A informação é atribuída a representantes da Otan, que descrevem a situação como caótica, e os últimos meios a deixar a área foram a fragata Admiral Kasatonov e o navio de apoio Akademik Pashin
A força é a Marinha da Rússia, e a área é o Mar Mediterrâneo.
Os dois últimos navios militares russos deixaram a região em 26 de junho de 2026, segundo representante da Otan ouvido pela Newsweek em condição de anonimato.
É a primeira vez em cerca de dez anos que a Rússia fica sem navio de guerra estacionado ali.
Fontes ocidentais citadas pela imprensa europeia descrevem a situação da força naval russa na região com a palavra caos.
Nenhum dos dois governos envolvidos confirmou oficialmente a informação.
Os dois últimos navios
Os meios finalmente observados na área foram a fragata Admiral Kasatonov e o navio de apoio logístico Akademik Pashin.
Os dois fizeram escala no porto de Tartus, na Síria, no começo de junho.
Depois disso saíram do Mediterrâneo passando por águas do Egito e da Argélia.
A Admiral Kasatonov é uma fragata da classe Almirante Gorshkov, uma das poucas unidades de superfície modernas que a Rússia colocou no mar na última década.
Navio de apoio saindo junto com o combatente é sinal de retirada de destacamento, e não de rendição de escolta.
A frota-sombra de petroleiros russos continua cruzando o Mediterrâneo, mas isso é tráfego comercial, não presença militar.
Uma fragata italiana abordou um desses petroleiros neste mês, sem que houvesse escolta militar russa por perto.
O que havia ali antes
O contraste com 2022 é o que dá tamanho ao número atual.
Em abril daquele ano, a presença russa no Mediterrâneo reunia dois cruzadores da classe Slava, dois contratorpedeiros da classe Udaloy, duas fragatas das classes Gorshkov e Grigorovich, dois submarinos da classe Kilo melhorada e uma corveta Buyan-M.
A isso se somavam navios de inteligência, de caça a minas e de logística.
Foi descrito como um dos maiores desdobramentos russos no Mediterrâneo desde a Guerra Fria.
A esquadra permanente russa no Mediterrâneo havia sido reativada na década passada, depois de anos sem presença fixa.
Ela existia para dar cobertura à campanha na Síria e para manter navio de vigilância perto das frotas ocidentais.
Não há número total oficial divulgado para aquele agrupamento, apenas a relação de tipos observados.
O porto que sumiu do mapa
A primeira causa apontada é a perda de Tartus como base logística estável.
A instalação foi por décadas o único ponto de apoio naval russo fora do território próprio no Mediterrâneo oriental.
A queda do regime de Bashar al-Assad, no fim de 2024, mudou essa equação, e a Síria passou a expulsar a Rússia de Tartus.
Sem porto de apoio, o navio precisa reabastecer no mar ou voltar para casa, e a Marinha russa não domina bem a primeira opção.
A escala de junho mostra que o acesso não desapareceu por completo, mas virou passagem, e não base.
O estreito que ficou fechado
A segunda causa é jurídica e geográfica ao mesmo tempo.
Pela Convenção de Montreux, de 1936, a Turquia controla a passagem pelo Bósforo e pelos Dardanelos e pode restringir o trânsito de navios de guerra de países em guerra.
Desde 2022 Ancara vem aplicando essa restrição, o que impede a Frota do Mar Negro de render seus navios no Mediterrâneo.
Um navio que sai do Mar Negro não consegue voltar, e um que está fora não consegue entrar.
A Turquia estuda agora dividir o Mar Negro em corredores separados de navegação.
Para onde os navios foram
A saída do Mediterrâneo não significa que os meios foram desativados.
O movimento observado é de concentração no flanco norte, com atividade no Atlântico Norte, no Ártico e no Báltico.
É a área onde a Frota do Norte opera a partir de portos próprios, sem depender de base cedida por terceiro.
Meios russos vêm sendo acompanhados de perto em águas europeias, e a Royal Navy mantém vigilância contínua sobre eles há meses.
O que a Rússia monta em terra no lugar
Enquanto a presença naval some, a presença aérea no norte da África cresce.
A Rússia vem ampliando o uso de seis bases aéreas na Líbia, com caça, drone e defesa antiaérea.
Numa dessas bases, no deserto líbio, o efetivo estrangeiro subiu de 300 para 450 pessoas.
Base aérea em terra não substitui esquadra, porque não escolta comboio nem projeta poder sobre o mar aberto.
O que ela oferece é ponto de apoio para deslocamento aéreo entre a Rússia e o Sahel, e cobertura sobre o Mediterrâneo central.
O que a ausência muda
Presença naval permanente serve para três coisas: vigiar, sinalizar e apoiar operação em terra.
Sem navio na área, some a capacidade de acompanhar de perto o movimento das frotas ocidentais no mar fechado mais movimentado do mundo.
Some também a possibilidade de responder rápido a qualquer coisa que aconteça no Levante ou no norte da África.
Sobra a inteligência coletada por outros meios, como satélite e aeronave de patrulha, que não dependem de porto na região.
Presença física, porém, é o que permite chegar primeiro, e é isso que a Rússia não tem mais no Mediterrâneo.
A frota russa vinha acumulando problema de material, e um submarino chegou a sofrer pane grave no Mediterrâneo no ano passado.
O que não foi confirmado
A informação vem de representantes ocidentais que falaram sob anonimato, e não de comunicado oficial.
Não há divulgação de prazo para eventual retorno de navio russo à área.
Também não foi confirmado o que a Rússia mantém hoje de estrutura própria em Tartus.
As fontes citadas mencionam planos relacionados à Síria em paralelo, sem detalhamento público.