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O Exército quer comprar peças para o robô cirúrgico Da Vinci, a Força Aérea vai construir uma usina solar em Barbacena e consertar o estande de tiro da Academia, e há quatro compras sendo feitas direto de Washington

O Exército quer comprar peças para o robô cirúrgico Da Vinci, a Força Aérea vai construir uma usina solar em Barbacena e consertar o estande de tiro da Academia, e há quatro compras sendo feitas direto de Washington
Militares das Forças Armadas brasileiras em imagem de arquivo, sem relação direta com as licitações citadas. Foto: Palácio do Planalto, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

O balanço reúne os avisos de licitação das três Forças publicados na seção 3 do Diário Oficial de 12 de agosto de 2026. A maioria abre proposta no mesmo dia e tem sessão marcada para a segunda quinzena do mês.

Dá para entender bastante do que uma Força Armada está precisando só lendo o que ela colocou em disputa. A seção 3 do Diário Oficial da União de 12 de agosto de 2026 traz mais de trinta avisos de licitação do Exército, da Marinha e da Força Aérea, e a lista vai de robô cirúrgico a gás de cozinha. Quase todos abriram recebimento de proposta no mesmo dia e marcaram sessão para a segunda quinzena de agosto. É o outro lado da conta que faz o país aumentar o gasto militar quatro vezes acima da média mundial sem ver os programas grandes andarem.

O robô cirúrgico do Hospital Central do Exército

A licitação mais chamativa da edição é do Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro. O objeto é a aquisição, em caráter definitivo, de equipamentos e materiais permanentes de suporte ao sistema robótico cirúrgico Da Vinci XI. A sessão está marcada para 25 de agosto, às 15h.

O Da Vinci é a plataforma de cirurgia robótica mais difundida do mundo, usada em procedimentos de urologia, ginecologia e cirurgia geral, em que o cirurgião opera braços mecânicos a partir de um console. Um hospital militar com essa tecnologia é indicativo do nível de atendimento que o sistema de saúde das Forças oferece ao beneficiário.

Uma usina solar para a guarnição de Barbacena

A Escola Preparatória de Cadetes do Ar abriu concorrência para contratar empresa que implante uma usina fotovoltaica na Guarnição de Aeronáutica de Barbacena, em Minas Gerais. É a maior obra em disputa na edição, e a sessão foi marcada para 17 de setembro.

Geração própria de energia em organização militar não é só economia de conta de luz. É autonomia elétrica em caso de apagão, e vem se tornando padrão em guarnição que precisa manter comunicação e refrigeração funcionando sem depender da rede.

O estande de tiro da Academia da Força Aérea

A Academia da Força Aérea, em Pirassununga, licitou serviço de engenharia para medidas corretivas no estande de tiro. A expressão medidas corretivas indica que alguma inspeção apontou problema a ser resolvido, ainda que o aviso não detalhe qual.

A mesma unidade colocou em disputa a aquisição de material laboratorial e a manutenção de fornos com fornecimento de peças. As três sessões estão marcadas para a segunda quinzena de agosto e para setembro.

Unidade Objeto Abertura
Hospital Central do Exército Equipamentos de suporte ao robô cirúrgico Da Vinci XI 25 de agosto
Escola Preparatória de Cadetes do Ar Implantação de usina fotovoltaica em Barbacena 17 de setembro
Academia da Força Aérea Medidas corretivas no estande de tiro 26 de agosto
Centro Logístico da Marinha Sistema de distribuição de antenas da Corveta Barroso 24 de agosto
Comando-Geral de Apoio da FAB Quatro pregões conduzidos de Washington 2 de setembro
7º Batalhão de Engenharia de Construção Táxi aéreo e transporte fluvial no Acre 26 de agosto
Centro de Aquisições Específicas Mobiliário de escritório padronizado, 50 itens 25 de agosto
As licitações de maior relevância publicadas na edição.

Quatro compras feitas direto de Washington

O Comando-Geral de Apoio da Força Aérea publicou quatro avisos com endereço fora do Brasil: 1701, 22nd Street NW, sede da Comissão Aeronáutica Brasileira em Washington. Todos com sessão em 2 de setembro e edital disponível no site da própria comissão.

