O material saiu de centros de mobilização do centro e do sul do país e levou cerca de duas semanas para chegar. Os veículos foram integrados ao 18º Regimento de Cavalaria Mecanizada, que deve fechar com três esquadrões e cerca de 600 militares.
O Exército Brasileiro concluiu o envio de 28 blindados para Roraima, no reforço da fronteira com a Venezuela e com a Guiana.
A composição é desigual e conta uma história por si só: são 14 Guaicurus, oito Guaranis e seis Cascavéis.
Junto foram mísseis anticarro.
O material saiu de centros de mobilização do centro e do sul do país e levou cerca de duas semanas para chegar ao destino.
O que cada um desses veículos é
O Guaicurus é o veículo mais novo dos três, e por larga margem.
É a viatura blindada multitarefa leve sobre rodas 4×4, o LMV-BR 2 da Iveco Defence Vehicles, adotada oficialmente pelo Exército por portaria do Estado-Maior de setembro de 2025.
Ela serve para reconhecimento, patrulha, transporte de tropa e apoio a operações especiais, com blindagem modular no padrão STANAG 4569 da Otan.
A plataforma de origem é a mesma LMV usada por Itália e Reino Unido, e o Exército contratou 420 unidades em julho de 2024, com entregas espalhadas por dez anos.
O Guarani é o blindado 6×6 de infantaria mecanizada, com cerca de 18 toneladas, capacidade anfíbia e produção em Sete Lagoas, em Minas Gerais.
É a mesma cidade onde a Iveco montou a linha dedicada ao Guaicurus, o que concentra dois dos três veículos da coluna no mesmo parque industrial.
O Cascavel vem de outro tempo.
É o EE-9, blindado de reconhecimento com canhão de 90 milímetros, que entrou em produção em 1974.
Ou seja: na mesma coluna que chegou a Roraima em 2026 andam um veículo formalizado no ano passado e um projeto que completa meio século de linha de montagem.
O Cascavel tem mais de 50 anos e continua na conta
O EE-9 foi fabricado pela Engesa, a empresa de São José dos Campos que produziu 6.818 blindados e vendeu para 18 países antes de ser declarada falida em 1993.
A fabricante não existe há mais de três décadas, e o produto dela segue no inventário e segue sendo deslocado para a área mais sensível da fronteira norte.
Isso diz duas coisas ao mesmo tempo.
A primeira é que o projeto era bom o bastante para durar.
A segunda é que a substituição prevista pelo programa Guarani ainda não chegou onde precisa chegar.
A Bernardini, a outra fabricante brasileira de blindados daquele período, projetou o tanque médio Tamoyo e não vendeu nenhuma unidade.
Das duas empresas que davam ao Brasil uma indústria própria de veículos de combate nos anos 1980, o que sobrou em serviço na fronteira norte são os Cascavéis.
Para onde os veículos foram
Os blindados foram integrados ao 18º Regimento de Cavalaria Mecanizada, que é a nova denominação do antigo 12º Esquadrão de Cavalaria Mecanizada, reorganizado em dezembro.
Com a transformação completa, o regimento deve ficar com três esquadrões e um efetivo em torno de 600 militares.
A unidade se soma a uma brigada de infantaria de cerca de 2 mil militares já estacionada na região, e ao deslocamento de outros 200 militares para a base de Pacaraima.
Pacaraima é a cidade que faz a passagem terrestre para a Venezuela, e é por onde entra e sai praticamente tudo o que atravessa aquela fronteira.
As duas semanas de estrada dizem muito
O detalhe logístico é o que menos aparece e o que mais explica.
Roraima é ligada ao resto do Brasil por uma única rodovia federal, a BR-174, que sobe de Manaus até Boa Vista e segue até Pacaraima.
Não há ferrovia, e o trecho atravessa área indígena com regras próprias de circulação.
Por isso mover 28 blindados do centro e do sul do país até a fronteira norte custou cerca de duas semanas.
Esse número é a medida real da profundidade estratégica brasileira naquela direção: qualquer reforço adicional levaria o mesmo tempo.
