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O jogo informacional que baixa nossa imunidade nesta pandemia

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Em qual aspecto estamos perdendo a guerra contra o novo coronavírus? E em qual estamos ganhando? São perguntas que nos trazem uma série de reflexões e análises, que passam não só pela busca da cura, pelo medo da morte ou pelas sequelas econômicas que virão. O impacto do Covid-19, aliado a um cenário político polarizado e à capilaridade das conexões em rede, está afetando profundamente o comportamento humano e, para os mais atentos, está expondo as sorrateiras técnicas comunicativas de manipulação de massas.

As mortes decorrentes do contágio e o anúncio de gravidade feito por autoridades mundiais de saúde trouxeram um dos gatilhos perfeitos para a transformação de sentimentos: o pânico. E para completar o cenário de apreensão e medo, o isolamento social colocou as “caças” cuidadosamente na “zona de matar”, inertes e ociosas, letargicamente paradas em frente a uma tela, na mira dos especialistas de whatsapp, dos cientistas emergentes, dos colunistas de facebook e da disseminação de informação “científico-politizada”, seja pela mídia tradicional ou pela mídia digital/social.

Nesse bombardeio de informações nos “alvos” estrategicamente prostrados e atônitos, sejam elas ostensivas e/ou subliminares, surgem também outros questionamentos: quem divulga e quem influencia? Até que ponto é possível confiar nas informações emitidas pela mídia tradicional e pelas redes sociais?  A quem interessa omitir informação? Por que ela é feita? Qual a verdade mais conveniente, neste cenário de pandemia e de interesses diversos?

Vale ressaltar que a comunicação social/jornalismo tem um papel essencial na manutenção dos direitos individuais e coletivos, principalmente quando se diz garantir a, tão falada e sonhada, democracia. É fato que o jornalismo perdeu os birôs corporativos e as redações estilizadas. Com o surgimento das plataformas digitais, dos smartphones e das redes sociais, qualquer indivíduo, até mesmo em sua casa, tornou-se um comunicador, um formador de opinião, e, por conseguinte, um elemento que possui uma alta propensão a influenciar pessoas. 

Nos dias de hoje, grande parte dos profissionais contratados pela imprensa são esses citados “comunicadores por smartphone”, que, de qualquer local, passam imediatamente informações para as editorias e geram matérias jornalísticas quase que instantaneamente.

Além do seu papel social, a comunicação social também tem interesses e objetivos particulares. E neste jogo informacional, a propaganda, muito utilizada por editores e “marketeiros” especializados, tratou de se aperfeiçoar na arte de mudar percepções, transformar sentimentos, influenciar decisões e destruir/construir reputações.

Autores como J.A.C. Brown (1976), em sua obra “Técnicas de Persuasão: da Propaganda à Lavagem Cerebral”, alertam que os mecanismos de manipulação de massas empregados, principalmente por propagandistas especializados, são compostos por um controle seletivo de informações, a fim de favorecer determinado ponto de vista, bem como, se valem de deliberada deturpação de informações com a finalidade de criar impressão diferente da originalmente pretendida.

Os especialistas em manipulação recorrem amplamente ao amor, raiva, medo, esperança, culpa, e quaisquer outros sentimentos, emoções e impressões úteis ao seu objetivo. Via de regra, eles buscam despertar um desejo no seu público, para posteriormente alvitrarem-se de serem os únicos que possuem o meio de satisfazer aquele desejo.

Em suas investidas, estes propagandistas abusam do emprego de estereótipos, classificando pessoas ou grupos por adjetivos pejorativos e inverídicos. Substituem termos desfavoráveis por palavras mais amenas e “politicamente corretas”. Selecionam o conteúdo que irão propagar, inclusive valendo-se da censura, nos ambientes sob seu domínio. Não sentem remorso em faltar com a verdade. Repetem inúmeras vezes uma afirmação até que ela seja aceita por seu público. Raramente discutem, demonstrando serenidade e polimento intelectual, para realizar afirmações em favor de suas teses, limitando-se propositadamente a apresentar somente um lado da questão, coibindo raciocínios e indagações livres. Apontam, mesmo que subjetivamente, um inimigo, supostamente rotulado como contrário aos anseios do seu público. E, por fim, amparam-se e apelam sob a égide de alguma autoridade que lhe seja favorável.    

Ainda neste espectro, estudos também comprovam que, não só agressões físicas, mas também intervenções emocionais afetam a saúde mental das pessoas, colaborando para a redução da sanidade, da imunidade e facilitando o surgimento de problemas psicológicos, como a ansiedade, a depressão, a síndrome do pânico, o estresse, dentre outras enfermidades.

Nos dias atuais, muitos dos nossos estilos de vida são influenciados por informações recebidas por todos os canais comunicacionais: TV, rádio, mídias digitais e redes sociais. Nos tornamos reféns dos influenciadores midiáticos e/ou digitais, e nos distanciamos do convívio pessoal, principalmente, junto aos nossos entes, que, infelizmente, para uma parcela considerável da população, deixaram de ser referência, seja por omissão, mau exemplo ou ausência. 

É notório que este estilo de vida nos tornou cada vez mais propensos a acreditar em versões e factóides que, muitas vezes, não condizem com a verdade. As tão propagadas e combatidas fake news.

Portanto, é válido, nesta pandemia, atentar para estes aspectos anteriormente abordados, a fim de evitarmos os malefícios causados pela larga e deliberada exposição informacional a que temos acesso, seja sobre o Covid-19 ou sobre posicionamentos, geralmente, recheados de interesses escusos. Sob o risco de afetarmos, ainda mais, nossa sanidade psicológica e emocional.

São necessários filtros e análises judiciosas das informações recebidas e replicadas, inclusive, junto a pessoas próximas. Muitas dessas, já podem estar até infectadas, inconscientemente, pelo vírus da inocência e da subliminaridade propagandística. 

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Eduardo de Morais Milanez – Major de Engenharia  //  Publicado em Revista Sociedade Militar

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