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O Exército americano passou a exigir das mulheres de 21 especialidades de combate o mesmo levantamento terra de 140 libras cobrado dos homens, e quem não atingir 350 pontos é obrigado a trocar de função

O Exército americano passou a exigir das mulheres de 21 especialidades de combate o mesmo levantamento terra de 140 libras cobrado dos homens, e quem não atingir 350 pontos é obrigado a trocar de função
Cena ilustrativa mostra uma mulher e um homem submetidos ao mesmo padrão de levantamento terra durante uma avaliação física militar.

O padrão físico sem distinção por sexo entrou definitivamente em vigor em 2026, reduziu o teste para cinco provas e transformou o desempenho corporal em requisito para permanecer nas funções de combate

Para as mulheres que escolheram algumas das carreiras mais exigentes do Exército americano, levantar 140 libras — aproximadamente 63,5 quilos — deixou de ser apenas uma meta de treinamento. O resultado agora pode definir se a militar continuará em uma especialidade de combate ou será transferida para outra atividade.

O novo Army Fitness Test, conhecido pela sigla AFT, adotou a mesma tabela de pontuação para homens e mulheres nas funções inicialmente classificadas como 21 especialidades de combate. O padrão passou a produzir efeitos administrativos em 1º de janeiro de 2026 para o pessoal da ativa e em 1º de junho para integrantes da Guarda Nacional e da Reserva.

A mudança havia sido anunciada em 2025 e acompanhada pela Revista Sociedade Militar. O fato novo é que o período de preparação terminou. O resultado insuficiente já pode bloquear movimentações, aparecer nas avaliações profissionais e iniciar a reclassificação obrigatória do militar.

O levantamento terra varia conforme a idade

O levantamento terra é realizado em três repetições com uma barra hexagonal. Nas tabelas divulgadas inicialmente, o patamar de referência para as funções de combate era de 140 libras, contra 120 libras exigidas anteriormente das mulheres.

A tabela definitiva tornou a exigência ainda maior para os mais jovens. Homens e mulheres de 17 a 31 anos nas especialidades de combate precisam levantar 150 libras, cerca de 68 quilos, para obter os 60 pontos mínimos na prova. A partir dos 32 anos, o piso cai para 140 libras em diversas faixas etárias.

Essa distinção mostra que o novo padrão é neutro em relação ao sexo, mas continua ajustado pela idade. Uma mulher e um homem da mesma faixa etária e da mesma especialidade de combate recebem exatamente a mesma pontuação pelo desempenho apresentado.

Segundo as tabelas oficiais do Exército dos Estados Unidos, os militares também precisam cumprir flexões com liberação das mãos, o circuito de velocidade chamado sprint-drag-carry, prancha e corrida de duas milhas, equivalentes a aproximadamente 3,2 quilômetros.

O antigo lançamento de potência em pé, no qual o militar arremessava uma bola medicinal para trás, foi eliminado. O teste passou de seis para cinco provas.

Não basta obter 60 pontos em cada prova

Cada uma das cinco provas vale até 100 pontos. Para permanecer em uma especialidade de combate, o militar precisa alcançar pelo menos 60 pontos em cada exercício e somar no mínimo 350 pontos no resultado geral.

A diferença é importante. Cinco notas mínimas de 60 produziriam apenas 300 pontos, suficientes para o padrão geral do Exército, mas insuficientes para as funções de combate. Na prática, o militar precisa compensar resultados mais baixos com notas superiores em outras provas até atingir a média de 70 pontos por exercício.

Uma nota inferior a 60 em qualquer etapa provoca reprovação, mesmo que a soma final chegue a 350. Quem obtém entre 300 e 349 pontos atende ao padrão geral, mas deixa de cumprir o requisito específico da especialidade de combate.

O plano de implantação publicado pelo Exército americano determina que esses militares sejam identificados no sistema de pessoal e impedidos de realizar determinadas movimentações até regularizarem a situação.

Duas notas abaixo de 350 podem provocar a reclassificação obrigatória

A troca de função não ocorre imediatamente após um único resultado abaixo de 350. Militares da ativa, da Guarda Ativa e reservistas em ordens prolongadas têm até 90 dias para repetir o teste. Na Guarda Nacional e na Reserva, o intervalo pode chegar a 180 dias.

Depois de duas avaliações oficiais consecutivas sem atingir o padrão de combate, o comando inicia o processo de reclassificação obrigatória. O militar pode ser direcionado a outra especialidade conforme suas qualificações, as vagas disponíveis e as necessidades do Exército.

Para praças com menos de 17 anos e três meses de serviço federal ativo, a documentação prevê o processamento para uma nova especialidade. Militares mais próximos da aposentadoria podem receber tratamento administrativo diferente e ser empregados em posições sem vinculação direta ao combate.

Entre os oficiais, tenentes e capitães podem sofrer transferência involuntária de área. Oficiais superiores que não alcancem o padrão podem ser retirados de funções de combate e empregados em outras posições. A recusa à transferência ou a impossibilidade de reclassificação pode abrir um processo de desligamento.

Essa é a consequência que separa a nova regra de um teste físico meramente estatístico. O desempenho deixou de servir apenas para medir condicionamento: passou a interferir na permanência na especialidade, nas movimentações e, em determinadas circunstâncias, na continuidade da carreira.

Lista passou de 21 para 24 especialidades em 2026

A política entrou em vigor abrangendo 21 códigos profissionais ligados à Infantaria, Cavalaria, Forças Especiais, Engenharia de Combate e Artilharia. A exigência vale para o militar que possui uma dessas especialidades, mesmo quando ele está temporariamente lotado fora de uma unidade de combate.

Uma atualização posterior ampliou esse universo. A Diretriz do Exército 2026-07 acrescentou os mergulhadores militares, os especialistas em desativação de explosivos e os oficiais dessa área. Com isso, a relação passou de 21 para 24 especialidades.

A mesma diretriz criou ainda o Combat Field Test, uma avaliação separada, realizada com uniforme e botas de combate. Ela reúne corrida, flexões, transporte de cargas, deslocamento rastejando e outros exercícios em sequência. O novo teste de campo não substitui o AFT.

O Exército americano passou, portanto, a observar duas dimensões diferentes: o condicionamento físico medido por pontos no AFT e a capacidade de executar tarefas contínuas no teste de campo. Para homens e mulheres das especialidades atingidas, a permanência no combate depende agora de cumprir os mesmos parâmetros.

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Felipe Alves da Silva

Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com