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Forças Armadas

QESA – Eles também são concursados. Os quadros especiais e suas especificidades

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Segundo artigo da Série: Quadros Especiais de Sargentos das Forças Armadas

Quadro Especial de Sargentos da Aeronáutica – Eles também são concursados

Em um documento enviado aos parlamentares poucos dias antes da votação do Pl1645, o Ministro da Defesa, um general de EXÉRCITO, diz que os militares dos quadros especiais “ingressaram nas forças pelo recrutamento”. O ministro não poderia estar mais enganado ao generalizar a coisa. Como oficial general, responsável pelas três forças armadas, fica evidente que não consultou assessores antes de enviar um documento tão importante para parlamentares, e que provavelmente acabou induzindo-os ao erro.

O QESA, quadro especial de sargentos da Aeronáutica, é formado de militares que ingressaram na força de formas diferentes. O Quadro Especial de Sargento da Aeronáutica (QESA) é formado por militares oriundos do Quadro de Cabos da Aeronáutica (QCB) que ao completarem vinte anos da graduação ascendem a Terceiro Sargento.

Na FAB, atualmente, existem dois grupos de Cabos no Quadro de Cabos da Aeronáutica (QCB),que  adquirem estabilidade e posteriormente se transformam em QESA

GRUPO 1  –  QCB/ QESA     Oriundos do   Serviço Militar Inicial  (SMI)

Esse grupo é composto por militares que se alistaram na FAB, pelo Serviço Militar Inicial (SMI) e que por conta das legislações vigentes e de interesse da própria Força Aérea Brasileira, foram promovidos a Soldado de Primeira Classe e a Cabo, após seleção, e conseguiram estabilidade após 10 anos de serviço ativo com seguidas avaliações de superiores.

GRUPO 2 – QCB/ QESA, militares que ingressaram na FAB por meio de concurso público

Esse grupo é composto por militares que ingressaram na FAB, por concurso público: Soldados Especializados.

O concurso de admissão era destinado a civis e militares, regido por edital e portarias, com taxa de inscrição, Exame de escolaridade, Inspeção de Saúde, Exame de Aptidão Psicológica, Teste de Condicionamento físico, concentrações, percorrendo todos os trâmites/ fases inerentes ao certame, encerrando-se com a matrícula no curso de formação, onde o aluno que não alcançasse a media mínima era desligado.

O passo seguinte na carreira foi passarem a Cabos Especialistas após curso.  O concurso de admissão era destinado aos Soldados Soldados Especializados, regido por edital e portaria, com todo tramite inerente a concursos públicos, com vagas limitadas.  O curso era realizado na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) onde os alunos recebiam Instrução Técnico–Especializada para realizar as diversas tarefas que executariam no seu quotidiano militar como especialistas.

Foi uma trajetória totalmente meritocrática. Os Cabos formados pela EEAR possuem o título de Especialistas, tendo em vista a Função daquela Instituição de Ensino prevista no Art. 1º do Decreto-lei Nº 3.141, de 25 de março de 1941, que diz: “Fica criada no Ministério da Aeronáutica, a Escola de Especialistas de Aeronáutica, que se destina à formação dos especialistas da Aeronáutica”.

Conclusão

Portanto, mais uma vez se comprova que o Ministério da Defesa errou ao dizer que militar do QUADRO ESPECIAL NÃO FEZ CONCURSO, existem militares QESA concursados e os que não realizaram concursos para ingresso na AERONÁUTICA não possuem menos mérito, pois permaneceram na Força Aérea por conta de legislações que permitiam isso e que – obviamente – foram elaboradas por oficiais da própria Força Aérea Brasileira.
Material construído com colaboração de leitores.


Veja o artigo:
O QESM – Quadro especial de sargentos da Marinha

A contribuição ABAIXO foi recebido de um MILITAR do QUADRO ESPECIAL DE SARGENTOS DA AERONÁUTICA, é um relato que fornece uma visão importante sobre a situação vivida por militares da categoria.

No meu concurso para Cabo na FAB em 1980, tinham 14 vagas e 176 candidatos concorrendo. Isto, só na minha Unidade Militar, em Barbacena-MG. Pois os que passassem no concurso, como eu passei, seriam transferidos para o GAP nos Afonsos, no Rio de Janeiro, se unindo a um grande grupo do COMAR, para a realização da primeira fase do curso de formação de Cabos, com duração de três meses. Sendo o dia inteiro de carga horária, de intensos estudos e provas, sob várias matérias, onde além das várias de cunho militar, também eram ministradas matemática, física, desenho técnico, português, entre outras.

