O projeto ORD PABAC2-005-25 prevê carabinas calibre 5,56 milímetros na plataforma AR-15/M4, com orçamento autorizado de 494,095 milhões de pesos filipinos cobrindo armas, acessórios e logística
O Exército das Filipinas abriu uma licitação para comprar carabinas 5,56 milímetros e o vencedor saiu de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.
São 10.402 fuzis T4, com prazo de 360 dias para entrega a partir da autorização formal de início.
Com esse lote, o total de fuzis brasileiros naquela força passa de 23,9 mil unidades.
O T4 é a carabina da Taurus na plataforma AR-15/M4, calibre 5,56 milímetros, com operação por impacto direto de gás.
É arma de infantaria comum, não item de nicho, e concorre com o que sul-coreanos, americanos e israelenses vendem para o mesmo tipo de comprador.
No Brasil o posto de fuzil de dotação é ocupado por outro produto, o IA2 fabricado em Itajubá, pela Imbel.
São fabricantes diferentes, projetos diferentes e cadeias de suprimento diferentes.
O que a Taurus vende às Filipinas é produto de exportação, e não excedente da dotação nacional.
O que está no edital
O processo é o ORD PABAC2-005-25 e prevê a aquisição de 10.402 carabinas calibre 5,56 milímetros na plataforma AR-15/M4.
O orçamento autorizado é de 494,095 milhões de pesos filipinos.
O valor não cobre apenas as armas, e sim o pacote contratual completo, com acessórios e logística, segundo a apuração do Defesa em Foco.
A proposta da Taurus foi apresentada em 24 de novembro de 2025.
Depois da análise técnica, o Exército Filipino declarou a empresa vencedora por meio de Notice of Award.
Os 360 dias começam a contar depois
O prazo de entrega não corre a partir da assinatura.
Ele conta a partir do Notice to Proceed, o documento que autoriza formalmente o início da execução contratual.
A empresa informou o recebimento desse documento no relatório do primeiro trimestre de 2026.
No relatório do segundo trimestre, voltou a citar o contrato de aproximadamente 10,4 mil fuzis para um país da Ásia, com entregas previstas ao longo do ano.
Nos balanços anteriores o comprador não era identificado.
O relatório do quarto trimestre de 2025, divulgado em março de 2026, falava apenas em licitação vencida para cerca de 10 mil fuzis num país asiático.
Como o T4 chegou às Filipinas
A porta de entrada foi pequena.
Em 2019, pelo projeto ORD PABAC-045-19, o Exército Filipino comprou uma quantidade reduzida de T4 para testes e avaliação operacional.
A escala mudou em janeiro de 2021, com a vitória na licitação internacional ORD PABAC2-018-2021, que previa 12.412 fuzis T4 calibre 5,56 milímetros.
A entrega desse lote foi concluída ainda no primeiro semestre daquele ano.
Em abril de 2021 veio mais uma etapa, de 1.118 unidades, entregues em 2022.
Somadas as duas rodadas, foram mais de 13,5 mil fuzis entre 2021 e 2022.
O Exército das Filipinas vive um ciclo longo de reequipamento, puxado pela tensão no Mar do Sul da China e por operações internas de contrainsurgência.
Nesse mesmo movimento o Brasil já entrou com material pesado, e o blindado Guarani voltou ao radar das Filipinas depois de uma primeira encomenda de 28 veículos.
O primeiro exército estrangeiro a adotar o T4
Com aqueles primeiros grandes lotes, o Exército das Filipinas se tornou a primeira força militar estrangeira a adotar o T4 como fuzil de dotação.
A permanência do modelo em processos de aquisição posteriores é o dado que importa numa venda de material bélico.
Vender uma vez é negócio, repetir por cinco anos é padronização.
Fuzil padronizado significa a mesma munição, o mesmo acessório, o mesmo manual de manutenção e o mesmo estoque de peça de reposição para toda a infantaria.
Também significa treinamento único, o que reduz o custo de instrução de recruta e encurta o tempo até a tropa estar apta.
Trocar de fuzil no meio do caminho obriga a força a manter duas cadeias logísticas paralelas durante anos.
Nem toda disputa foi vencida
O histórico filipino da Taurus não é uma sequência de vitórias.
Em dezembro de 2025 o projeto ORD PABAC2-061-24, também de carabinas 5,56 milímetros, foi vencido pela sul-coreana Dasan Machineries, por meio da representante local United Defense Manufacturing Corp.
A diferença estava no requisito técnico.
Aquele edital exigia carabina com sistema de operação a pistão de gás, e o T4 funciona por impacto direto de gás, a arquitetura herdada da família AR-15.
São filosofias distintas de projeto.
O pistão mantém o mecanismo mais limpo e o impacto direto entrega arma mais leve e com menos peças móveis, o que muda o resultado conforme o que a força prioriza.
A empresa também vende pistola por lá
A presença brasileira nas Filipinas não se limita ao Exército.
A Polícia Nacional filipina tem histórico de compra de pistolas Taurus TS9, calibre 9 milímetros.
Entre 2018 e 2019 foram duas licitações consecutivas, com cerca de 20 mil pistolas entregues, e em 2022 veio outra rodada, de aproximadamente 9,5 mil unidades.
Somadas as quatro aquisições, o total chega a cerca de 30 mil pistolas TS9 na polícia filipina.
O que isso diz sobre a exportação brasileira
Armamento leve é a faixa em que a indústria brasileira compete com mais consistência no exterior, porque o ciclo de decisão é curto e o comprador testa o produto antes de assinar.
Em plataformas maiores o processo é outro, mais lento e mais político, e o blindado Guarani ainda negocia com aquele mesmo comprador depois de uma primeira encomenda de 28 veículos.
No caso das aeronaves, o exemplo consolidado é o turboélice de ataque leve que virou o maior sucesso de exportação militar do país.
O fuzil que o Brasil usa é outro
Vale registrar a diferença de dotação.
Vale registrar a diferença de dotação. O fuzil padrão do Exército Brasileiro não é o T4, e sim o IA2 da Imbel, na linha que sucedeu o FAL belga produzido sob licença.
A Taurus tem contratos com forças brasileiras em outras frentes, entre elas a parceria com a Marinha apoiada pelo BNDES para armas leves e sistemas não tripulados.
No mercado civil americano, o principal destino da empresa, ela manteve lucro mesmo com a tarifa americana de 50 por cento.
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