São os pregões 225, 226, 227 e 228 de 2026. Um deles trata de aquisição de produtos especiais dentro do chamado Projeto PE, sem detalhamento no aviso. Outro cuida de materiais permanentes para o Projeto GL, da classe geral do parque de material aeronáutico de Lagoa Santa.

O que são o C-95 e o C-97

Os outros dois pregões de Washington têm destino claro. Um compra material de consumo para suporte à manutenção das aeronaves C-97, e o outro para as C-95.

C-95 é a designação militar do Bandeirante, o bimotor turboélice que a Embraer entregou à Força Aérea a partir dos anos 1970 e que ainda voa em transporte leve. C-97 é o Brasília, também da Embraer, usado em transporte de pessoal e carga. São aeronaves antigas, e comprar peça para elas pelo mercado americano é o caminho normal quando o item saiu de linha no Brasil.

A Corveta Barroso vai trocar as antenas

O Centro Logístico do Material da Marinha abriu pregão para aquisição do sistema de distribuição de antenas da Corveta Barroso, com sessão em 24 de agosto.

A Barroso é o navio da classe Inhaúma modernizado e construído no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, incorporado em 2008 depois de um longo período em estaleiro. Sistema de distribuição de antenas é o que reparte os sinais de comunicação e guerra eletrônica entre os equipamentos de bordo.

Manter navio antigo em condições de operar é justamente o gargalo que a Marinha vem tentando resolver com encomenda nova, movimento que aparece também na Europa, onde a procura por meio novo levou fabricantes a dobrar linha de produção.

Táxi aéreo e barco para chegar ao Acre

O 7º Batalhão de Engenharia de Construção publicou dois avisos que contam sozinhos a geografia da Amazônia. Um contrata transporte aéreo não regular, o táxi aéreo, de passageiros e carga fracionada na rota Rio Branco a Santa Rosa do Purus. O outro contrata transporte fluvial de pessoal e carga.

Os dois saem do mesmo processo administrativo e têm sessão no mesmo dia, 26 de agosto. Santa Rosa do Purus fica na fronteira com o Peru e não tem estrada, o que deixa avião e barco como as únicas opções de acesso.

O batalhão também licitou serviços gráficos por registro de preços, pelo Comando de Fronteira do Acre. São três contratações da mesma região na mesma edição, o que dá a medida do esforço logístico de manter unidade militar em área sem acesso rodoviário.

O buffet da 8ª Região Militar

A Base de Administração e Apoio da 8ª Região Militar, em Belém, republicou o edital de contratação de serviço de buffet, coquetel e decoração de eventos. O motivo da alteração é técnico: faltavam anexos, entre eles o termo de referência, o estudo técnico preliminar e a minuta contratual.

É contrato de despesa protocolar, do tipo que sempre gera discussão pública quando aparece em ano de aperto orçamentário. A sessão foi remarcada para 26 de agosto.

Comida, gás e limpeza, o volume invisível

A maior parte dos avisos trata do que mantém quartel funcionando. O Grupamento de Apoio dos Afonsos, no Rio, comprou massas e também frios e embutidos para o serviço de subsistência. O Centro de Intendência da Marinha em Manaus licitou cestas básicas de alimentos e higiene para doação a usuários do núcleo de assistência social.

Gás de cozinha aparece três vezes, na 1ª Brigada de Infantaria de Selva, na 9ª Bateria de Artilharia Antiaérea e no 2º Centro de Geoinformação. Somam-se a isso material de higiene e limpeza, saneantes, material descartável, óleos lubrificantes e peças de viatura, num retrato de que a rotina consome muito mais linhas de edital do que qualquer programa de reequipamento.

A carteira de identidade militar com chip

O Serviço de Identificação da Marinha republicou o edital para personalização de dados e imagens em cartões de identidade de policarbonato com chip, com gravação a laser. A alteração foi feita para incluir a minuta do contrato, que não havia sido disponibilizada antes.