É também o motivo pelo qual a decisão foi estacionar material lá em caráter permanente, em vez de contar com deslocamento sob demanda.
O que vem depois
O envio faz parte de um esforço maior, batizado de Operação Roraima, que prevê aumentar em cerca de 10% o efetivo do Comando Militar do Norte e do Comando Militar da Amazônia.
E há material novo a caminho.
Parte dos 98 blindados Centauro II adquiridos pelo Brasil será priorizada para Roraima e para uma unidade mecanizada em Campinas, com as primeiras entregas previstas para 2026.
O Centauro II é um caça-tanques sobre rodas, com canhão de grosso calibre, categoria que a Força Terrestre não tinha.
Ele muda o tipo de resposta possível naquela faixa.
A modernização em curso inclui ainda os tanques Leopard e a artilharia Astros, distribuídos por outras regiões.
Por que a fronteira norte virou prioridade
O gatilho foi o Essequibo.
A Venezuela realizou referendo sobre a região, que corresponde a cerca de dois terços do território da Guiana e concentra mineral e petróleo, e o resultado registrou 95% de aprovação para a integração.
Depois disso, o governo venezuelano concedeu licenças de exploração de petróleo na área disputada, o que a Guiana classificou como ameaça direta.
O petróleo é o centro da disputa.
A Guiana saiu do zero e chegou a 903 mil barris por dia em menos de dez anos, e a produção está no bloco que fica justamente em frente à área reivindicada.
O Brasil faz fronteira com os dois países e é o caminho terrestre entre eles.
Qualquer movimento militar de um lado passaria, geograficamente, a poucos quilômetros de território brasileiro.
O que o Exército disse
A Força declarou manter vigilância constante por meio do próprio sistema de reconhecimento e alerta, com o objetivo de garantir a inviolabilidade das fronteiras.
É uma formulação deliberadamente neutra.
Não aponta ameaça, não nomeia país e não antecipa emprego.
Na prática, blindado posicionado na fronteira cumpre função antes de qualquer disparo: ele comunica que existe custo em atravessar a linha.
A ameaça que mudou de endereço
O material foi para lá por causa da crise entre Venezuela e Guiana, mas a avaliação operacional interna migrou desde então.
O que hoje ocupa a atenção na Amazônia é uma ameaça híbrida, formada por crime organizado, tráfico e grupos armados transnacionais que atravessam a linha nos dois sentidos.
É um adversário que não se enfrenta com coluna blindada, e sim com sensor, informação e presença permanente.
O reforço de Roraima, portanto, atende a dois cenários diferentes com o mesmo material, e a discussão sobre qual deles é o real segue aberta dentro da própria Força.
Enquanto isso, o Guarani ganha versões de ambulância e posto de comando, que são exatamente as que fazem falta em operação longa e distante.
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Isso parece piada, brasil é fraco demais, faz uma propaganda com veiculos velhos, um força sucateada, com as tecnologias de hoje de alguns países, esses blindado virariam um monte de carvão.
A preocupação é correta e atual. Não se tratando de tráfico de drogas, mas a ameaça real dos EUA sobre toda a região da América Latina. Os EUA são a maior ameaça ao continente latino.
Acho muito difícil que a verdadeira preocupação não seja a ameaça de invasão dos EUA.
A Venezuela não existe mais. É um apêndice dos EUA.
A recente descoberta de petróleo na foz do Amazonas e a abundância do exequibo certamente deve ter assanhado o interesse dos EUA em “combater o narcotráfico e defender a democracia”, ou seja, roubar o petróleo alheio.
A ENGESA deveria ser reorganizada com outro nome e pertencente ao governo brasileiro ou ao exército brasileiro. O Brasil não precisa comprar blindados no exterior ou para empresas estrangeiras. Se o cascavel é um bom blindado é interessante atualizá-lo e para isso precisamos de uma indústria própria
Não adianta muito esses equipamentos contra a ataques de drones, principalmente se os ataques forem feitos igual a Ucrânia faz contra os russos. Mas se ocorrer de um inimigo vindo do norte resolver atacar o Brasil, ele irá fazer uso de caças e bombardeiros capazes de atingir os principais postos de comando do país.