A regra está no artigo 162, inciso V, do Código de Trânsito Brasileiro, e o detalhe que pega a maioria não é a multa: é a retenção do veículo no local da abordagem até alguém com habilitação válida assumir a direção.
A carteira vence e quase ninguém percebe no dia.
O documento fica na gaveta, o carro continua saindo da garagem e a vida segue igual.
Até a primeira abordagem.
A partir do 31º dia de vencimento, dirigir com aquele documento é infração gravíssima.
Os 30 dias de tolerância
O Código de Trânsito Brasileiro dá um prazo de folga depois da data impressa na carteira.
São 30 dias em que o condutor ainda pode dirigir sem ser autuado por esse motivo.
É o período pensado para quem já agendou a renovação e está esperando o documento novo.
O prazo conta a partir da data de validade impressa no documento, não do aniversário do condutor.
Passado esse prazo, a proteção acaba.
Direito de motorista em fiscalização é assunto que gera confusão em qualquer roda de conversa, e a recusa ao bafômetro é o caso mais discutido: não é crime, mas tem preço fixado em lei.
O artigo 162, inciso V
A infração está no artigo 162, inciso V, do CTB.
A conduta descrita é dirigir veículo com a validade da habilitação vencida há mais de trinta dias.
A classificação é gravíssima, o degrau mais alto da escala de infrações.
Não existe versão leve dessa autuação.
O agente registra a infração no ato da abordagem, com base na consulta ao sistema.
A carteira digital não muda nada: se a validade venceu, o aplicativo mostra o mesmo vencimento.
Quanto custa
A multa é de R$ 293,47.
São sete pontos na carteira, o que a infração gravíssima sempre gera.
O valor é o mesmo em todo o território nacional, porque a tabela é federal.
Sobre o valor incide ainda a taxa de expediente cobrada por alguns órgãos autuadores.
Quem paga em até 30 dias e não recorre costuma ter desconto de 20% previsto no próprio código.
Pagar a multa não regulariza a habilitação: a renovação continua pendente.
E enquanto a renovação não sai, cada nova abordagem gera nova autuação pelo mesmo motivo.
Não existe limite de quantas vezes o condutor pode ser multado pela mesma pendência.
O carro fica onde está
Aqui está a parte que costuma surpreender.
A penalidade não é só financeira: o veículo é retido no local.
Ele só é liberado quando aparece um condutor habilitado para assumir a direção.
Se ninguém aparecer, o carro segue para o depósito, e aí entram diária de pátio e taxa de remoção.
A regra vale para qualquer placa, inclusive oficial, e já houve caso de viatura do Exército autuada por velocidade.
Os pontos e o que eles disparam
O sistema de pontuação mudou com a Lei 14.071, de 2020, e passou a ter três faixas.
O motorista perde o direito de dirigir ao somar 20 pontos se tiver duas ou mais infrações gravíssimas no período de 12 meses.
O limite sobe para 30 pontos com uma única gravíssima, e para 40 pontos quando não há nenhuma.
Uma autuação por CNH vencida já joga o condutor para a faixa mais apertada.
Atingido o limite, o processo de suspensão é instaurado pelo Detran, com direito a defesa e a recurso.
A suspensão costuma variar de seis meses a um ano, e exige curso de reciclagem para reaver o documento.
Quanto tempo dura a carteira
A validade da habilitação depende da idade do condutor.
Para quem tem menos de 50 anos, a CNH vale 10 anos.
Entre 50 e 70 anos, cai para cinco anos.
A partir dos 70, são três anos.
Essas faixas valem desde 2021, quando a Lei 14.071 entrou em vigor e esticou o prazo que antes era de cinco anos para todo mundo.
Quem exerce atividade remunerada ao volante tem regra própria e prazo mais curto.
Não confundir com dirigir sem habilitação
CNH vencida e ausência de habilitação são coisas diferentes no código.
Dirigir sem nunca ter sido habilitado é o inciso I do mesmo artigo 162, com multa multiplicada por três e valor perto de R$ 880.
A retenção do veículo vale para os dois casos.
A diferença aparece no valor e no efeito: quem nunca se habilitou não tem carteira para perder pontos.
Quem está com a carteira suspensa e dirige responde por infração ainda mais grave.
Nesse caso a multa também é multiplicada e o condutor pode responder na esfera criminal se houver perigo concreto.
O que a renovação exige
O processo começa no Detran do estado, hoje quase sempre pela internet.
Exige exame de aptidão física e mental e, dependendo da categoria, avaliação psicológica.
Para as categorias profissionais entrou também o exame toxicológico, que deixou de ser exclusividade de caminhoneiro.
Há taxa estadual, que varia de um estado para outro.
O prazo de emissão depende do Detran, e em alguns estados o documento provisório sai no mesmo dia do exame.
Quem depende do carro para trabalhar deve começar o processo antes do vencimento, e não depois.
O sistema do Detran avisa por aplicativo quando a data se aproxima, desde que o cadastro esteja atualizado.
O que fazer na abordagem
Se a carteira já venceu e a blitz para o carro, não há argumento que evite a autuação.
O que dá para fazer é chamar alguém habilitado para tirar o veículo do local e evitar o pátio.
Diária de pátio corre por conta do proprietário e some rápido com qualquer economia.
A fiscalização também ficou mais difícil de driblar, com equipes usando até drones com câmera térmica em blitz.
Vale lembrar que a autuação por documento vencido não depende de infração de conduta.
O motorista pode estar dirigindo dentro da velocidade, com cinto e sem beber, e ainda assim levar a gravíssima.
O artigo 162 está em vigor desde 22 de janeiro de 1998, quando o Código de Trânsito Brasileiro passou a valer.
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