Policarbonato com gravação a laser é o padrão usado hoje em passaporte e carteira de identidade nacional, porque a informação fica dentro do plástico e não sobre ele, o que dificulta falsificação.

As compras que foram adiadas, e por quê

Sete avisos da edição são de alteração de edital, e os motivos ajudam a entender onde o processo trava. A Prefeitura Militar de Brasília remarcou a compra de baterias, pneus, rodas e lubrificantes depois de acolher uma impugnação por erro material no instrumento convocatório.

A Policlínica Militar de Porto Alegre suspendeu o pregão de manutenção de dois elevadores tipo maca por causa de erro no envio do termo de referência ao sistema, que acabou divulgado sem o documento. O Hospital Central da Marinha alterou o termo de referência da manutenção elétrica do auditório após impugnação, e o Hospital Central do Exército desmembrou um item de reagentes de bacteriologia.

O morteiro que precisou de desenho técnico

O Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro adiou de 3 para 13 de agosto o início das propostas na compra de peças e ferramentas para o morteiro 60 milímetros. A justificativa registra a necessidade de analisar questionamentos de interessados e de complementar o edital com desenhos técnicos.

É um recado sobre a dificuldade de comprar componente de armamento no mercado comum: sem desenho, fornecedor não cota. Situação parecida deixou uma licitação espanhola de programador de munição sem nenhuma proposta.

O que já foi decidido

A edição traz também resultados. A Brigada de Infantaria Paraquedista homologou dois pregões: um de contêineres habitacionais para a base avançada de salto livre no aeroporto de Resende, no Rio, e outro de colete tático.

A 23ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada divulgou o resultado de um registro de preços de material de combate a incêndio, mergulho e engenharia, com motosserra, perfurador de solo e ferramenta de campo. Foram 42 empresas vencedoras, a maioria com valores abaixo de R$ 25 mil, o que mostra como esse tipo de ata pulveriza fornecedor pequeno.

O mobiliário volta à cena

O Centro de Aquisições Específicas, no Galeão, abriu pregão para aquisição sob demanda de mobiliário de escritório padronizado, com 50 itens licitados e sessão em 25 de agosto.

Compra de móvel por registro de preços é assunto sensível na Força depois que o Tribunal de Contas apontou que o Exército estimou 4.585 móveis e comprou 19, diferença de 241 vezes que abriu espaço para outros órgãos usarem a ata.

A compra que vem da agricultura familiar

O Centro de Intendência da Marinha em Salvador abriu chamada pública para adquirir gêneros alimentícios diretamente de agricultores familiares e empreendimentos familiares rurais, no âmbito do Programa de Aquisição de Alimentos.

Não é licitação comum: é dispensa prevista em lei específica, na modalidade compra institucional. Os interessados têm até 14 de setembro para apresentar documentação e proposta de venda, e o edital está no portal de licitações e contratos da Marinha.

Como acompanhar e quem pode participar

Praticamente todos os avisos remetem ao mesmo endereço, o portal de compras do governo federal operado pelo Serpro, onde o edital fica disponível e a sessão acontece em formato eletrônico. Cada aviso traz o número do processo, a data de início de recebimento das propostas e a data de abertura.

Fornecedor pequeno costuma achar que licitação militar é território fechado, e a leitura da edição mostra o contrário: massas, frios, gás, material de limpeza, serralheria, manutenção de mobiliário e serviços gráficos estão todos em disputa aberta. O que muda é o rigor de habilitação e a penalidade para quem não entrega, como se vê no rastro de punições que a Justiça e a administração aplicam a fornecedor irregular.

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Jorge Emerson
Jorge Emerson
12/08/2026 16:10

Rapaz a aeronáutica gosta de dar lucro para Washington….

Carlos Menezes

Carlos Menezes

Meu nome é Carlos Menezes e escrevo sobre geopolítica, defesa, aviação, economia e setores estratégicos, buscando traduzir temas complexos de forma clara, direta e conectada ao impacto que eles têm no dia a dia do Brasil e do cidadão comum. No Sociedade Militar, meu compromisso é entregar informação prática, contexto relevante e análises que ajudam o leitor a enxergar além da manchete.