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O Exército mandou um capitão de Infantaria ao Canadá para ensinar guerra na selva no Canadian Army Advanced Warfare Centre, centro que prepara militares para operar em ambientes extremos

O Exército mandou um capitão de Infantaria ao Canadá para ensinar guerra na selva no Canadian Army Advanced Warfare Centre, centro que prepara militares para operar em ambientes extremos
Capitão de Infantaria do Exército Brasileiro foi designado para ensinar Guerra na Selva no Canadian Army Advanced Warfare Centre, em Trenton, no Canadá.
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Oficial brasileiro passa a atuar como instrutor em Trenton, onde o Exército canadense concentra treinamento especializado para selva, frio extremo, montanha, operações aeromóveis e paraquedismo

O Exército Brasileiro enviou um capitão de Infantaria ao Canadá para ensinar Guerra na Selva dentro de uma das principais estruturas de treinamento especializado das Forças Armadas canadenses. O destino é o Canadian Army Advanced Warfare Centre (CAAWC), instalado na 8 Wing Trenton, na província de Ontário.

O militar designado é o capitão Felipe Simplício Dias. A movimentação aparece em ato publicado no Diário Oficial da União de 17 de agosto de 2026, que registra sua designação para a Missão de Instrutor de Guerra na Selva no Canadian Army Advanced Warfare Centre, com efeitos a contar de 6 de julho de 2026.

A escolha do destino chama atenção. O Canadá é mundialmente associado ao frio e às operações no Ártico, mas mantém dentro de sua estrutura militar uma escola responsável também pela preparação para ambientes de selva.

E é justamente nesse campo que o Exército Brasileiro acumulou uma experiência que passou a ser compartilhada com militares estrangeiros.

Escola canadense ensina da selva ao Ártico

O Canadian Army Advanced Warfare Centre é descrito oficialmente pelo governo canadense como centro de excelência funcional do Exército para diferentes ambientes, incluindo selva, clima frio e terrenos complexos. Também atua em áreas como operações aerotransportadas, inserção por helicóptero, patrulhamento especializado e lançamento aéreo.

A instituição oferece mais de 20 cursos e qualifica, em média, mais de 600 integrantes das Forças Armadas canadenses por ano.

Isso muda a dimensão da missão brasileira.

Felipe Simplício Dias não foi enviado apenas para participar de um intercâmbio ou frequentar uma formação no exterior. O documento brasileiro o coloca do outro lado da sala de instrução: como instrutor.

É uma diferença importante. Em vez de importar conhecimento militar, nesse caso o Brasil está exportando uma especialidade.

Canadá mantém um centro de guerra avançada dentro de uma base aérea

O CAAWC funciona na 8 Wing Trenton, uma grande instalação da Real Força Aérea Canadense em Ontário. A própria estrutura oficial da base relaciona o centro de guerra avançada entre as organizações instaladas em Trenton.

A escola possui uma infraestrutura construída especificamente para treinamento especializado.

Quando o novo complexo foi inaugurado, em 2015, o governo canadense informou investimento de aproximadamente 36,5 milhões de dólares canadenses. A instalação tem quase 13 mil metros quadrados e inclui estruturas destinadas a escalada, rapel, treinamento e armazenamento de equipamentos.

Naquele período, o centro chegava a receber até mil alunos por ano. Hoje, a informação oficial aponta média superior a 600 militares qualificados anualmente.

Não é uma escola dedicada exclusivamente à selva.

Essa é justamente sua particularidade.

Paraquedismo, montanha, helicópteros e operações em ambientes extremos

Entre as atribuições atuais do CAAWC estão cursos relacionados a operações no Ártico, montanha, inserção por helicóptero, lançamento aéreo, controle de zonas de pouso e lançamento, Patrol Pathfinder e paraquedismo.

O centro também possui responsabilidade operacional.

Segundo o Exército canadense, a unidade precisa manter equipes em condições de mobilização rápida para determinadas contingências.

Isso significa que o capitão brasileiro chega a uma organização que não existe apenas para ministrar aulas.

