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Exército Brasileiro avança por 2.800 km rumo ao Sul: sistema ASTROS deixa o Centro-Oeste para o Exercício Combinado Arandú com o Exército Argentino

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva Atualizado em 06/10/2026 às 07:40·publicado em 06/10/2026
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Exército Brasileiro avança por 2.800 km rumo ao Sul: sistema ASTROS deixa o Centro-Oeste para o Exercício Combinado Arandú com o Exército Argentino
Meios do 6º Grupo de Mísseis e Foguetes iniciam deslocamento estratégico de cerca de 2.800 km rumo ao Rio Grande do Sul para participar do Exercício Combinado Arandú 2026. Foto: Divulgação/Exército Brasileiro

Comboio do 6º Grupo de Mísseis e Foguetes iniciou deslocamento estratégico em 2 de outubro e levará seis dias para chegar ao Rio Grande do Sul com apoio logístico próprio

O Exército Brasileiro iniciou em 2 de outubro de 2026 o deslocamento de meios do 6º Grupo de Mísseis e Foguetes (6º GMF) rumo ao Rio Grande do Sul, onde a unidade participará do Exercício Combinado Arandú ao lado do Exército Argentino.

A missão envolve uma viagem de aproximadamente 2.800 quilômetros, prevista para ser concluída em seis dias, ligando o Centro-Oeste ao Sul do país.

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O deslocamento chama atenção não apenas pela distância, mas também pela estrutura empregada. Segundo informações divulgadas pelo próprio Exército, o transporte estratégico está sendo realizado com meios do Centro de Logística de Mísseis e Foguetes e do 6º GMF, inclusive para garantir o suprimento de combustível durante todo o itinerário.

Na prática, o comboio transforma a própria viagem em uma demonstração de mobilidade estratégica da Artilharia de Mísseis e Foguetes.

Sistema ASTROS deixa o Centro-Oeste rumo a Rosário do Sul

Sistema ASTROS. Imagem: Reprodução
Sistema ASTROS. Imagem: Reprodução

Entre os meios deslocados está a 3ª Bateria de Mísseis e Foguetes do 6º GMF, unidade ligada diretamente à operação do Sistema ASTROS.

O destino é a região de Rosário do Sul, no Rio Grande do Sul, onde será realizada parte das atividades do Arandú sob coordenação do Comando Militar do Sul.

O movimento ocorre poucos dias antes do início das principais ações do exercício e coloca o sistema de artilharia de longo alcance brasileiro dentro de uma operação combinada de grande escala.

O ASTROS é um dos principais sistemas de apoio de fogo do Exército Brasileiro, capaz de empregar diferentes tipos de foguetes e mísseis a partir de plataformas móveis.

Nesse caso, porém, o exercício começa antes mesmo do primeiro lançamento.

Levar uma unidade desse tipo por milhares de quilômetros exige planejamento de rota, apoio de manutenção, abastecimento, segurança do comboio e coordenação entre diferentes estruturas logísticas.

Seis dias de estrada e apoio logístico próprio

A dimensão do deslocamento é um dos pontos mais relevantes da operação.

Serão aproximadamente 2.800 km percorridos em seis dias, com todo o apoio necessário sendo realizado por estruturas vinculadas à própria Artilharia de Mísseis e Foguetes.

O Centro de Logística de Mísseis e Foguetes participa diretamente da função transporte, garantindo suporte aos veículos durante o percurso.

A logística inclui inclusive o abastecimento de combustível ao longo da viagem.

Esse detalhe é importante porque sistemas de artilharia de campanha não operam isoladamente. Para que uma bateria consiga chegar ao local de emprego e permanecer operacional, é necessário deslocar também viaturas de apoio, manutenção, comunicações, suprimentos e pessoal especializado.

É justamente essa cadeia que o Exército coloca em movimento agora.

Deslocamento testa mais do que velocidade

Uma marcha de quase 3 mil quilômetros oferece um tipo de teste diferente daquele realizado em campo de instrução.

A unidade precisa manter seus meios disponíveis depois de vários dias de deslocamento, lidar com consumo de combustível, desgaste mecânico e coordenação logística em diferentes trechos do país.

