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Um avião da FAB caiu no mar da Bahia às 7 da manhã de 11 de julho de 1952 com uma asa em chamas, os 500 moradores de Boipeba saíram de canoa para tirar 20 pessoas da água, e a hélice reapareceu em 2026

Um avião da FAB caiu no mar da Bahia às 7 da manhã de 11 de julho de 1952 com uma asa em chamas, os 500 moradores de Boipeba saíram de canoa para tirar 20 pessoas da água, e a hélice reapareceu em 2026
Pescadores de Boipeba usam canoas para resgatar sobreviventes do C-47 da FAB que caiu no mar em 11 de julho de 1952. Foto: Reprodução / Redes Sociais / BN Digital

O Douglas C-47A FAB 2048 levava 33 pessoas de Salvador ao Rio quando sofreu um incêndio no motor esquerdo; 13 morreram e os 20 sobreviventes foram socorridos por pescadores

Às 7h de 11 de julho de 1952, os moradores da pequena vila de Boipeba, no baixo sul da Bahia, viram um avião da Força Aérea Brasileira cruzar o céu em baixa altitude. Fumaça saía de uma das asas. Pouco depois, a aeronave caiu no mar, a cerca de 200 metros da costa, e um estrondo rompeu a rotina de uma comunidade que tinha aproximadamente 500 habitantes.

Os primeiros a chegar não foram equipes militares especializadas. Pescadores empurraram canoas para a água e remaram até os destroços. Vinte pessoas foram retiradas do mar e levadas para a Praia da Cueira, onde receberam os primeiros cuidados. Outras 13 morreram no acidente.

Setenta e quatro anos depois, em 31 de março de 2026, pescadores encontraram no mar um componente apresentado como uma das hélices daquele avião. O achado devolveu à superfície não apenas uma peça metálica, mas a lembrança de um resgate realizado nos minutos em que Boipeba estava praticamente sozinha diante da tragédia.

O incêndio começou no motor esquerdo do C-47 da FAB

A aeronave era o Douglas C-47A-35-DL de matrícula FAB 2048, versão militar do célebre DC-3. Tratava-se de um bimotor com motores radiais a pistão — e não de um turboélice, como aparece em algumas publicações sobre o achado recente. O avião havia partido de Salvador com destino ao Rio de Janeiro e transportava 33 pessoas.

O registro da Aviation Safety Network informa que o motor número 1, instalado no lado esquerdo, pegou fogo durante o voo. As chamas não puderam ser controladas. A situação se agravou até que a nacele esquerda, o motor e parte do conjunto do trem de pouso se desprenderam e caíram no mar.

Sem condições de prosseguir, a tripulação realizou uma amerissagem de emergência na região de Boipeba. Relatos preservados por moradores descrevem a passagem do avião no sentido norte-sul, muito perto da Praia do Outeiro, com fumaça visível na asa. O ponto do impacto foi situado a aproximadamente 200 metros a leste das piscinas naturais.

Esse detalhe técnico ajuda a entender por que uma aeronave ainda no ar terminou tão perto da praia. Não foi uma queda vertical repentina: o C-47 chegou ao litoral em emergência e tocou a água depois que o fogo comprometeu todo o conjunto do motor esquerdo.

A vila de 500 habitantes lançou suas canoas ao mar

O barulho mobilizou Boipeba. A comunidade tinha cerca de 500 moradores, mas foram principalmente os pescadores e outros homens da vila que entraram nas canoas e seguiram em direção ao avião, segundo a reconstrução publicada pelo Bahia Notícias.

Não havia embarcações rápidas, equipamentos modernos de salvamento ou uma estrutura de emergência à espera na praia. O socorro começou de forma braçal: remar até o local, alcançar quem permanecia na água e transportar cada sobrevivente de volta à areia.

Ao todo, 20 pessoas foram resgatadas e conduzidas à Praia da Cueira. Um médico conhecido nos registros locais como Dr. Mustafá viajou de Valença para prestar os primeiros socorros. Bases aéreas de Salvador e Recife também foram mobilizadas, mas a reação inicial, no intervalo mais crítico depois da queda, partiu da própria comunidade.

A imprensa da época transformou aqueles pescadores em personagens nacionais. Uma reportagem do jornal A Noite, preservada na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, registrou o acidente, a operação de socorro e a mobilização da Aeronáutica. Segundo a memória local recuperada em 2026, o então Ministério da Aeronáutica reconheceu os pescadores como heróis.

Vinte sobreviveram e 13 morreram no acidente

Os números ajudam a dimensionar o resultado do resgate. Das 33 pessoas que estavam no FAB 2048, 20 sobreviveram e 13 morreram — um tripulante e 12 passageiros, de acordo com o banco de dados de segurança aérea.

Os números coincidem: os registros apontam 20 sobreviventes, e a memória local atribui aos pescadores a retirada de 20 pessoas da água. A proximidade da costa e a resposta imediata da vila ajudam a explicar o desfecho de um acidente em que parte do motor já havia se separado da aeronave antes da amerissagem.

O episódio também mostra uma face pouco lembrada da história da aviação militar brasileira. A máquina e a falha técnica explicam a queda, mas não explicam sozinhas o desfecho. Entre o impacto e a chegada de uma estrutura organizada de busca e salvamento, houve uma comunidade costeira que agiu com aquilo que tinha à mão: canoas, conhecimento do mar e rapidez.

A hélice voltou a aparecer no mar em 2026

Em 31 de março de 2026, pescadores da região localizaram novos destroços associados ao acidente. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram um grande componente metálico identificado localmente como uma hélice do C-47. A descoberta ocorreu nas águas próximas ao local indicado pelos relatos históricos da queda.

O reencontro é simbólico porque foi feito pelo mesmo ofício que marcou o salvamento de 1952. Pescadores encontraram a peça; pescadores haviam encontrado e retirado os sobreviventes 74 anos antes.

Há, porém, uma lacuna importante. As reportagens publicadas após o achado não informam se a peça passou por perícia técnica da FAB, se sua identificação foi confirmada por número de série ou se o componente será retirado do mar e destinado a um museu. Também não há informação pública sobre uma operação oficial para mapear o restante dos destroços.

Até que essa etapa ocorra, a hélice permanece vinculada ao FAB 2048 pela localização, pelo formato e pela memória preservada em Boipeba. O que já está documentado é o essencial: em 1952, um C-47 com 33 pessoas caiu diante de uma vila de 500 habitantes; 20 chegaram vivas à praia porque moradores não esperaram o socorro vir de fora.

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Felipe Alves da Silva

Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com