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Helibras precisa de 50 H145 para abrir linha de produção no Brasil

Projeto Brasil-França prevê R$ 1 bilhão em investimentos, enquanto a necessidade do Exército já se aproxima de 19 aeronaves. A nova linha aproveitaria a capacidade industrial criada em Itajubá durante o programa H-XBR.

Helibras precisa de 50 H145 para abrir linha de produção no Brasil
H145M em configuração militar. A Helibras estima que uma demanda mínima de 50 aeronaves seria necessária para viabilizar uma linha de produção do modelo no Brasil. Imagem: Airbus Helicopters
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A Helibras precisa de uma demanda mínima de 50 H145 para tornar economicamente viável uma linha de produção do helicóptero no Brasil. O número surge quando a fábrica de Itajubá (MG) encerra o ciclo de 47 H225M e busca um novo programa para aproveitar a capacidade industrial construída no país.

Segundo informações divulgadas sobre os planos da fabricante, uma encomenda federal de aproximadamente 50 aeronaves daria a escala necessária para avançar com a produção nacional.

Exército já mira cerca de 19 H145

Helicóptero militar H145M em voo durante operação
H145M em voo. O modelo militar é considerado pelo Exército Brasileiro para substituir os HA-1A Fennec, com necessidade que já se aproxima de 19 aeronaves. Imagem: Airbus Helicopters

Parte dessa demanda pode vir diretamente das Forças Armadas.

A necessidade inicialmente apresentada pelo Exército Brasileiro era de 10 a 12 helicópteros. Dados mais recentes divulgados sobre o planejamento apontam que essa necessidade já se aproxima de 19 unidades.

O interesse militar está concentrado no H145M, considerado para substituir os HA-1A Fennec da Aviação do Exército.

A configuração estudada inclui metralhadora, canhão de 20 mm, foguetes guiados e míssil, além de sistemas de autoproteção e guerra eletrônica.

Ainda não existe contrato para essas aeronaves. Os cerca de 19 helicópteros representam uma necessidade atribuída ao Exército; os 50 são a escala mínima apontada para viabilizar uma linha brasileira.

R$ 1 bilhão pode levar H145 a Itajubá

O projeto vai além de uma eventual encomenda do Exército.

Brasil e França assinaram uma carta de intenções para transformar a Helibras em polo de produção e exportação do H145. A iniciativa prevê cerca de R$ 1 bilhão em investimentos e a possibilidade de fabricar até 200 helicópteros em 15 anos para os mercados brasileiro e internacional, conforme informou a Reuters.

As 200 aeronaves são uma projeção industrial, e não uma compra já contratada pelo Brasil.

Um primeiro movimento concreto, porém, já tem data: parte das cablagens do H145 começará a ser produzida no Brasil em 2027, inserindo Itajubá na cadeia global de fornecimento da aeronave.

H145 pode suceder ciclo de 47 H225M

A movimentação acontece justamente quando outro grande programa chega ao fim na fábrica mineira.

A produção brasileira do H225M será encerrada após 47 helicópteros para as Forças Armadas. A última aeronave está em fabricação em Itajubá e será destinada à Força Aérea Brasileira, como mostrou a Folha de S.Paulo.

O H-XBR deixou mais do que aeronaves. O programa ampliou a infraestrutura e o conhecimento industrial acumulado pela Helibras no país.

É essa capacidade que a fabricante pretende aproveitar caso consiga transformar o H145 em seu próximo grande programa no Brasil.

Do PROSUB ao H145, Defesa movimenta indústria

O movimento encontra paralelo em outros grandes programas brasileiros de Defesa.

O PROSUB criou infraestrutura e capacidade nacional para a construção de submarinos. Já as quatro fragatas Classe Tamandaré são construídas no Brasil dentro de um programa estimado em R$ 13,9 bilhões até 2030, com transferência de tecnologia e participação da indústria nacional, segundo o Correio Braziliense.

Essa relação entre Defesa, soberania e indústria nacional também é defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o lançamento da fragata Cunha Moreira, em junho, Lula voltou a destacar a capacidade brasileira de produzir seus próprios equipamentos militares.

O H145, porém, ainda está em uma etapa anterior à dos submarinos e fragatas. A produção completa do helicóptero no Brasil não está contratada.

A Helibras colocou agora a escala necessária sobre a mesa: uma demanda mínima de 50 H145 para abrir uma nova linha de produção no país.

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Miguel Ángel Scovenna Rivero y Hornos

Miguel Ángel Scovenna Rivero y Hornos

Analista em defesa, geopolítica e segurança internacional, com foco em assuntos militares, indústria de defesa e relações estratégicas na América Latina e no cenário global. Atua como colaborador da Revista Sociedade Militar, onde publica análises sobre política de defesa, capacidades militares e impactos geopolíticos de decisões estratégicas internacionais.