Isso ajuda a explicar por que o Exército trata a operação como demonstração de prontidão, mobilidade e capacidade logística.

O valor militar de um sistema como o ASTROS não depende apenas do alcance de seus foguetes ou mísseis.

Depende também da capacidade de deslocá-lo rapidamente para outra região, mantê-lo abastecido e colocá-lo em condições de emprego quando necessário.

Nesse sentido, a estrada passa a ser parte do exercício.

Arandú reunirá meios brasileiros e argentinos no Sul

O deslocamento do 6º GMF ocorre paralelamente à movimentação de forças argentinas para o Brasil.

Argentina envia tanques TAM 2C-A2 e Stryker 8×8 ao Brasil por ferrovia para o Exercício Arandú 2026, que reunirá cerca de 2.300 militares.
Argentina envia tanques TAM 2C-A2 e Stryker 8×8 ao Brasil por ferrovia para o Exercício Arandú 2026, que reunirá cerca de 2.300 militares. Imagem: Redes sociais

O Exército Argentino também iniciou o envio de meios para o Rio Grande do Sul, incluindo tanques TAM 2C-A2 e blindados Stryker 8×8, transportados em parte por ferrovia.

Os dois movimentos mostram dimensões diferentes da mesma operação.

Enquanto os argentinos mobilizam blindados desde a província de Buenos Aires, o Exército Brasileiro desloca sua artilharia de mísseis e foguetes desde o Centro-Oeste.

O ponto de encontro será o Exercício Combinado Arandú 2026.

A atividade foi estruturada para ampliar a interoperabilidade entre as forças terrestres dos dois países, envolvendo diferentes armas e especialidades.

Nesse contexto, o ASTROS acrescenta ao exercício uma capacidade que vai além do combate aproximado dos blindados: apoio de fogo de longo alcance.

Mobilidade é parte central do poder do ASTROS

Em seu teste mais recente, conduzido em Natal em 2022, o Míssil Tático de Cruzeiro foi lançado pelo sistema Astros e demonstrou alcance de até 450 km com precisão de 9 metros até o alvo.
O Míssil Tático de Cruzeiro durante seu teste mais recente, realizado em Natal em 2022 e disparado pelo sistema Astros — alcance de até 450 km e margem de erro de apenas 9 metros. Crédito da foto: Avibras Aeroco/Divulgação

O Sistema ASTROS foi concebido justamente para combinar poder de fogo e mobilidade.

Suas viaturas podem mudar de posição após o emprego, reduzindo a exposição a ações de contrabateria e permitindo que as unidades sejam redistribuídas conforme a evolução da operação.

Essa característica depende de uma logística capaz de acompanhar o ritmo do sistema.

O deslocamento de 2.800 quilômetros oferece uma demonstração concreta dessa exigência.

Não basta ter lançadores disponíveis. É preciso garantir combustível, munição, manutenção, comunicações e suporte às equipes durante todo o percurso e posteriormente no campo de instrução.

Esse é um dos aspectos menos visíveis da artilharia de mísseis e foguetes, mas também um dos mais decisivos para sua capacidade real de emprego.

Exército Brasileiro e Exército Argentino convergem para o mesmo exercício

O movimento brasileiro ocorre em sentido oposto ao deslocamento argentino, mas com o mesmo destino operacional.

De um lado, TAM 2C-A2 e Stryker 8×8 avançam rumo ao Rio Grande do Sul.

Do outro, o 6º Grupo de Mísseis e Foguetes percorre milhares de quilômetros levando o Sistema ASTROS para a mesma região.

Essa convergência ajuda a dimensionar o tamanho do Arandú.

O exercício não será apenas um encontro entre pequenas frações de tropas. Envolve blindados, artilharia, logística, cavalaria, infantaria e outros elementos dos dois exércitos.

Para o 6º GMF, a missão permite demonstrar justamente uma das capacidades centrais da unidade: sair de sua região de origem, percorrer longa distância com apoio próprio e chegar em condições de cumprir uma missão operacional.

Ao fim dos seis dias de deslocamento, o desafio deixa de ser chegar ao Sul e passa a ser integrar o ASTROS à estrutura combinada que será montada durante o exercício.

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