O primeiro pouso de helicóptero no Sirius ocorreu em Kobe, antes da incorporação à Armada. Construído para a hidrografia, o navio também empregou aviação em levantamentos na foz do Amazonas.
O primeiro pouso de helicóptero no Sirius, realizado em Kobe, no Japão, em 1957, marcou o início das operações desse tipo em conveses de navios da Marinha do Brasil. A embarcação que recebeu a aeronave havia sido construída para estudar águas e profundidades.
O Navio Hidrográfico Sirius, identificado pelo indicativo H21, também foi o primeiro da Força especialmente projetado e construído para o serviço de hidrografia. Sua incorporação ocorreu em 17 de janeiro de 1958, em Tóquio.
A Marinha do Brasil registra os dois pioneirismos e acrescenta outro: o Sirius foi o primeiro de seus navios a possuir aeronave orgânica, vinculada às atividades da própria embarcação.
O primeiro pouso de helicóptero no Sirius ocorreu ainda no Japão
O encontro entre navio e helicóptero aconteceu durante a permanência do Sirius no país onde foi construído. O pouso ocorreu no convoo, área do convés destinada às operações aéreas.
A cronologia situa esse marco em 1957, enquanto a incorporação à Armada aconteceu no ano seguinte. Assim, o episódio registrado em Kobe antecedeu tanto a entrada formal em serviço quanto a chegada da embarcação ao Brasil.
A presença de uma aeronave a bordo passou a integrar a trajetória de um navio dedicado à produção de conhecimento sobre o ambiente aquático. Essa ligação teria aplicação nos trabalhos hidrográficos em águas brasileiras.
Construção japonesa atendia a uma missão específica
O Sirius foi encomendado em 27 de abril de 1956, juntamente com o Canopus, seu irmão de classe. A construção ficou a cargo de um estaleiro em Tóquio.
A quilha, estrutura que serve de base ao casco, foi assentada em dezembro daquele ano. O lançamento ao mar ocorreu em 30 de julho de 1957, e a entrega aconteceu em dezembro.
Desde o projeto, o destino da embarcação era a hidrografia. Seu trabalho envolvia coletar informações sobre profundidades e características das águas e do fundo, necessárias à navegação e ao planejamento das atividades navais.
A viagem ao Brasil passou pelo Pacífico e pelo Caribe
Depois do recebimento, o Sirius seguiu de Tóquio para Kobe em fevereiro de 1958. De lá, iniciou a viagem ao Brasil em 15 de fevereiro, atravessando o Pacífico e seguindo pelo Canal do Panamá.
O itinerário incluiu escalas em Honolulu, São Francisco, Acapulco, Balboa e Curaçao. Já na costa brasileira, passou por Belém, Recife e Arraial do Cabo.
A chegada ao Rio de Janeiro ocorreu em 19 de maio de 1958. O deslocamento trouxe ao país uma embarcação concebida para executar levantamentos e equipada para operar com apoio aéreo.
Helicóptero auxiliou levantamentos na foz do Amazonas
Em 18 de setembro de 1958, o Sirius iniciou sua primeira comissão de levantamentos hidrográficos na foz do Rio Amazonas, sob o comando do então capitão de fragata Maximiano Eduardo da Silva Fonseca.
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Nessa missão, o helicóptero foi empregado como ferramenta de auxílio aos trabalhos. O episódio conecta o pioneirismo registrado no Japão à atividade que justificava a construção do navio.
Os levantamentos forneciam informações para conhecer as áreas navegáveis. A aeronave embarcada fazia parte dos recursos disponíveis para apoiar esse serviço, executado pelo navio e por suas equipes.
Dados coletados ajudavam a produzir cartas náuticas
A missão hidrográfica abrangia a coleta e o processamento de dados utilizados na construção e atualização de cartas náuticas, documentos que orientam a navegação.
A Marinha do Brasil descreve o Sirius como uma plataforma para pesquisas hidrográficas e oceanográficas. Seu emprego também contribuía para conhecer as condições físicas das áreas de operação das forças navais e apoiar projetos de pesquisa.
O pouso em Kobe ficou associado, portanto, à história de uma embarcação cuja função central era levantar informações sobre as águas. A aviação embarcada encontrou ali uma aplicação ligada ao conhecimento do território marítimo e fluvial.
Da construção japonesa aos trabalhos na foz do Amazonas, o Sirius aproximou duas atividades da Marinha: operar aeronaves a partir de navios e produzir informações para tornar a navegação mais segura.
Qual outro episódio da participação de navios de pesquisa na história da Aviação Naval merece ser mais conhecido? Conte nos comentários.