mesma mobilização, executadas por unidades de Engenharia de países distintos.

Do trem à ponte flutuante, engenharia garantiu a mobilidade dos veículos

A fase de campo ocorreu entre 13 e 17 de outubro, na região de Santa Maria e Faxinal do Soturno, com atividades também em áreas militares do Rio Grande do Sul. Ao final, os Exércitos registraram o uso de unidades combinadas para praticar deslocamentos, transposição de cursos d’água, tiro e coordenação de forças.

O episódio deixa uma dimensão concreta do transporte de blindados entre países: além dos tanques e de suas armas, foi necessário empregar ferrovia, uma rampa de descarregamento, uma ponte de fronteira e equipamentos flutuantes brasileiros para realizar as diferentes fases previstas da missão. O Arandu 2026 já terminou, mas as imagens das travessias registram uma capacidade militar empregada no território brasileiro.

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