É a Iniciativa Mar Aberto 2026, com a fragata Álvares Cabral. O navio passa por Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Guiné-Bissau, além de outros onze portos, e só volta a Portugal em 23 de outubro.
A fragata Álvares Cabral largou da Base Naval de Lisboa, no Alfeite, em 30 de julho de 2026, e só volta a Portugal em 23 de outubro. São três meses de mar, 15 países africanos na rota e 188 pessoas a bordo, como divulgou o Ministério da Defesa Nacional português. A missão se chama Iniciativa Mar Aberto, e passa por quatro países de língua portuguesa.
Quem está a bordo
O comando é do capitão de fragata Nelson Manuel dos Santos Martins. A guarnição base tem 111 pessoas, número normal para um navio dessa classe.
O que faz o total subir para 188 são os cadetes do 3º e do 4º ano da Escola Naval, embarcados em viagem de instrução. Eles não vão até o fim: desembarcam em Luanda, no dia 24 de agosto, e o navio segue com a guarnição normal.
Quatro países lusófonos na rota
A escala em Cabo Verde é no Mindelo. Em São Tomé e Príncipe são duas paradas, na ilha do Príncipe e na Baía Ana Chaves. Em Angola, o porto é Luanda, e na Guiné-Bissau é a própria capital, Bissau.
Para essas marinhas, receber uma fragata europeia por alguns dias não é protocolo vazio. É oportunidade de treino conjunto, de troca técnica e, em vários casos, de manutenção que a estrutura local não faz sozinha.
| Item | Registro |
|---|---|
| Navio | Fragata Álvares Cabral |
| Partida | 30 de julho de 2026, da Base Naval de Lisboa, no Alfeite |
| Regresso previsto | 23 de outubro de 2026 |
| Comandante | Capitão de fragata Nelson Manuel dos Santos Martins |
| Guarnição base | 111 pessoas |
| Total embarcado | 188, com os cadetes da Escola Naval |
| Cadetes desembarcam | Luanda, em 24 de agosto de 2026 |
| Países visitados | 15, mais escala em Las Palmas, na Espanha |
O Atlântico Sul virou tabuleiro disputado, e não só por europeus. O Brasil vem construindo posição própria nessa faixa de oceano ao assumir a liderança da Zopacas, o grupo que reúne países das duas margens.
Os outros onze portos
Fora do universo lusófono, a rota inclui Gana, com escala em Tema, Nigéria, em Lagos, Benim, em Cotonou, Togo, em Lomé, Costa do Marfim, em Abidjan, Libéria, em Monróvia, e Serra Leoa, em Freetown.
Seguem ainda Guiné, em Conacri, Gâmbia, em Banjul, e Senegal, em Dakar. No caminho de volta há escala em Las Palmas, na Espanha. Boa parte desses portos fica no Golfo da Guiné, uma das áreas de maior incidência de pirataria e de roubo a navio no mundo.
O que a Marinha diz que vai fazer
As tarefas anunciadas cobrem defesa coletiva e expedicionária, proteção de interesses nacionais, diplomacia naval, patrulha, vigilância e fiscalização, segurança marítima e salvaguarda da vida humana no mar.
Traduzindo, é uma missão que mistura três coisas: mostrar bandeira, treinar com marinhas parceiras e reunir informação sobre o que acontece naquelas águas. Nenhuma delas exige tiro, e todas exigem tempo de mar.
O Golfo da Guiné é o trecho mais sensível
Boa parte das escalas fica numa faixa de mar que por anos concentrou os maiores índices de pirataria e de sequestro de tripulação do mundo. Petroleiro parado para transbordo e barco de pesca sem escolta são os alvos mais comuns.
Os países da região têm marinhas pequenas e costa longa, combinação que abre espaço para quem quiser agir. É por isso que a presença periódica de navios europeus e a formação de tripulações locais viraram política permanente, e não gesto ocasional.
Por que Portugal insiste nessa rota
Portugal tem uma das maiores zonas económicas exclusivas da Europa e uma relação antiga com a costa ocidental africana. Manter presença ali é o argumento que sustenta orçamento naval em Lisboa, num momento em que o país corre para recompor um efetivo militar de 24.517 pessoas.
O navio que está fazendo a viagem, aliás, é da geração que Portugal quer aposentar. A Marinha portuguesa acaba de assinar a compra de três fragatas novas na Itália, com entrega prevista entre 2029 e 2030.
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