Oficial foi nomeado Analista em Tecnologia da Informação, deixou o serviço ativo e passou a substituir uma coordenação da agência em casos de afastamento ou vacância.
O militar da FAB que assumiu cargo federal de TI percorreu em poucas semanas uma transição completa entre duas carreiras públicas. Francisco Leonardo Silveira Correia era primeiro-tenente engenheiro da Aeronáutica quando foi aprovado para o cargo de Analista em Tecnologia da Informação. Em 4 de agosto de 2026, tomou posse no novo posto.
Dezessete dias depois, seu nome apareceu em uma função ligada à infraestrutura e às operações de redes da Agência Nacional de Telecomunicações. A mesma edição do Diário Oficial que registrou sua passagem pela Anatel também formalizou, com efeito retroativo, sua saída do serviço ativo da FAB.
Da nomeação federal à saída da Aeronáutica
A sequência começou em 8 de julho, quando a Portaria de Pessoal DGP/SSC/MGI nº 7.909 incluiu Francisco Leonardo entre os aprovados nomeados para o cargo de Analista em Tecnologia da Informação, Classe A, Padrão I. Ele aparece na 60ª colocação da ampla concorrência.
A nomeação previa lotação inicial no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, seguida da apresentação dos novos servidores aos respectivos órgãos de atuação.
A posse ocorreu em 4 de agosto. Essa data também passou a marcar oficialmente sua saída da carreira militar.
Publicada em 25 de agosto, a Portaria GABAER nº 1.207/GC1 demitiu o primeiro-tenente engenheiro do serviço ativo, com efeito retroativo ao dia da posse, e o incluiu no mesmo posto na reserva não remunerada.
“Demissão ex officio” não indica punição
A palavra “demissão” pode sugerir uma medida disciplinar, mas não foi isso que o ato registrou. A própria portaria informa que a saída ocorreu porque o oficial tomou posse em um cargo público permanente estranho à carreira militar.
O procedimento está previsto no artigo 117 do Estatuto dos Militares. Pela regra, o oficial da ativa que passa a exercer outro cargo público permanente deve ser demitido de ofício e transferido para a reserva não remunerada, mantendo o posto que possuía.
Francisco Leonardo deixou, portanto, de receber remuneração como militar da ativa. O documento não informa quanto ele receberá na carreira civil, se precisará indenizar despesas de cursos realizados na FAB ou por que decidiu trocar de carreira.
O que ele fará na área de redes da Anatel
A segunda parte da mudança apareceu na Portaria de Pessoal Anatel nº 809, datada de 21 de agosto — exatamente 17 dias depois da posse.
O ato designou Francisco Leonardo como substituto do cargo comissionado técnico de coordenador do Processo de Infraestrutura e Operações de TIC – Redes, dentro da Gerência de Planejamento, Operação e Manutenção de Redes da Anatel.
A designação não significa que ele assumiu imediatamente e de maneira permanente o comando da coordenação. O documento estabelece que o novo servidor exercerá a substituição durante afastamentos, impedimentos legais ou regulamentares do titular e em caso de vacância.
O cargo efetivo de Analista em Tecnologia da Informação possui atribuições relacionadas ao planejamento, à supervisão, à coordenação e ao controle dos recursos tecnológicos utilizados pela administração pública federal, segundo o Governo Digital.
A trajetória documentada ficou condensada em pouco mais de um mês: nomeação em 8 de julho, posse em 4 de agosto, designação na Anatel em 21 de agosto e formalização da saída da FAB em 24 de agosto. Os atos não informam há quanto tempo ele servia na Aeronáutica nem quais atividades exercia como engenheiro antes da mudança.