Treinamento, experimentação e preparação operacional convivem no mesmo ambiente.

E, dentro desse conjunto bastante amplo de especialidades, a contribuição brasileira está claramente delimitada pelo ato publicado no DOU: Guerra na Selva.

Exército brasileiro já enviou outros instrutores de selva ao mesmo centro

Há um detalhe que transforma a designação de Felipe Simplício Dias em parte de uma história maior.

Ele não é o primeiro oficial brasileiro enviado para exercer essa função no Canadá.

Um documento oficial do Exército sobre missões no exterior mostra que, em 2021, o capitão de Infantaria Gustavo Henrique Vieira Carneiro já havia sido selecionado para atuar como Instrutor de Guerra na Selva no Canadian Army Advanced Warfare Centre, em missão prevista entre o terceiro trimestre de 2022 e o terceiro trimestre de 2023.

Há registros públicos de outro oficial brasileiro que também passou pela instituição canadense em período anterior.

Isso mostra que a presença de um instrutor brasileiro em Trenton não deve ser interpretada como uma experiência isolada.

Existe uma continuidade.

E essa continuidade é talvez o aspecto mais interessante da pauta: um país conhecido por preparar tropas para enfrentar algumas das condições de frio mais severas do planeta mantém, dentro de seu centro de guerra avançada, espaço para conhecimento brasileiro sobre combate em ambiente de selva.

Brasil construiu especialização própria na Amazônia

A presença brasileira no Canadá faz sentido quando observada a partir da experiência acumulada pelo Exército na Amazônia.

A Força mantém em Manaus o Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), responsável pela formação especializada para operações no ambiente amazônico.

O conhecimento desenvolvido nesse tipo de treinamento envolve muito mais do que simplesmente deslocar tropas em vegetação fechada. Orientação, sobrevivência, planejamento, logística, mobilidade, emprego de pequenas frações e adaptação do combatente ao ambiente fazem parte de uma doutrina construída durante décadas.

É justamente esse conhecimento acumulado que pode adquirir valor em intercâmbios militares.

Um país não precisa possuir uma Amazônia para precisar preparar tropas para ambientes de selva.

O intercâmbio funciona nos dois sentidos

Há ainda um aspecto estratégico nesse tipo de cooperação.

O Canadá possui experiência consolidada em operações de frio extremo e no Ártico. O Brasil possui uma escola de guerra na selva reconhecida internacionalmente.

As duas especializações partem do mesmo problema militar: como manter uma tropa capaz de combater quando o próprio ambiente já é um adversário.

No Ártico, temperaturas extremas afetam equipamentos, mobilidade e sobrevivência.

Na selva, calor, umidade, vegetação, cursos d’água e dificuldades logísticas impõem outro conjunto de obstáculos.

Não são ambientes comparáveis operacionalmente, mas compartilham uma exigência: tropas convencionais precisam de preparação específica para permanecer eficientes neles.

O intercâmbio entre países com experiências tão diferentes permite justamente essa circulação de conhecimento.

Capitão brasileiro está do lado de quem ensina

A portaria publicada agora é curta. Não informa quais turmas o capitão Felipe Simplício Dias instruirá, quantos militares canadenses receberão treinamento diretamente dele nem detalha o programa que ficará sob sua responsabilidade.

Também não estabelece, no trecho consultado, a duração total da missão.

O que está comprovado é suficientemente relevante: desde 6 de julho de 2026, o capitão de Infantaria foi designado pelo Exército para a missão de Instrutor de Guerra na Selva no Canadian Army Advanced Warfare Centre.

A missão coloca mais uma vez um oficial brasileiro dentro de uma escola estrangeira não para aprender uma especialidade, mas para ensiná-la.

O próximo ponto a acompanhar será a duração da permanência de Felipe no Canadá e as atividades de treinamento das quais participará em Trenton. A existência de designações brasileiras anteriores para a mesma função indica que a cooperação em Guerra na Selva entre os dois Exércitos já deixou de ser episódica.

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Felipe Alves da Silva

Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com