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O Brasil soma 6 submarinos no ranking que Rússia e EUA lideram com 66, mas a conta não diz quantos mergulham

Jefferson Silva
Por Jefferson Silva 11/10/2026 às 10:14
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O Brasil soma 6 submarinos no ranking que Rússia e EUA lideram com 66, mas a conta não diz quantos mergulham
Submarino Riachuelo (S40) navega na superfície da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Foto: Marinha do Brasil, Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

Registro público de 2026 mostra quatro barcos com atividade no ano, dois da classe Tupi fora da Armada desde 2023 e o nuclear Álvaro Alberto adiado para 2038.

Rússia e Estados Unidos dividem o topo do ranking de submarinos do Global Firepower 2026, com 66 cada, à frente da China, com 61, do Irã, com 25, e da Coreia do Norte, com 24. O índice soma convencionais e nucleares e conta casco registrado, sem dizer quantos estão prontos para mergulhar.

Na mesma tabela, a Marinha do Brasil aparece com seis submarinos. O registro público de 2026 mostra menos: quatro barcos com atividade confirmada no ano, dois irmãos da classe Tupi fora da Armada desde 2023 e o submarino nuclear Álvaro Alberto empurrado para 2038.

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Japão, Coreia do Sul e Índia fecham o grupo dos dez

Depois das três potências e dos dois países sob sanções, a lista do Global Firepower segue com o Japão, com 23 submarinos, a Coreia do Sul, com 22, e a Índia, com 18. A Turquia tem 14, e o Reino Unido fecha o top 10 com 10.

O site árabe Defense Arabic repercutiu a lista no sábado, 10 de outubro, e pôs os Estados Unidos em primeiro lugar. Na tabela original, porém, americanos e russos têm o mesmo número, e a posição de cada um depende só da ordem em que o índice os lista.

O critério explica parte das distâncias. O Global Firepower não separa o submarino nuclear de ataque, que fica meses submerso, do convencional diesel-elétrico, que precisa subir para recarregar baterias, e também não informa quantos cascos de cada país estão em manutenção ou parados no cais.

Seis cascos e o 12º lugar entre 145 países

Na página do Brasil, revisada em 19 de janeiro de 2026, o Global Firepower dá ao país o 12º lugar em submarinos entre 145 avaliados. A posição é a mesma para todos os países que empatam com seis, e por isso o Brasil aparece em 18º na lista corrida, ao lado de Argélia, Austrália e Alemanha.

No ranking geral do mesmo índice, o Brasil é o 11º entre 145 forças militares. A página não diz quais são os seis submarinos brasileiros, e a Marinha não publica quantos estão disponíveis para operar em cada momento.

Sem essa lista, a comparação possível é entre o número do ranking e o que a própria Força tornou público sobre cada barco. É nessa conta que o seis começa a encolher.

Riachuelo, Humaitá e Tonelero já foram entregues

A base da frota é a classe Riachuelo, de projeto francês e construída em Itaguaí, no Rio de Janeiro, pelo Programa de Desenvolvimento de Submarinos, o Prosub. Três unidades foram entregues à Marinha: Riachuelo, Humaitá e Tonelero.

O Tonelero, o mais novo dos três, passou pela mostra de armamento em 26 de novembro de 2025, cerimônia que marca a entrada do navio no serviço ativo. São os três submarinos mais novos da frota e os únicos de projeto francês já em operação.

O quarto, o Almirante Karam, segue em testes de mar, com entrega prevista para 2027, segundo a página do Prosub mantida pela Marinha. Enquanto isso, a Força compra peças na Europa para manter os submarinos classe Riachuelo que já navegam.

O Tikuna no mar durante a Aderex de abril

Entre os barcos mais antigos, o Tikuna é o que tem atividade registrada em 2026. Ele participou da Aderex I/2026, comissão de adestramento da Esquadra realizada de 13 a 17 de abril entre o Rio de Janeiro e Cabo Frio, com cerca de 1.500 militares, segundo o site Click Petróleo e Gás.

No exercício, mergulhadores de combate foram lançados de helicóptero para atuar em coordenação com o Tikuna, ao lado das fragatas Constituição, Independência e União e da corveta Barroso. Foi o único submarino citado entre os meios da comissão.

A mesma comissão usou como alvo o casco do ex-submarino Timbira, afundado de forma controlada em treinamento de lançamento de armas. Era um irmão da classe Tupi, que em abril já não contava para a Armada.

Timbira e Tapajó deixaram a Armada em 2023

O Timbira recebeu baixa do serviço ativo pela Portaria nº 37/MB/MD, de 17 de fevereiro de 2023, que também mandou alienar o casco, segundo o site Defesa Aérea & Naval, que reproduziu o ato. A Revista Oeste registrou a publicação no Diário Oficial da União na quarta-feira, 22 de fevereiro daquele ano.

Foi o primeiro da classe Tupi a sair. A revista Periscópio, editada pela Marinha, escreveu em 2023 que, com a baixa do Timbira e a chegada do Humaitá, o Tapajó também se aproximava do fim do serviço.

O Tapajó foi aposentado em agosto de 2023, depois de 25 anos em operação, segundo reportagem do portal R7 de 11 de agosto daquele ano. Desde então, nenhum documento da Marinha voltou a tratá-lo como submarino em serviço.

O Tupi sem registro público em 2026

O Tupi, que dá nome à classe, não tem portaria de baixa conhecida e também não aparece em exercício divulgado neste ano. A situação dele em 2026 não foi tornada pública pela Marinha.

A Força não publica quantos submarinos estão em manutenção, em período de docagem ou com a tripulação em adestramento. Por isso não é possível dizer, com base em fonte aberta, quantos dos seis do ranking estão aptos a sair para o mar hoje.

O que se pode contar é o que tem registro. São três Riachuelo entregues, o Tikuna em exercício em abril, o Tupi sem notícia e o Almirante Karam ainda em provas, sem ter sido entregue.

Álvaro Alberto empurrado de 2034 para 2038

O primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear ficou mais longe. Um ofício do Ministério da Defesa à Câmara dos Deputados, de 22 de junho de 2026, adiou o lançamento do Álvaro Alberto de 2034 para 2038, segundo revelou o Metrópoles na coluna Grande Angular.

O cronograma original do Prosub, de 2008, previa o barco pronto em 2025. No ofício citado pelo Metrópoles, a Marinha atribui o novo atraso à indisponibilidade de recursos e à falta de previsibilidade orçamentária.

A queixa reaparece na disputa pelo orçamento do submarino nuclear em 2027. Segundo o Metrópoles, a Marinha diz que o Álvaro Alberto não é um protótipo, mas o primeiro de uma nova classe.

Seis no papel, quatro com registro de mar

A tabela do Global Firepower foi revisada em janeiro, três meses antes de a Esquadra afundar o casco do Timbira como alvo diante do Tikuna. Ela conta cascos, e não informa quantos submergem numa semana qualquer.

No caso brasileiro, a diferença entre os seis do ranking e os quatro com registro em 2026 só a Marinha pode fechar. Até lá, o número que coloca o Brasil em 12º diz quantos submarinos o país tem, não quantos mergulham.

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