Já na segunda fase, após ter sido aprovado na primeira fase, fui transferido para a Base Aérea do Galeão, para realizar a segunda fase do curso, com duração de mais três meses, com novamente, intensas aulas e provas, onde tive que me profissionalizar na especialidade “SAD”, em que eu haveria de me formar. Chegando eu, a pagar, realizar e formar em um curso extra, fora do quartel, frequentando e formando no Curso Nações, em Bonsucesso, durante à noite, visando o meu êxito na minha formação no Curso de Cabos da FAB, do Terceiro COMAR, que era muito pesado e exigido. Onde tenho amigos de turma neste curso, que hoje são coronéis, e que se lembram e falam que o curso era muito intenso e exigido mesmo, onde muitos eram e foram reprovados. Depois, fomos avaliados via ficha de avaliação de graduados-FAG, ano a ano, até conseguirmos estabilizar como Cabos. Onde muitos (+- 90%) não conseguiram estabilizar e tiveram que ir embora.

   No ano de 1981, foi criado o Quadro de Cabos mulheres na FAB. Elas entraram, e dentro do princípio da hierarquia, tínhamos precedência hierárquica sobre elas.      No ano de 1983, através de uma portaria interna, promoveu-se TODAS as Cabos mulheres à graduação de Sargento, onde nós, os Cabos homens, ficamos esquecidos e humilhados.
    Depois de 20 anos, e somente para os Cabos que tinham este tempo de 20 anos de graduados, foi concedido realizar um Estágio de Adaptação à Graduação de Sargento, com duração de 5 meses, ministrado pela Escola de Especialistas da Aeronáutica. Estágio este, realizado junto com os Taifeiros, onde eles diferentemente, precisavam ter apenas 14 anos de serviço.
      Não bastando a ABSURDA discriminação já sofrida pelos Cabos homens em relação as Cabos mulheres, e que neste ínterim, elas já eram em sua grande maioria Suboficiais, os Taifeiros subordinados aos Cabos, após formarem no mesmo estágio de adaptação à graduação de Sargentos, na mesma sala de aula e currículo, e ainda, até ajudados pelos Cabos, pois em suas labutas diárias, estavam alheios à convivência do cerne das atividades militares, foram nomeados terceiros sargentos, com um fluxo de carreira até Suboficial. E nós, já tão discriminados como Cabos, nos fizeram assinar um documento, como condição sine qua non para sermos apenas Terceiros Sargentos, onde nossas carreiras findariam nesta humilde graduação, na qual permanecemos.
      No ano de 2010, através da lei 12158, sancionada pelo exmo. sr. presidente, até os Taifeiros da Reserva, foram promovidos à graduação de Suboficial, e nós, os velhos e maltratados Cabos,   atuais Terceiros Sargentos do QESA, continuamos de pires nas mãos, aguardando até os dias atuais, por alguém de coração JUSTO que se compadeça a nos ajudar. Cabendo salientar, que até no Exército, sem ter os cursos e estágio de adaptação cobrados e ministrados até então à nós Cabos naquela época na Aeronáutica, os Cabos do Exército chegam até à graduação de Segundo Sargento. E ainda lutam e buscam por igualdade com o Taifeiro da Aeronáutica, para chegar até à graduação de Suboficial. Sabendo-se que eles não foram preteridos em nada ou fazem cursos e/ou estágios, como nós o fizemos.
      Sabedouro que os integrantes do QESA realizaram concurso para o CFC,  concluíram o curso, fizeram o estágio para Sargento, foram preteridos no direito de recebimento do tratamento de igualdade com as Cabos mulheres e os Taifeiros, inclusive os da reserva, e NÃO PASSAM DE HUMILHADOS TERCEIROS SARGENTOS, pela nossa grandiosa e querida Aeronáutica Brasileira. Que verdadeiramente e apesar de tudo, amamos nossa força, respeitamos e admiramos nossas autoridades.
      Agora, para piorar AINDA MUITO MAIS, veio o PL 1645/2019, que virou a lei 13.954/2019, onde as categorias de cima chegaram a receber 73% de aumento com as suas gratificações, e nós Sargentos do QESA, recebemos UNICAMENTE 3% na gratificação de especialização, que nos deu um valor aproximado de R$ 103,00 (cento e três reais), por ano, até 2023, que sequer representa as perdas inflacionárias passadas, presentes e futuras.

Revista Sociedade Militar

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