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Afinal, o que são as Ciências Militares e para que servem? Conheça o ensino superior militar

Entenda o que são as Ciências Militares, sua base legal, finalidade, áreas de estudo e sua importância para a defesa nacional.

JB Reis
JB Reis
Publicado 04/08/2026 às 15:49h
Afinal, o que são as Ciências Militares e para que servem? Conheça o ensino superior militar
Ciências Militares reúnem estudo, doutrina, estratégia e formação aplicada à defesa nacional. Imagem artificial

Principalmente a partir de 2022, com o início da guerra na Ucrânia, surgiram um sem número de militares das três Forças Armadas, Exército, Marinha e Aeronáutica fazendo “análises geopolíticas” sobre o conflito.

Em suas credenciais habitualmente liam-se termos como “mestre em ciências militares” ou “cientista militar”. Todos eles, militares da reserva.

Mas, afinal, o que são essas ciências militares e para que servem? O que essa área do conhecimento ensina e quem são seus estudantes e o que fazem?

A definição de ciências militares é dada por uma legislação específica do Exército brasileiro.

Trata-se da Portaria nº 734, de 19 de agosto de 2010, que não só conceitua o termo, como estabelece a sua finalidade e delimita o escopo de seu estudo.

O termo “ciências militares” é o sistema de conhecimentos relativos à arte bélica, obtidos mediante pesquisa científica, práticas na esfera militar, experiência e observação dos fenômenos das guerras e dos conflitos. Para isso, ele se vale da metodologia própria do ensino superior militar.

Elas são o campo de conhecimento voltado ao estudo da guerra, da defesa, do preparo e do emprego das Forças Armadas. Articulam doutrina, estratégia, liderança, logística, tecnologia, gestão e análise de conflitos.

Afinal, para que servem as Ciências Militares?

A pesquisa e o estudo das ciências militares no Exército Brasileiro têm por finalidades a formulação da Doutrina Militar Terrestre, o avanço do conhecimento em Defesa e a preparação de líderes militares.

Também formam pesquisadores, planejadores e gestores dos recursos colocados à disposição da instituição para o cumprimento de sua missão constitucional, em tempos de paz e de guerra.

No Brasil, segundo fonte do Exército, esse conceito não se resume a uma expressão genérica usada no meio castrense.

Trata-se de uma área reconhecida institucionalmente, com base normativa, produção acadêmica própria e presença consolidada no sistema de ensino militar das três Forças.

Quais áreas esse campo estuda?

No plano conceitual, a definição mais citada no Exército Brasileiro, é uma que praticamente replica a legislação citada anteriormente.

Nela se descreve as Ciências Militares como um “sistema de conhecimentos relativos à arte bélica”, construído por meio de pesquisa científica, prática profissional na esfera militar, experiência e observação dos fenômenos da guerra e dos conflitos.

Essa formulação é importante porque mostra que o tema vai além da instrução operacional ou do adestramento da tropa.

As ciências militares procuram organizar, testar e aperfeiçoar conhecimentos sobre como uma força armada se estrutura, planeja, combate, dissuade, administra meios e responde a ameaças em diferentes cenários.

Histórico recente e avanço das ciências militares no Brasil

No caso brasileiro, a área ganhou reconhecimento formal no início dos anos 2000.

A Lei nº 9.786, de 8 de fevereiro de 1999, conhecida como Lei do Ensino no Exército (LEEx), diz que “os cursos realizados em estabelecimentos de ensino militar por detentores de cargos de nível superior, constituem, para efeito universitário, cursos de pós-graduação, desde que atendida a legislação pertinente”.

Além disso, define que “os cursos de formação de oficiais da Academia Militar das Agulhas Negras são de grau universitário, conferindo-se aos seus diplomados a graduação de Bacharel em Ciências Militares”

O parecer do Conselho Nacional de Educação eu mudou o ensino militar superior

Segundo o histórico do Programa de Pós-Graduação em Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, o Conselho Nacional de Educação aprovou, por meio do Parecer nº 1.295/2001, a inclusão das CM desenvolvidas no âmbito da Marinha, do Exército e da Aeronáutica no rol das ciências estudadas no país, com publicação no Diário Oficial da União em março de 2002.

Segundo esse Parecer, a importância das ciências militares desenvolvidas no âmbito das três Forças Armadas foi decisiva. Graças a ele deu-se a “inclusão no rol das ciências estudadas no Brasil, resguardando-se os aspectos bélicos, exclusivos das Forças Armadas.”

Esse passo teve peso político e acadêmico, porque consolidou a legitimidade do ensino e da pesquisa militares em diálogo com o sistema educacional brasileiro, ainda que preservando as especificidades profissionais e doutrinárias das Forças Armadas.

Ciências Militares, tecnologia e defesa nacional

Na prática, as ciências militares servem para formar quadros, orientar decisões e produzir conhecimento aplicado à defesa nacional.

Isso inclui o estudo da doutrina, da estratégia, da geopolítica, da logística, da gestão de recursos, da liderança, da história militar, da mobilização, da inovação tecnológica e das operações em ambiente conjunto ou singular.

Em outras palavras, trata-se de um campo que ajuda a responder perguntas centrais para qualquer instituição armada:

  • como empregar a Força de maneira eficaz,
  • como preparar líderes,
  • como integrar meios humanos e materiais,
  • como reduzir vulnerabilidades e
  • como adaptar a organização militar às transformações do ambiente estratégico.

O papel das Ciências Militares no ambiente estratégico atual**

Para atingir esses objetivos não há uma receita única, totalmente padronizada. Cada Força desenvolve esse conhecimento segundo sua vocação principal.

No Exército, a produção mais estruturada aparece no âmbito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e do Instituto Meira Mattos, que mantêm programas de mestrado e doutorado na área.

Outro ponto central é a relação entre as ciências militares, ciência, tecnologia e inovação. O Exército destaca que a produção científica e tecnológica é decisiva para a soberania nacional e para o fortalecimento da base de poder do Estado.

ÁreaSub-áreas
Defesa e Segurança nacionaisPolíticas e Estratégias de Defesa Nacional
Tecnologias de Defesa
Ciências Militares Conjuntas
Ciências Militares Navais
Ciências Militares Terrestres
Ciências Militares Aeroespaciais
Segurança Pública

Assim, pensar Ciências Militares também significa refletir sobre inteligência, sistemas de monitoramento, comunicações, indústria de defesa, modernização de meios e autonomia tecnológica em áreas sensíveis.

A discussão, portanto, não se limita à guerra convencional. Ela abrange temas como proteção de fronteiras, vigilância de áreas estratégicas e adaptação institucional diante de ameaças híbridas e desafios contemporâneos.

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JB Reis

JB Reis

Formado em Desenho Industrial pela UEMG, militar da reserva da Força Aérea Brasileira, onde adquiriu profunda experiência em gestão administrativa e logística no setor patrimonial. Escreve principalmente sobre vida militar, defesa, segurança e geopolítica. Sugestões de pautas: johanoeo@gmail.com Mais artigos em https://linktr.ee/veteranistao