Comboio do 6º Grupo de Mísseis e Foguetes iniciou deslocamento estratégico em 2 de outubro e levará seis dias para chegar ao Rio Grande do Sul com apoio logístico próprio
O Exército Brasileiro iniciou em 2 de outubro de 2026 o deslocamento de meios do 6º Grupo de Mísseis e Foguetes (6º GMF) rumo ao Rio Grande do Sul, onde a unidade participará do Exercício Combinado Arandú ao lado do Exército Argentino.
A missão envolve uma viagem de aproximadamente 2.800 quilômetros, prevista para ser concluída em seis dias, ligando o Centro-Oeste ao Sul do país.
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O deslocamento chama atenção não apenas pela distância, mas também pela estrutura empregada. Segundo informações divulgadas pelo próprio Exército, o transporte estratégico está sendo realizado com meios do Centro de Logística de Mísseis e Foguetes e do 6º GMF, inclusive para garantir o suprimento de combustível durante todo o itinerário.
Na prática, o comboio transforma a própria viagem em uma demonstração de mobilidade estratégica da Artilharia de Mísseis e Foguetes.
Sistema ASTROS deixa o Centro-Oeste rumo a Rosário do Sul

Entre os meios deslocados está a 3ª Bateria de Mísseis e Foguetes do 6º GMF, unidade ligada diretamente à operação do Sistema ASTROS.
O destino é a região de Rosário do Sul, no Rio Grande do Sul, onde será realizada parte das atividades do Arandú sob coordenação do Comando Militar do Sul.
O movimento ocorre poucos dias antes do início das principais ações do exercício e coloca o sistema de artilharia de longo alcance brasileiro dentro de uma operação combinada de grande escala.
O ASTROS é um dos principais sistemas de apoio de fogo do Exército Brasileiro, capaz de empregar diferentes tipos de foguetes e mísseis a partir de plataformas móveis.
Nesse caso, porém, o exercício começa antes mesmo do primeiro lançamento.
Levar uma unidade desse tipo por milhares de quilômetros exige planejamento de rota, apoio de manutenção, abastecimento, segurança do comboio e coordenação entre diferentes estruturas logísticas.
Seis dias de estrada e apoio logístico próprio
A dimensão do deslocamento é um dos pontos mais relevantes da operação.
Serão aproximadamente 2.800 km percorridos em seis dias, com todo o apoio necessário sendo realizado por estruturas vinculadas à própria Artilharia de Mísseis e Foguetes.
O Centro de Logística de Mísseis e Foguetes participa diretamente da função transporte, garantindo suporte aos veículos durante o percurso.
A logística inclui inclusive o abastecimento de combustível ao longo da viagem.
Esse detalhe é importante porque sistemas de artilharia de campanha não operam isoladamente. Para que uma bateria consiga chegar ao local de emprego e permanecer operacional, é necessário deslocar também viaturas de apoio, manutenção, comunicações, suprimentos e pessoal especializado.
É justamente essa cadeia que o Exército coloca em movimento agora.
Deslocamento testa mais do que velocidade
Uma marcha de quase 3 mil quilômetros oferece um tipo de teste diferente daquele realizado em campo de instrução.
A unidade precisa manter seus meios disponíveis depois de vários dias de deslocamento, lidar com consumo de combustível, desgaste mecânico e coordenação logística em diferentes trechos do país.
Isso ajuda a explicar por que o Exército trata a operação como demonstração de prontidão, mobilidade e capacidade logística.
O valor militar de um sistema como o ASTROS não depende apenas do alcance de seus foguetes ou mísseis.
Depende também da capacidade de deslocá-lo rapidamente para outra região, mantê-lo abastecido e colocá-lo em condições de emprego quando necessário.
Nesse sentido, a estrada passa a ser parte do exercício.
Arandú reunirá meios brasileiros e argentinos no Sul
O deslocamento do 6º GMF ocorre paralelamente à movimentação de forças argentinas para o Brasil.

O Exército Argentino também iniciou o envio de meios para o Rio Grande do Sul, incluindo tanques TAM 2C-A2 e blindados Stryker 8×8, transportados em parte por ferrovia.
Os dois movimentos mostram dimensões diferentes da mesma operação.
Enquanto os argentinos mobilizam blindados desde a província de Buenos Aires, o Exército Brasileiro desloca sua artilharia de mísseis e foguetes desde o Centro-Oeste.
O ponto de encontro será o Exercício Combinado Arandú 2026.
A atividade foi estruturada para ampliar a interoperabilidade entre as forças terrestres dos dois países, envolvendo diferentes armas e especialidades.
Nesse contexto, o ASTROS acrescenta ao exercício uma capacidade que vai além do combate aproximado dos blindados: apoio de fogo de longo alcance.
Mobilidade é parte central do poder do ASTROS
O Sistema ASTROS foi concebido justamente para combinar poder de fogo e mobilidade.
Suas viaturas podem mudar de posição após o emprego, reduzindo a exposição a ações de contrabateria e permitindo que as unidades sejam redistribuídas conforme a evolução da operação.
Essa característica depende de uma logística capaz de acompanhar o ritmo do sistema.
O deslocamento de 2.800 quilômetros oferece uma demonstração concreta dessa exigência.
Não basta ter lançadores disponíveis. É preciso garantir combustível, munição, manutenção, comunicações e suporte às equipes durante todo o percurso e posteriormente no campo de instrução.
Esse é um dos aspectos menos visíveis da artilharia de mísseis e foguetes, mas também um dos mais decisivos para sua capacidade real de emprego.
Exército Brasileiro e Exército Argentino convergem para o mesmo exercício
O movimento brasileiro ocorre em sentido oposto ao deslocamento argentino, mas com o mesmo destino operacional.
De um lado, TAM 2C-A2 e Stryker 8×8 avançam rumo ao Rio Grande do Sul.
Do outro, o 6º Grupo de Mísseis e Foguetes percorre milhares de quilômetros levando o Sistema ASTROS para a mesma região.
Essa convergência ajuda a dimensionar o tamanho do Arandú.
O exercício não será apenas um encontro entre pequenas frações de tropas. Envolve blindados, artilharia, logística, cavalaria, infantaria e outros elementos dos dois exércitos.
Para o 6º GMF, a missão permite demonstrar justamente uma das capacidades centrais da unidade: sair de sua região de origem, percorrer longa distância com apoio próprio e chegar em condições de cumprir uma missão operacional.
Ao fim dos seis dias de deslocamento, o desafio deixa de ser chegar ao Sul e passa a ser integrar o ASTROS à estrutura combinada que será montada durante o exercício.