Drones tornaram os soldados de infantaria obsoletos na guerra da Ucrânia?
A resposta curta é não. Mas a guerra na Ucrânia está mostrando que a infantaria já não pode operar como antes. Drones transformaram o campo de batalha, e a guerra em si. Esses artefatos tornaram a exposição de tropas extremamente perigosa e obrigaram os exércitos a repensar o que significa controlar e manter um território.

A guerra na Ucrânia talvez seja o maior laboratório militar do mundo para entender como os drones estão mudando os conflitos modernos. Pequenos aparelhos comerciais adaptados para reconhecimento e ataque, drones FPV baratos e sistemas de maior alcance passaram a fazer parte da rotina de praticamente todas as unidades no front.
Isso levantou uma pergunta incômoda: se qualquer soldado em uma guerra pode ser localizado e atacado por drones, ainda faz sentido falar em infantaria ocupando e mantendo posições?
De acordo com especialistas, a resposta é quase brutalmente simples: “Não, não faz.”
Segundo reportagens, um atirador ucraniano recordista mundial de tiro de precisão afirmou recentemente, em entrevista às redes sociais ucranianas, que sua própria função se tornou praticamente obsoleta diante da transformação provocada pelos drones.
Um dos conceitos mais afetados pelos drones é o de “zona cinzenta”, a área entre as posições ocupadas pelos dois exércitos.

Em guerras anteriores, essa região poderia ser atravessada por patrulhas, equipes de reconhecimento e grupos de assalto. Na guerra da Ucrânia, porém, a presença constante de drones de observação e de ataque tornou qualquer movimentação muito mais arriscada.
A pergunta resume o problema
Um soldado não precisa mais ser visto diretamente por outro soldado para se tornar um alvo. Um drone pode detectar sua posição, transmitir as coordenadas e orientar um ataque de artilharia ou outro drone.
Isso criou uma espécie de “campo de batalha transparente”, no qual esconder-se, movimentar-se e concentrar tropas se tornou sobretudo muito mais difícil.
Mas a infantaria realmente perdeu sua importância?
A experiência da Ucrânia não demonstra que os soldados de infantaria se tornaram inúteis. Demonstra, isso sim, que seu emprego mudou radicalmente. Drones mudaram radicalmente o cenário da guerra.
Drones podem, sim, localizar, observar e sobretudo atacar. Não podem, pelo menos por enquanto, substituir completamente a presença humana necessária para ocupar edifícios, vasculhar posições, controlar áreas urbanas e confirmar que determinado território está realmente sob controle.
A velha regra continua valendo, ainda que sob novas condições: alguém precisa estar fisicamente no terreno.
A guerra está ficando cada vez mais automatizada. Quem não acompanhar essa transformação corre o risco de chegar à próxima guerra preparado para lutar a anterior.
O investimento em drones com tecnologias capazes de operar com VPN oculto é cada vez mais necessário, mas é necessário ao Brasil investir mais em satélites, mesmo que eles sejam lançados em outros países, visto que as ações de sabotagem em Alcântara se tornaram rotineiras.