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Depois de sair do Brasil, major engenheira do Exército assume missão no Senegal para assessorar tecnicamente as Forças Armadas do país africano

Depois de sair do Brasil, major engenheira do Exército assume missão no Senegal para assessorar tecnicamente as Forças Armadas do país africano
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Oficial do Quadro de Engenheiros Militares deixa sua organização no Brasil para uma missão de assessoria técnica no Senegal, ampliando uma trajetória profissional ligada à engenharia e à pesquisa no IME

A major Luisa Carla de Alencar Menezes, do Quadro de Engenheiros Militares (QEM) do Exército Brasileiro, foi designada para uma missão no Senegal, onde passará a atuar como assessora técnica de Engenharia junto às Forças Armadas do país africano.

A movimentação consta de ato publicado no Diário Oficial da União de 17 de agosto. A designação coloca uma oficial brasileira em uma função que vai além de curso ou visita técnica: trata-se de uma missão de assessoramento militar no exterior.

O nome da major ajuda a dimensionar o perfil escolhido pelo Exército. Documentos da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército identificam Luisa como oficial do QEM, formada na turma de 2011 e vinculada ao Instituto Militar de Engenharia (IME).

É justamente essa combinação — carreira militar e conhecimento técnico especializado — que dá outra dimensão à missão no Senegal.

Major construiu trajetória ligada à engenharia no IME

Luisa não chega à missão africana apenas com experiência administrativa de caserna.

Documentação relacionada a projeto apoiado pela Finep identifica Luisa Carla de Alencar Menezes Paz como mestre pelo Instituto Militar de Engenharia, com atuação em pesquisas relacionadas a rodovias, ferrovias e aeroportos. O mesmo documento a relaciona ao IME na condição de pesquisadora.

Há também produção acadêmica publicada em seu nome na área de engenharia.

Em trabalho apresentado no XX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica, Luisa aparece entre os autores de um estudo sobre a influência da condutividade hidráulica de solos não saturados quando empregados em sublastro ferroviário.

O detalhe é relevante porque mostra que o envio de uma oficial do QEM para assessoramento no exterior não ocorre desconectado de sua especialidade.

No Exército, o Quadro de Engenheiros Militares concentra profissionais de formação técnica superior empregados em áreas que vão de engenharia e infraestrutura a pesquisa, desenvolvimento e atividades científicas.

No Senegal, essa experiência passa a ser colocada à disposição de uma força estrangeira.

Não é simplesmente uma viagem oficial ao Senegal

Há uma diferença importante entre enviar um militar para participar de uma conferência, realizar um curso e mantê-lo no exterior exercendo uma função de assessoramento.

No primeiro caso, o conhecimento normalmente é buscado fora e posteriormente trazido para o Brasil.

No segundo, ocorre o movimento inverso.

É o Exército Brasileiro que passa a fornecer conhecimento e pessoal especializado a outro país.

Esse tipo de missão funciona também como instrumento de relacionamento militar. A presença prolongada de um oficial dentro ou junto à estrutura de defesa estrangeira cria contatos profissionais e permite uma interação muito mais profunda do que aquela proporcionada por uma visita institucional de poucos dias.

A portaria encontrada no Diário Oficial é objetiva quanto à função: a major foi designada para missão de assessora técnica de Engenharia no Senegal.

O documento, porém, não detalha quais projetos específicos ficarão sob responsabilidade da brasileira. Por isso, não é possível afirmar, apenas com base no ato, se ela trabalhará com obras militares, estradas, instalações, planejamento de infraestrutura ou outro segmento da engenharia.

Brasil mantém militares em funções muito diferentes no exterior

A designação ocorre dentro de uma movimentação internacional mais ampla do Exército.

A mesma edição do Diário Oficial registra oficiais brasileiros enviados para missões bastante distintas.

Um capitão de Infantaria foi designado como instrutor de Operações na Selva junto à Lightning Academy da 25ª Divisão de Infantaria dos Estados Unidos. Outro capitão seguirá para o Canadá como instrutor de Guerra na Selva no Canadian Army Advanced Warfare Centre.

Há ainda um capitão de Cavalaria designado para atuar como observador militar das Nações Unidas no Sudão do Sul, enquanto outro oficial seguirá para os Estados Unidos para realizar o Curso de Aperfeiçoamento de Capitães de Artilharia de Campanha.

São missões diferentes, mas revelam uma característica pouco visível da rotina das Forças Armadas: parte do efetivo brasileiro permanece espalhada por organizações militares, escolas e missões internacionais muito além das fronteiras nacionais.

No caso de Luisa, o conhecimento exportado é o de engenharia.

A oficial já possui histórico de missão no exterior

A documentação pública também mostra que esta não é a primeira experiência internacional da oficial.

Em ato publicado pelo Exército em 2020, Luisa — então capitão do QEM — aparece entre os militares que tiveram sua situação administrativa revertida após o término de uma missão no exterior.

O registro reforça que a atual designação para o Senegal não surge no início de sua carreira.

Outro documento oficial da ECEME, mais recente, já a identifica como major QEM, da turma de 2011, tendo o Instituto Militar de Engenharia como organização militar.

É uma progressão que ajuda a contar a história por trás da portaria: uma oficial formada dentro da estrutura técnica do Exército, com experiência acadêmica e atuação em engenharia, chega agora a uma função de assessoramento internacional.

Engenharia também é instrumento de cooperação militar

Quando se fala em cooperação entre Forças Armadas, exercícios conjuntos, intercâmbio de tropas e treinamento operacional costumam receber mais atenção.

Engenharia aparece menos.

Mas infraestrutura militar é parte essencial da capacidade de qualquer força: instalações, estradas, mobilidade, planejamento territorial e suporte físico às operações condicionam aquilo que uma tropa consegue efetivamente executar.

É por isso que uma missão de assessoramento técnico pode produzir efeitos que não aparecem em fotografias de exercícios ou grandes cerimônias.

O militar não precisa estar ensinando tiro ou tática para transferir conhecimento militar. Engenharia também é capacidade de defesa.

No caso do Senegal, a extensão dessa participação brasileira só poderá ser medida quando houver mais informações sobre as atividades efetivamente desempenhadas pela major.

Do IME para uma missão militar na África

Por enquanto, o Diário Oficial fornece o elemento central: o Exército designou Luisa Carla de Alencar Menezes para atuar como assessora técnica de Engenharia junto às Forças Armadas do Senegal.

Sua trajetória conhecida ajuda a explicar a escolha. A oficial pertence ao QEM, está vinculada ao Instituto Militar de Engenharia e possui formação e produção técnica relacionadas à infraestrutura.

O próximo capítulo será escrito fora do Brasil.

A partir da missão no Senegal, o que merece ser acompanhado é em quais projetos a engenharia militar brasileira será empregada e até onde esse assessoramento poderá aprofundar a cooperação de defesa entre os dois países.

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Felipe Alves da Silva

Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com